O anúncio angélico

 

August Van Ryn

 

     “Disse-lhe então o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus; e eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de JESUS” (Lucas 1:30,31).

     Finalmente chegou o tempo da promessa e do propósito eternos serem cumpridos – o Salvador estava prestes a nascer. O Seu nome é Jesus. Josué, do Velho testamento, chamava-se Oseias (Num. 13:16), e significa salvação. Mas quando ele se tornou no braço direito de Moisés, o nome Jeová foi acrescentado e ele tornou-se salvação de Jeová. Foi esse o nome conferido ao Salvador dos homens – Jesus, pois Ele salvaria o Seu povo dos seus pecados.

     Maria interroga-se sobre como aconteceria aquilo, visto que ela não tinha conhecido nenhum homem. Milhões desde então têm-se interrogado, e argumentado, e até negado o nascimento virginal de Cristo, mas para o crente não há aqui nenhuma dificuldade. Com Deus tudo é possível. Isso e mais, o nascimento virginal de Cristo é uma necessidade absoluta, pois um evento tão tremendamente importante como a vinda de Deus a este mundo exigia uma tal coisa única como um nascimento especial. Cristo tornou-se como nós, apesar de em duas experiências comuns aos homens, nomeadamente o nascimento e a morte, Ele tenha sido totalmente diferente. Ele nasceu de modo diferente de todos os outros, e morreu como ninguém alguma vez morreu antes ou desde então. Grande é o mistério da piedade – Deus manifestado em carne.

     As Escrituras tinham profetizado a Sua incarnação muito tempo antes. Muito distante no passado – na primeira declaração de guerra da história – a promessa do nascimento miraculoso de Cristo foi dada como a única esperança para um mundo arruinado (Génesis 3:15). A semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente, e esta feriria o Seu calcanhar. Seria a semente de uma mulher – não de um homem, como no nascimento natural; por outras palavras, estava aqui a promessa do nascimento virginal do nosso Salvador.

     E assim Isaías, em conformidade com esta antiga promessa, diz-nos que o Senhor daria um sinal: “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome EMANUEL”. Os descrentes argumentarão dizendo que esta palavra “virgem” significa simplesmente uma mulher solteira; não necessariamente uma virgem. Mesmo que fosse assim, Isaías diz-nos que a virgem ter um filho seria um “sinal”, um milagre; certamente que o nascimento de uma criança numa mulher não é nenhum sinal, mas numa virgem era na verdade a manifestação do poder e graça de Deus.

     Os céticos argumentarão de novo dizendo que se Cristo nascesse em absoluto de uma mulher Ele teria impregnado a natureza dela, e portanto não poderia ter sido imaculado, sem pecado. Será que os tais nunca leram as Escrituras? Quando tu e eu tocamos num leproso, somos propensos a ficar contaminados, mas quando Cristo tocava nos leprosos, estes ficavam limpos. A verdade é que a santidade absoluta é intocável pelo pecado.

     O nosso Senhor nasceu de uma virgem. Em graça maravilhosa, infinita, Ele tomou sobre si a humanidade e retém-na pelos séculos eternos. Ele, o Filho de Deus, tornou-se filho do homem para que os filhos dos homens pudessem, pela graça de Deus, tornar-se filhos de Deus.

     Jesus não é o filho de um homem, mas de uma mulher. Ele não é um filho de homem, mas o Filho do Homem. Ele é o Homem ideal – exatamente o que o homem deve ser e o que, pela incomparável graça de Deus, toda a alma que confia em Cristo como Salvador um dia será, pois seremos, como Ele.

     O anjo explicou a Maria de que modo ela se tornaria mãe do nosso Senhor. E Maria replicou: “cumpra-se em mim segundo a tua palavra.” Que tremenda honra lhe foi concedida a ela; e ainda assim que tremendo peso ela teve de transportar! Não é sempre assim neste mundo? A honra e a ignomínia não andam de mãos dadas? Uma espada trespassaria a sua alma durante muitos anos, como Simeão lhe disse (Lucas 2:35). Maria sofreria, enquanto vivesse, a ignomínia por causa do Seu nascimento, como milhões têm sofrido a ignomínia por causa da Sua morte – ver Hebreus 13:13. Maria sabia o que muitos outros não sabiam, que Jesus era o Filho de Deus (Lucas 1:35). Porém todos à sua volta, incluindo José seu marido, aparentemente no princípio, pensavam que ela era uma mulher lasciva  (Mateus 1:18-21). Parece haver poucas dúvidas de que os Judeus significaram exatamente isso quando disseram ao nosso Senhor em João 8:41: “Nós não somos nascidos de prostituição.” Eles estavam a insinuar que Ele tinha nascido assim. Maria conheceu muita ignomínia, e sofreu por ter sido a mãe do Senhor; ela também conheceu a honra e a recompensa que a acompanharam. Assim é a experiência ambivalente de todo o crente que conhece e ama o Senhor Jesus Cristo.

August Van Ryn
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