O arrebatamento e o dia do Senhor

Charles H. Mackintosh

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     Mas devemos agora voltar, por alguns instantes, ao solene assunto do "dia do Senhor". Trata-se de um termo que ocorre com frequência nas Escrituras do Antigo Testamento. Não temos a pretensão de citar todas as passagens, mas devemos nos referir a uma ou duas e, a partir delas, o leitor poderá seguir examinando o assunto por si mesmo.

     Em Isaías 2 lemos:

     "Porque o dia do Senhor dos Exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido... E a arrogância do homem será humilhada, e a sua altivez se abaterá, e só o Senhor será exaltado naquele dia. E todos os ídolos desaparecerão totalmente. Então os homens entrarão nas cavernas das rochas, e nas covas da terra, do terror do Senhor, e da glória da Sua majestade, quando Ele Se levantar para assombrar a terra. Naquele dia o homem lançará às toupeiras e aos morcegos os seus ídolos de prata, e os seus ídolos de ouro, que fizeram para diante deles se prostrarem. E entrarão nas fendas das rochas, e nas cavernas das penhas, por causa do terror do Senhor, e da glória da Sua majestade, quando Ele se levantar para abalar terrivelmente a terra".

     O mesmo podemos ver em Joel 2:

     "Tocai a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no Meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do Senhor vem, já está perto; dia de trevas e de escuridão; dia de nuvens e densas trevas, como a alva espalhada sobre os montes; povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração... Diante dele tremerá a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. E o Senhor levantará a Sua voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o Seu arraial; porque poderoso é, executando a Sua palavra; porque o dia do Senhor é grande e mui terrível, e quem o poderá suportar?"

     Destas e de outras passagens similares aprendemos que "o dia do Senhor" está associado ao pensamento profundamente solene de juízo sobre o mundo: sobre o Israel apóstata, sobre o homem e suas práticas e sobre tudo aquilo que o coração humano valoriza e anseia. Em suma, o dia do Senhor aparece em evidente contraste com o dia do homem.

     Hoje é o homem quem detém a supremacia; então a supremacia será do Senhor.

     Bem, enquanto é perfeitamente verdade que todo o povo do Senhor pode se regozijar na perspectiva daquele dia que, embora se inicie com juízo sobre o mundo, deverá ser marcado pelo reino universal de justiça, ainda assim devemos nos lembrar de que a esperança peculiar do cristão não está naquele dia com todos os seus terríveis desdobramentos de juízo, ira e terror. A sua esperança está na vinda ou presença de Jesus no Arrebatamento, com seus desdobramentos de paz e gozo, amor e glória. A Igreja já terá então se encontrado com seu Senhor e voltado com Ele para a casa do Pai antes daquele terrível dia explodir sobre o mundo. Essa será sua bendita porção, quando experimentará a sublime comunhão daquele lar celestial por um período de tempo indefinido antes do início do dia do Senhor.

     Desejamos muito que o leitor cristão possa apreender totalmente esta grande e importante diferença. Sentimo-nos persuadidos de que ela terá um efeito imenso sobre todos os seus pensamentos, perspetivas e esperanças para o futuro. Ela o capacitará a ver, sem que exista qualquer nuvem de impedimento, a sua verdadeira perspectiva como cristão. Ela o livrará de toda a névoa, incerteza e confusão, além de fazer desaparecer da sua mente todo tipo de sentimento de pavor com que tantos, até mesmo dentre os queridos do Senhor, contemplam o futuro. Ela irá ensiná-lo a esperar pelo Salvador — o Noivo bendito, o eterno Amante de sua alma — e não pelos juízos, pelo terror, por eclipses e terramotos, convulsões e revoluções, mantendo o seu espírito tranquilo e feliz, na certa e convicta esperança de estar com Jesus antes que chegue aquele grande e terrível dia do Senhor.

     Veja o quanto o fiel apóstolo trabalhava para encaminhar os seus queridos convertidos tessalonicenses a uma clara compreensão da diferença entre "a vinda, ou o Arrenatamento" e "o dia, ou o Dia do Senhor".

     "Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; pois que, quando [eles, não vós] disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas" — O Senhor seja louvado! — "Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação; porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com Ele. Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis" (1 Ts 5:1-11).

     Temos aqui a distinção estabelecida com inequívoca clareza. O mesmo Senhor descerá para nós como o Noivo. O dia do Senhor virá sobre o mundo como um ladrão. Poderia um contraste ser mais evidente? Como alguém pode confundir as duas coisas? Elas são tão distintas quanto duas coisas poderiam ser. Um noivo e um ladrão são certamente coisas diferentes. E igualmente diferentes são a vinda do Senhor para Seu povo que O aguarda e a vinda do Seu dia sobre um mundo embriagado e adormecido.

     Vamos continuar com este assunto do modo como é apresentado em 2 Tessalonicenses. Trata-se de um facto cheio do mais rico conforto e consolação para o coração de um verdadeiro crente, que Deus, em Sua maravilhosa graça, sempre transforme o comedor em comida e do forte tire doçura. Ele produz luz das trevas, traz vida da morte e faz com que os refulgentes raios de Sua glória brilhem em meio a mais desastrosa ruína causada pela mão do inimigo. A verdade disto está ilustrada em todas as Escrituras e deveria encher o nosso coração de paz e a nossa boca de louvor.

     Por isso os vários erros doutrinários e práticas malignas nas quais foi permitido que os primeiros cristãos caíssem foram neutralizados por Deus e usadas na instrução, direção e real proveito da Igreja para o final da sua história terrena. Assim, por exemplo, o erro dos cristãos tessalonicenses, no que diz respeito aos seus irmãos que haviam partido, serviu de ocasião para derramar tamanho dilúvio de luz divina sobre a vinda do Senhor e sobre o arrebatamento dos santos, que é impossível que qualquer mente simples que se submeta às Escrituras venha a cair em semelhante erro. Eles aguardavam pela vinda do Senhor no Arrebatamento, e nisto estavam certos. Eles O esperavam para estabelecer Seu reino na terra, e nisto, de um modo geral, também estavam certos. Mas eles cometeram um grande erro ao deixarem de fora o lado celestial desta gloriosa esperança. O seu entendimento era insuficiente — a sua fé falha. Eles não viram as duas partes, a dupla aplicação do advento de Cristo: descendo nos ares para receber o Seu povo para Si, e aparecendo em glória para estabelecer o Seu reino em manifestação de poder. Por isso temiam que os seus irmãos que partiram estivessem necessariamente fora da esfera de bênção, do círculo de glória. Tal erro é divinamente corrigido, conforme vimos em 1 Tessalonicenses 4.

     O lado celestial da esperança — a porção que cabe ao cristão — é colocado diante do coração como verdadeiro corretivo para o erro relacionado aos santos que dormiam. Cristo irá reunir todo o Seu povo (e não apenas parte dele) para Si. E se existir qualquer vantagem — qualquer sombra de privilégio nesta questão — ela fica com aquelas mesmas pessoas pelas quais eles lamentavam. Pois "os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro".

- Charles H. Mackintosh
(via e sabia mais das Escrituras, há quase 200 anos,
do que muitos que hoje se insinuam seus continuadores.)

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