Porque eu acredito na punição interminável

A punição dos ímpios é eterna

 

     Nenhuma doutrina é mais repugnante ao coração não santificado do que a doutrina do sofrimento interminável dos perdidos. Em anos idos, essa era a crença geral da Cristandade, mas especialmente na última metade do século passado, uma grande e forte rebelião irrompeu contra essa doutrina. A razão humana não é juiz competente nesta matéria, porque a razão do homem está obscurecida, decaída, em inimizade com Deus, e um malfeitor nunca é Juiz qualificado para o que a justiça estrita exige no seu próprio caso. O próprio Deus, o Juiz imparcial do Universo, é o único Juiz competente nesta matéria e deu o Seu veredicto final na Sua Palavra.

1. O terno e compassivo Salvador, que chorou pelos nossos pecados e morreu pelas nossas transgressões, ensinou mais sobre o sofrimento eterno do que qualquer outro escritor da Bíblia. Veja-se em Mateus 5:22, 29 e 30; Mateus 10:28; Mateus 18: 9; Mateus 23:15, 33; Marcos 9:43, 45; Lucas 12: 5; João 3:16, 36.

2. Conhecendo-se a santidade absoluta de Deus, por causa da qual Ele sempre deve reagir contra o pecado, é mais que certo que Ele reagirá sempre contra pecadores, ou seja, o diabo e seus anjos para quem Ele criou o lugar de punição, e contra aqueles que voluntariamente lançaram a sua sorte juntamente com Satanás e os seus anjos. Eles sempre pecarão e, consequentemente, tem que haver punição para sempre. O diabo está a pecar há cerca de seis mil anos e não melhorou com a longanimidade de Deus. O sofrimento não santificado não tem a tendência de suavizar e subjugar os obstinados Satanás e pecadores. Temos exemplos de homens iníquos na Bíblia que mostram que o castigo de Deus teve a tendência de exasperar e provocar o impenitente a uma iniquidade ainda maior. Tal foi o efeito pelo menos sobre Faraó, Saul e Acaz, dos quais lemos: “E, ao tempo em que este o apertou, então, ainda mais transgrediu contra o Senhor, tal era o rei Acaz” (II Crónicas 28:22). Salomão disse: “Ainda que pisasses o tolo com uma mão de gral entre grãos de cevada pilada, não se iria dele a sua estultícia”, (Provérbios 27:22). Os condenados são tolos incuráveis, e a sua tolice não se afastará deles pela ira de Deus como não aconteceu pelo Seu amor no Calvário.

3. Toda a linguagem humana, dentro e fora da Bíblia, baseia-se em metáforas, e as imagens materiais são usadas para representar ideias espirituais. Isso é verdade até mesmo na sublime epístola aos Efésios. Em relação a toda a linguagem humana, a declaração do Apóstolo aplica-se plenamente: “Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal; depois, o espiritual” (1 Coríntios. 15:46). Palavras como compreender, apreender, abranger, imaginar, aspirar, inspirar, recordar, inferir, deduzir, encantar, capitular, reclamar e uma infinidade de palavras, embora originalmente extraídas das ações do corpo humano, agora são usadas para expressar ações da mente , mas as ações mentais são tão reais quanto as físicas, e assim também a Gehenna, traduzida por “inferno”, é tão real quanto o vale físico de Hinom. Este vale escuro serviu apenas de ilustração para algo muito pior.

