O grave erro de se pensar que a Igreja passa pela Grande tribulação

Charles H. Mackintosh

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     Vamos continuar com este assunto do modo como é apresentado em 2 Tessalonicenses.

     Trata-se de um facto cheio do mais rico conforto e consolação para o coração de um verdadeiro crente, que Deus, em Sua maravilhosa graça, sempre transforme o comedor em comida e do forte tire doçura. Ele produz luz das trevas, traz vida da morte e faz com que os refulgentes raios de Sua glória brilhem no meio da mais desastrosa ruína causada pela mão do inimigo. A verdade disto está ilustrada em todas as Escrituras e deveria encher nosso coração de paz e a nossa boca de louvor.

     Por isso os vários erros doutrinários e práticas malignas nas quais foi permitido que os primeiros cristãos caíssem foram neutralizados por Deus e usadas na instrução, direção e real proveito da Igreja para o final de sua história terrena.

     Assim, por exemplo, o erro dos cristãos tessalonicenses, no que diz respeito aos seus irmãos que haviam partido, serviu de ocasião para derramar tamanho dilúvio de luz divina sobre a vinda do Senhor e sobre o arrebatamento dos santos, que é impossível que qualquer mente simples que se submeta às Escrituras venha a cair em semelhante erro. Eles aguardavam pela vinda do Senhor, e nisto estavam certos. Eles O esperavam para estabelecer o Seu reino na terra, e nisto, de um modo geral, também estavam certos. Mas eles cometeram um grande erro ao deixarem de fora o lado celestial desta gloriosa esperança. O seu entendimento era insuficiente — sua fé falha. Eles não viram as duas partes, a dupla aplicação do advento de Cristo: descendo nos ares para receber o Seu povo para Si, e aparecendo em glória para estabelecer o Seu reino em manifestação de poder. Por isso temiam que os seus irmãos que partiram estivessem necessariamente fora da esfera de bênção, do círculo de glória. Tal erro é divinamente corrigido, conforme vimos em 1 Tessalonicenses 4.

     O lado celestial da esperança — a porção que cabe ao cristão — é colocado diante do coração como verdadeiro corretivo para o erro relacionado aos santos que dormiam. Cristo irá reunir todo o Seu povo (e não apenas parte dele) para Si. E se existir qualquer vantagem — qualquer sombra de privilégio nesta questão — ela fica com aquelas mesmas pessoas pelas quais eles lamentavam. Pois "os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro".

     Porém, da Segunda Epístola aos Tessalonicenses aprendemos que aqueles queridos recém-convertidos tinham sido levados a cometer outro grave erro — um erro que não estava relacionado com os mortos, mas com os vivos; um erro que não estava relacionado com o Arrebatamento, mas com o dia do Senhor. Se, por um lado, eles temiam que os mortos pudessem não participar do bendito triunfo da vinda, por outro temiam que os vivos já estivessem, naquele exato momento, passando pelos terrores do dia do Senhor.

     É com este erro que o apóstolo inspirado tem de lidar em sua segunda carta aos crentes tessalonicenses, e não há nada maior que a ternura e sensibilidade da sua abordagem, além da precisão com que faz a correção.

     Os cristãos em Tessalónica passavam por intensa perseguição e tribulação, e fica bem evidente que o inimigo, por meio de falsos mestres, procurava confundir suas mentes levando-os a pensar que "o grande e terrível dia do Senhor" (Jl 2:31) tivesse chegado e que as tribulações pelas quais estavam passando eram consequências daquele dia. Se assim fosse, todo o ensino do apóstolo teria sido provado como falso, pois se havia uma verdade que brilhava com maior fulgor e proeminência em seu ensino era a da associação e identificação dos crentes com Cristo — uma associação tão íntima, uma identificação tão próxima, que seria impossível para Cristo aparecer em glória sem o Seu povo. "Quando Cristo, que é a nossa vida, Se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória" Cl 3:4. Mas antes Ele deverá vir, para depois poder introduzir "o dia".

     Além disso, quando o dia do Senhor realmente chegar, não será para atribular o Seu povo; ao contrário, será para atribular os perseguidores deste. É isto que o apóstolo lhes faz lembrar da maneira mais simples e eficaz, logo nas primeiras linhas: "Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé cresce muitíssimo e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros, de maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais; prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis; se de facto é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, descanso connosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do Seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus [gentios] e dos que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo [judeus]" 2 Ts 1:6.

     Portanto, não era apenas a posição do cristão que estava envolvida nessa questão, mas até mesmo a glória de Deus — a Sua própria justiça. Se era certo que o dia do Senhor tinha trazido tribulação aos cristãos, então não havia verdade na doutrina — na grande e proeminente doutrina do ensino de Paulo — de que Cristo e Seu povo são um,  além do que isso acabaria comprometendo a justiça de Deus. Em suma, se os cristãos estavam passando por tribulação, seria moralmente impossível que o dia do Senhor  tivesse chegado, pois quando chegar será para trazer alívio para os crentes. E isto como uma recompensa pública para eles no reino, e não meramente na casa do Pai, o que não é o assunto tratado aqui. A mudança que irá ocorrer será bem clara. A Igreja estará em repouso e os que a atribularam, por sua vez, estarão em tribulação. Enquanto durar o dia do homem a Igreja estará sujeita à tribulação, mas no dia do Senhor tudo isso será invertido.

     Repare nisto cuidadosamente. Não se trata da questão dos cristãos passarem ou não por dificuldades. Eles são destinados a isto neste mundo, enquanto a impiedade mantiver o domínio. Cristo sofreu, e o mesmo deve acontecer também com eles. Todavia, o ponto que queremos frisar para a mente e o coração do cristão é que, quando Cristo vier para estabelecer o Seu reino, será totalmente impossível que o Seu povo esteja em tribulação. Assim, todo o ensino do inimigo, pelo qual ele procurava inquietar os crentes tessalonicenses, mostrou-se claramente fraudulento. O apóstolo leva de roldão o próprio fundamento de toda a trama, usando apenas a afirmação da preciosa verdade de Deus. Esta é a forma divina de libertar as pessoas de seus vãos temores e ideias falsas. Dê a elas a verdade e o erro irá bater em retirada. Deixe derramar a luz da eterna Palavra de Deus e todas as nuvens e névoas de falsa doutrina serão afastadas.

- Charles H. Mackintosh
(via e sabia mais das Escrituras, há quase 200 anos,
do que muitos que hoje se insinuam seus continuadores.)

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