O enquadramento da Igreja, o Corpo de Cristo
O escopo e tema da profecia é Israel e as nações. Até uma criança é capaz de entender isto. Se percorrermos os profetas, do início de Isaías ao final de Malaquias, não encontraremos qualquer menção da Igreja de Deus, sua posição, sua porção ou suas perspetivas. Não há dúvida de que a palavra profética é profundamente interessante, e é extremamente útil para o cristão estudá-la, mas ela será útil na medida em que este entender sua própria abrangência e objetivo, além de enxergar a diferença entre ela e a esperança que cabe ao cristão.
Podemos afirmar sem medo de errar que é totalmente impossível alguém estudar as profecias do Antigo Testamento corretamente sem enxergar claramente o verdadeiro lugar da Igreja..
Não podemos tentar entrar no assunto da Igreja neste breve tratado. Trata-se de um assunto que já foi repetidamente abordado e escrutinado em outras publicações, e podemos agora apenas pedir que o leitor pondere e examine a afirmação que deliberadamente fazemos aqui, a saber, que não existe uma única sílaba sobre a Igreja de Deus — o corpo de Cristo — de uma capa a outra do Antigo Testamento. Existem tipos, sombras e ilustrações que, com a plena luz que agora temos do Novo Testamento, podemos ver, entender e apreciar. Mas não teria sido possível a qualquer crente do Antigo Testamento enxergar o grande mistério de Cristo e da Igreja, principalmente por isto não ter sido então revelado. O apóstolo inspirado diz-nos expressamente que é algo que estava "oculto", não nas Escrituras do Antigo Testamento, mas "em Deus", conforme lemos em Efésios 3:9, "E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo". Do mesmo modo, em Colossenses lemos do "mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos" (Cl 1:26).
Estas duas passagens deixam fora de qualquer questão a veracidade de nossa afirmação para aqueles que tiverem o desejo de serem governados tão somente pela autoridade das Sagradas Escrituras. Elas nos ensinam que o grande mistério — Cristo e a Igreja — não é para ser encontrado no Antigo Testamento. Onde é que temos, no Antigo Testamento, qualquer menção de Judeus e Gentios formando um só corpo e sendo unidos pelo Espírito Santo a uma Cabeça viva no Céu? Como tal coisa poderia ser possível enquanto a "parede de separação que estava no meio" permanecesse como uma barreira intransponível entre circuncisos e incircuncisos? Se alguém precisasse citar uma característica especial da antiga dispensação, mencionaria logo "a rígida separação entre judeus e gentios". Por outro lado, se lhe fosse solicitado que mencionasse uma característica especial da Igreja, ou do cristianismo, ele imediatamente responderia: "A união íntima de judeus e gentios em um só corpo". Em suma, as duas condições estão em claro contraste e era totalmente impossível que ambas pudessem ser válidas ao mesmo tempo. Assim, enquanto a parede de separação permanecesse, a verdade da Igreja não poderia ter sido revelada. Mas após a morte de Cristo ter derrubado essa parede, o Espírito Santo desceu do Céu para formar um corpo e uni-lo, por Sua presença e habitação, à Cabeça ressuscitada e glorificada nos Céus. Tal é o grande mistério de Cristo e da Igreja, para a qual não poderia existir uma base que fosse menos do que uma redenção consumada.
Pedimos agora ao leitor que examine este assunto por si mesmo. Busque nas Escrituras para ver se estas coisas são realmente assim. Esta é a única maneira de se chegar à verdade. Devemos deixar de lado todos nossos pensamentos e argumentos, nossos preconceitos e preferências, e abordarmos as Sagradas Escrituras como uma criancinha. É assim que aprenderemos a vontade de Deus sobre este assunto tão precioso e interessante. Descobriremos que a Igreja de Deus, o corpo de Cristo, não existiu de facto até aos dias do apóstolo Paulo. (Veja Rm 16:25, 26; Ef 1-3; Cl 1:25-29)..
- Charles H. Mackintosh
(via e sabia mais das Escrituras, há quase 200 anos,
do que muitos que hoje se insinuam seus continuadores.)



