Tipologia

Deus é infinitamente tão glorioso, tão maravilhoso nas Suas obras, tão exaltado na Sua majestade, e tão extraordinário no Seu amor pela Humanidade, que se serviu de todos os artefactos da linguagem humana para se nos revelar.
Declarações claras, parábolas e alegorias, símbolos e sombras, emblemas e tipos, tudo é usado para sermos levados ao conhecimento e gozo de Deus e vivermos para Sua glória, cumprindo a razão da nossa existência.
Há cinco palavras importantes que são usadas para descrever diferentes formas de discurso nas Escrituras. Referimo-nos à "figura", ao "exemplo", à "sombra", à "parábola", e ao "modelo" ou "tipo". Para o estudioso diligente o seu estudo é muito recompensador.
Na Bíblia descobrimos que há pessoas que são tipos. Em Romanos 5.14, é declarado com muita clareza que Adão é "figura (tipo) d'Aquele que havia de vir". Isto é, como Cabeça de uma nova espécie de pessoas - a Humanidade. O Senhor Jesus é Cabeça de um novo grupo de pessoas – os crentes. Assim como a espécie humana se identifica com a sua Cabeça, Adão, na morte, assim também se pode identificar com Cristo na Sua ressurreição: "Porque assim como todos morrem em Adão, assim também serão todos vivificados em Cristo" (I Cor. 15.22). Existem outras pessoas-tipo que encontram claramente o seu antítipo no Senhor Jesus. Moisés é um tipo de Cristo no seu ministério profético (Deut. 18.15; Act. 7.37,38). Melquisedeque é um tipo de Cristo no seu ofício sacerdotal (Heb. 6.20). David é um tipo de Cristo como Soberano-Pastor do Seu povo (Isa. 55.3,4; Ezeq. 34.23,24).
Também há objectos que são tipos. Em I Cor. 10.1-6, a nuvem, o mar, o maná, a água, e a rocha no deserto, são ditos ser "figuras" ou tipos. E não só isto, pois é declarado que estes tipos são para sermos instruídos em santidade.
Há eventos que são tipos. Os "acontecimentos" que se deram no deserto são "exemplos". A Páscoa é um tipo de Cristo (I Cor. 5.7). O tabernáculo e o seu mobiliário, Aarão e as suas vestes e ministério, tudo declara a glória do Senhor. Tudo isto são ilustrações, que Deus usa para as grandes doutrinas a respeito de Cristo - da Sua Pessoa e obra -, derramando luz sobre as verdades do Novo testamento. As doutrinas de apreensão difícil são assim iluminadas.
Existem, contudo, três grandes perigos que devem ser evitados:
1. Limitar o tipo, e portanto não o usar - apesar de haver sempre infinitamente mais no antítipo que no tipo, como há infinitamente mais na substância do que na sombra.
2. Exagerar o tipo, e por conseguinte abusar dele. Há aspectos do tipo que nunca podem ser aplicados ao antítipo. Têm havido interpretações "forçadas" devido a isso.
3. Imaginar o tipo, e portanto fazer um mau uso da tipologia. A himnologia não deve ser a base das nossas doutrinas, nem as ilustrações. A terra de Canaã tem sido apresentada na himnologia como figura do céu. Contudo, "o inimigo ainda estava na terra", e no céu não há inimigos.
Estamos agradecidos a Deus por se lembrar que somos pó, mortais, e limitados. Ele toma em consideração as nossas limitações, e por isso providenciou meios para termos acesso aos tesouros da Sua Palavra. Pela iluminação do Seu Espírito, Ele deleita-se em guiar o Seu povo em toda a verdade.
E de profundidades e glórias sempre novéis,
Que, em dez mil raios de luz,
Foca sempre Jesus!
Oh, quem deixará a fonte benta
Para beber em regatos d'água sebenta,
Onde o homem tem misturado o que Deus disse
Com o sonho do sonhador, como se este visse!