4. O argumento contra o castigo ou punição interminável derivou da identificação da vida e da morte como sendo existência e inexistência. Nem por um momento a morte pode ser identificada com inexistência. Uma árvore morta não é uma árvore inexistente, mas uma árvore que existe tanto quanto uma árvore viva e frutífera. Só que existe de uma maneira diferente. Não cumpre o propósito para o qual foi plantada: frutificar. Uma igreja morta não é uma igreja inexistente, mas uma igreja que segue alinhada com o pecado e Satanás, distante de Deus. Uma piada que caiu morta simplesmente não atraiu o riso. Um capital morto não enriquece o dono, mas existe. Só que existe da forma errada, no lugar errado, com a parte errada, sem sentido prático e sem progresso. O corpo de Abraão e o ventre de Sara estavam mortos, Romanos 4:19, e isso simplesmente significa que eles perderam a função geradora; da mesma forma que a Bíblia fala de mortos enterrarem mortos, Mateus 8:22; de obras mortas e de fé morta, Hebreus 6:1; Hebreus 9:14; Tiago 2:17, 20, 26. Sardo estava morta, Apocalipse 3:11. O pecador está morto em delitos e pecados, Efésios 2: 1 a 6; Colossenses 2:13. Noutro sentido, os santos estão mortos para o pecado e para o mundo, Gálatas 2:19, 20; Colossenses 3:3; Romanos 6:1 a 11. “Se alguém guardar a Minha palavra, nunca verá a morte”, João 8:51; João 11:26; João 6:47 a 54. “A que vive em deleites, vivendo está morta”, 1 Timóteo 5:6. Depois de Lázaro e Divas (o rico) terem morrido, eles existiram de maneiras diferentes tendo um abismo fixo a separá-los. E depois a segunda morte é tão real quanto a primeira, mas nenhuma ressurreição se lhe seguirá. O salário do pecado é a morte em toda a sua tremenda extensão e implicação, a morte na sua forma tríplice - espiritual, natural e morte eterna -, e neste texto, Romanos 6:23, está em contraste imediato com a vida eterna. Nem as palavras destruição, perecer, perdição, queimar, condenação e outras, usadas para expressar a condenação dos perdidos, significam a cessação de existência, mas sempre, sem exceção, um estado contínuo e perpetuado de sofrimento e miséria.

5. Ultimamente, muito tem sido feito da palavra aionian. Podemos admitir sem reservas que este termo em si não expressa o pensamento de infinitude. Na verdade, não só pode ser aplicado a algo que existe, por um eon, um longo período com um começo e fim definidos, como também tem sido usado nas Escrituras naquele sentido várias vezes. De facto, vez após vez a Palavra usa a palavra aionian para algo que é infinito. Fala de redenção aionian, Hebreus 9:12; herança aionian, Hebreus 9:15; um consolo aionian, II Tessalonicenses 2:16; um peso de glória aionian, II Coríntios 4:17; tabernáculos aionian, Lucas 16: 9; um reino aionian, II Pedro 1:11; o Espírito aionian, Hebreus 9:14; o Rei aionian, I Timóteo 1:17; vida aionian, João 3:15, 16 o Deus aionian, Génesis 21:33, e assim também punição, destruição e labaredas aionian, Isaías 33:14. E muitas vezes estas verdades são colocadas em contraste de modo que seja evidente que se uma dura para sempre, a outra para sempre tem que durar. “As coisas que são visíveis são proskaira, temporais, mas as coisas que não se veem são aionian, eternas". Se esta última palavra também fosse temporal, Paulo estaria a dizer aqui algo sem nexo. Depois, embora esteja claro a partir dos exemplos acima que a palavra aionian significa muitas vezes infinito, eterno, o Espírito Santo dobrou esta palavra com respeito ao sofrimento dos perdidos para enfatizar a sua infinitude. O termo vida aionian é usado em dois sentidos: como uma possessão presente e como uma possessão futura. João geralmente usa no primeiro sentido e Paulo usa no futuro, como regra. Em Romanos 6:23, ele usa como uma dádiva e possessão presente e em I Timóteo 6:12,19 ele usa-o no sentido de uma futura realização e recompensa que agora temos que obter por meio de boas obras. Veja também Tito 1:2 e 3:7. A palavra aionian tem um amplo espectro. A frase “séculos dos séculos”, usada mais de vinte vezes, denota invariavelmente uma duração infinita. No Apocalipse é usada quatorze vezes e em todos os casos o sentido limitado e restrito é excluído.

