Profecia - a história que Deus escreveu do futuro
Quão glorioso pensarmos nos milhões de ressuscitados! Quão maravilhoso estar entre eles! Quão preciosa esperança será ver aquela bendita Pessoa que nos amou e Se entregou por nós! Tal é a esperança do cristão, uma esperança acerca da qual não há uma única menção de uma capa a outra do Antigo Testamento. "A palavra profética" é de suprema importância. Fazemos bem em atentar para ela. Tratase de uma inexprimível misericórdia para aqueles que estão em trevas poderem contar com uma luz que alumia em lugar escuro.
Quando o coração está assim cheio e guiado pela esperança que é própria do cristão, então os olhos podem perscrutar inteligentemente o mapa profético: podem se ocupar de todo o campo da profecia do modo como nosso Deus a abriu graciosamente diante de nós, e encontrar interesse e proveito em cada página e em cada linha. Mas, por outro lado, podemos estar certos de que o homem que busca pela Igreja ou sua esperança na profecia estará olhando na direção errada. Encontrará ali "o judeu" e "o gentio", mas não "a Igreja de Deus".
Confiamos sinceramente que nenhum de nossos leitores deixará de se apoderar deste fato — um fato que, podemos dizer com total segurança, é da maior importância.
Mas é provável que alguém pergunte: "Para quê serve, então, a profecia? Se for verdade que não podemos encontrar nada sobre a Igreja na página profética, que utilidade teria ela para os cristãos? Por que razão nos teria sido dito que atentássemos para ela, se ela não nos diz respeito?"
Redarguimos, perguntando: Será que não existe algo de valor para nós além daquilo que especificamente nos diz respeito? Será que não devemos nos interessar por algo a menos que sejamos nós o seu tema principal? Será que é de pouca importância para nós ter os conselhos, propósitos e planos de Deus revelados diante de nossos olhos? Acaso damos pouca importância ao imenso favor de ter os pensamentos de Deus comunicados a nós em Sua santa Palavra profética? Com certeza não foi assim que Abraão tratou as comunicações divinas que lhe foram feitas em Gênesis 18:
"Ocultarei Eu a Abraão o que faço?"
E o que era aquilo? Dizia respeito especificamente a Abraão? De modo algum. Dizia respeito a Sodoma e cidades vizinhas, onde Abraão nada possuía. Mas acaso isso o impedia de apreciar aquilo como um favor especial com o qual estava sendo honrado, como depositário de confiança dos pensamentos de Deus?
Certamente que não. Podemos seguramente afirmar que o fiel patriarca tinha em alta estima o privilégio que lhe fora conferido. E assim deveria ser conosco. Deveríamos estudar a profecia com o maior interesse possível, pelo fato de nos ter sido revelado nela, com divina precisão, o que Deus está para fazer neste mundo com Israel e com as nações. A profecia é a história que Deus escreveu do futuro, e é na proporção que O amamos que iremos nos deliciar em estudar Sua história.Certamente não da forma como alguns sugerem, de que podemos conhecer sua veracidade por meio de seu cumprimento, mas para podermos nos apropriar de toda aquela absoluta e divina certeza quanto ao futuro que a Palavra de Deus pode comunicar. Nada pode ser mais absurdo, no juízo da fé, do que supor que devemos aguardar o cumprimento de uma profecia para saber se ela é verdadeira. Que insulto é isto — inconscientemente, sem dúvida — à inigualável revelação de nosso Deus.
- Charles H. Mackintosh
(via e sabia mais das Escrituras, há quase 200 anos,
do que muitos que hoje se insinuam seus continuadores.)



