O Castigo Eterno (IV)

3. As passagens citadas pelos Aniquilacionistas.

     A verdade é só uma: eterna e imutável. O erro é monstruoso, inconsistente e contraditório, oscilando nas suas formas. Tão determinados estão os homens a persuadirem-se a si mesmos que a punição eterna dos ímpios é um mito, que o inimigo da alma humana tem sugerido uma variedade de meios para se desviarem desta verdade tão odiosa para eles. «Deus fez ao homem recto, mas ele buscou muitas invenções» (Ecl. 7.29). Uma dessas invenções é que a morte dos ímpios cairá no esquecimento, e que após a sua ressurreição e juízo no Grande Trono Branco, serão aniquilados no Lago de Fogo. Incrível quanto possa parecer, esta teoria tem muitos aderentes e advogados; e o que é mais incrível, a Palavra de Deus é citada para obter apoio. É por isso que fazemos aqui uma breve referência.

     A primeira classe de passagens para que apelam é a série de versículos em que a “morte” é mencionada. A morte é vista por eles no sentido mais absoluto. Para eles morte é a passagem da existência para a não-existência; uma total extinção ou aniquilação do ser. A morte é aplicada por eles tanto à alma quanto ao corpo. Como é que este erro deve então ser enfrentado? Apelando para a Palavra de Deus! O significado duma palavra deve ser obtido não duma sua derivação, nem do seu emprego por escritores pagãos, nem por uma definição facultada por um dicionário secular, nem de léxicos, mas do seu uso nas Escrituras. O que é que, então, a morte significa, quando usada pelo Espírito Santo?

     Volvamo-nos primeiro para 1 Cor. 15.36: «Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer». Eis a ilustração que o Espírito Santo faz e a figura da morte e ressurreição dum crente. Ora, será que o germe vivo na semente semeada se torna extinto antes de produzir fruto? Claro que não. Há certamente um decair da sua casca exterior – e nisto jaz a analogia da morte do homem – porém o germe vivo interior não morre, senão não poderia haver colheita. A morte, então, segundo esta ilustração do Espírito santo, não é aniquilação. A mesma ilustração foi utilizada pelo Senhor Jesus Cristo. Ele disse, «Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (João 12.24). O trigo que desponta nos campos não é senão o germe de vida plenamente desenvolvido. Assim é com o homem. O corpo morre; a alma continua a viver. Nota como isto acontece, segundo as palavras do Senhor Jesus registadas em Mat. 10.28, «E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, Aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo». O homem é incapaz de matar a  “alma”! Mas Deus pode – e nota com cuidado a distinção – “perecer (ou, destruir) (não matar) tanto a alma como o corpo no inferno”. Como a palavra “destruir” é uma outra palavra mal usada e erroneamente definida pelos aniquilacionistas, devemos dizer algo sobre o assunto.

     Quando usadas nas Escrituras, as palavras “destruir”, “destruição”, “perecer”, etc., nunca significam cessação de existência. Em Mateus 10.7 uma das principais palavras Gregas para “destruídas” é traduzida «as ovelhas perdidas da casa de Israel». Aqueles Israelitas não tinham cessado de existir, mas estavam separados de Deus! Em Marcos 2.22 a mesma palavra é traduzida por “estragam-se” em relação aos odres, garrafas de pele que o novo vinho rompia. «E ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo rompe os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser posto em odres novos». Vemos na Bíblia que o Senhor destruiu, com as pragas, toda a terra do Egipto, - «e sobre toda a terra do Egipto; a terra foi corrompida (destruída) destes enxames» (Êxo. 8.24) -  mas não a fez desaparecer do mapa; não a aniquilou, ou fez cessar de existir. Privou-a de tudo quanto é desejável. Quando lemos que no inferno, as pessoas, são ali destruídas, devemos entender que ficam ali privadas de tudo quanto é desejável - não deixam de existir, não são aniquiladas.

     I Tim. 5.6 revela este princípio importante aos ignorantes: «mas a que vive em deleites, vivendo, está morta». É possível estar-se morto e viver (como se pode ver nas Escrituras).

     Por conseguinte, nas Escrituras a palavra perecer, nunca significa aniquilação.

     A absurdidade e anti-biblicismo do Aniquilacionismo são facilmente desmascarados. Se na morte o pecador deixa de existir, porque ressuscitá-lo de novo para o aniquilar novamente? As Escrituras falam da “punição”, ou “castigo”, e “tormento” dos ímpios, e qualquer pessoa pode ver que isso não é aniquilação! Se a aniquilação fosse tudo o que espera aos ímpios, eles nunca saberiam que tinham recebido os seus justos merecimentos e a devida recompensa das suas iniquidades! As Escrituras falam de graus de castigo para os perdidos; mas a aniquilação tornaria isso impossível; a aniquilação nivelaria todas as diferenças e ignoraria todos os graus de culpabilidade. Em Isa. 33.14 é-nos dito, «Os pecadores de Sião se assombraram, o tremor surpreendeu os hipócritas. Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas?».  Assim, longe de os pecadores serem aniquilados habitarão com o fogo devorador! As Escrituras falam repetidas vezes do «pranto e ranger de dentes» dos que são lançados no inferno, e isto, denuncia logo a mentira dos que afirmam a extinção do ser. 

(Continua)

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