6. A Bíblia ensina explicitamente que as misérias dos ímpios não terão fim. O fogo nunca se apagará, o seu bicho não morrerá, Marcos 9:44 a 46. O fogo é inextinguível Mateus 3:12. O fumo dos seus tormentos sobe para todo o sempre, Apocalipse 14:11. Satanás é lançado no lago de fogo após os mil anos e é atormentado para sempre e sempre (pelos séculos dos séculos), Apocalipse 20:10. E em Mateus 25:41 sabemos que os ímpios serão enviados para este fogo eterno preparado para o diabo e os seus anjos. Dos adoradores da besta é dito em Apocalipse 14:10 e 11 que eles serão atormentados com fogo e enxofre, na presença dos santos anjos e na presença do Cordeiro, e o fumo do seu tormento ascenderá para todo o sempre. Judas 13 diz que os apóstatas são estrelas errantes “para as quais está eternamente reservada a negrura das trevas”. Pedro também disse: “para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva” 2 Pedro 2:17. Daniel coloca o desprezo eterno em oposição à vida eterna,  como se vê em Daniel 12:2. “E estes irão para o tormento aionian, mas os justos para a vida aionian". Mateus 25:46.

7. Os Aniquilacionistas e Restauracionistas, e qualquer que seja o nome dos Universalistas hoje, julgam mal todos os grandes conceitos da Palavra de Deus. Eles julgam mal o caráter da santidade de Deus e da justiça implacável e também o caráter da Sua punição. Eles consideram a punição simplesmente disciplinar, mas mesmo na justiça humana como a pena capital, um assassino não é eletrocutado para seu próprio bem, mas para satisfazer a majestade da lei transgredida e para lançar um aviso aos corações dos homens para o bem da sociedade. Sodoma e Gomorra foram apresentadas como um exemplo de advertência, sofrendo a implacabilidade do fogo eterno. Há uma implacabilidade sagrada na punição dos ímpios. O Senhor é lento em Se irar, ansioso em perdoar, longânimo, maravilhosamente bondoso, mas Naum diz duas vezes: “O Senhor é um Deus zeloso e que toma vingança, o Senhor toma vingança, e está cheio de furor ... quem subsistirá  diante do ardor da Sua ira?” Naum 1:2, 3, 5, 6. A palavra ira aparece, só no Novo Testamento, cinquenta e cinco vezes em três palavras gregas. Os restauracionistas também não apreciam o que significa ser justificado e salvo pela graça. Eles nunca entenderam o que a graça de Deus inclui. Que graça poderia ser concedida a pessoas que têm sobrevivido a tudo o que elas merecem nesta vida e na aion vindoura. Quem suportou a sua punição pode levantar a cabeça e rejeitar o perdão, a graça e o perdão. Como é que tais pessoas precisariam da interposição de Cristo? O que Cristo poderia fazer por elas? Elas têm sofrido tudo o que merecem e não têm qualquer temor. Elas não podem ter um Mediador, elas não precisam de uma expiação ou de um Redentor, elas não precisam nem mesmo de um Libertador e Ajudador, elas podem prescindir totalmente de um Salvador, pois elas próprias propiciam totalmente e satisfazem a justiça de Deus. Elas nunca podem se gloriar na cruz de Cristo, nunca aclamar as canções da redenção sobre o poder purificador do sangue, pois elas próprias sofreram toda a penalidade de uma lei transgredida, elas pagaram a dívida, pagaram tudo, e toda a glória é para si próprias. Portanto, o Restauracionismo é abominável e está totalmente em desacordo com o Evangelho da graça e da glória. Tem sido afirmado que os Restauracionistas se gloriam na graça de Deus. Na própria natureza das coisas tal não pode ser. A sua visão de santidade, justiça, pecado e graça está tristemente distorcida.

- Harry Bultema

Sermões e Estudos

Dário Botas
Não teimes, mas persevera

Tema abordado por Dário Botas em 20 de setembro de 2020

Carlos Oliveira
Os 10 Mandamentos salvam?

Tema abordado por Carlos Oliveira em 18 de setembro de 2020

José Carvalho
Abraão, construtor de altares

Tema abordado por José Carvalho em 13 de setembro de 2020

Estudo Bíblico
Estudo Bíblico

Sobre a Epístola aos Colossenses 3:13 em 23 de setembro de 2020

 
ver mais
 
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • 966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • QUINTA DO CONDE
    Clique aqui para ver horário