“Corrente de oração” - Esclarecimento

Carlos M. Oliveira

 

     A expressão “corrente de oração” trata-se de uma expressão imprópria para o verdadeiro filho de Deus. Se mais nenhuma razão houvesse, bastaria o facto de se tratar de uma expressão estranha às Escrituras, uma espécie de “fogo estranho” que traz a reprovação e condenação do Senhor. Em Nadabe e Abiú vemos que para se fazer a obra de Deus não serve qualquer coisa; o fim não justifica os meios. Como, depois de tudo o que aconteceu então, pode haver hoje na igreja professa quem ouse sequer pensar que se pode servir a Deus de qualquer modo? Daqueles israelitas lemos que “trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor, O QUE NÃO LHES ORDENARA” (Levítico 10:1). Quanto a estes, hoje, usam uma linguagem completamente estranha à Palavra de Deus.

     Mas, afinal, o que dizem as Escrituras? A Palavra de Deus não diz que “Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus ...” (1 Pedro 4:11)?

     Porém, há mais razões para tal expressão ser rejeitada pelo verdadeiro filho de Deus. A própria ideia de corrente, sequência de elos, revela bem a origem pagã de tal ideia. O Senhor Jesus Cristo foi muito claro no Seu ensino aos Seus discípulos sobre como se deve e não deve orar. Note-se:

     “E, orando, não useis de vãs repetições, como os Gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos” (Mateus 6:7).

     As “correntes de oração” podem ter ar de piedade, mas são pura superstição.

     Superstição vem do latim superstitio, que quer dizer “remanescente, algo que sobrou”. O mundo antigo foi evangelizado pelo Cristianismo, mas, infelizmente, em muitos lugares, ficaram resquícios da antiga religião, do paganismo. A superstição é isto: restos de mentalidade pagã na vida de pessoas já convertidas. O que se encontra, pois, em boa parte dessas correntes é uma realidade chamada superstição.

     Podem ter ar de Cristianismo, mas são puro paganismo. Podem ter fama popular de fé Cristã, mas estão bem longe da fé genuína das Escrituras. Não procedem de Deus. Mais, e pior, procedem de Satanás, pois correntes, ou grilhões, é algo que, nas Escrituras, caracteriza os perdidos em trevas, nunca santos na luz (Cf. Marcos 5:4; Lucas 8:29).

     A oração poderosa é aquela que sai de um coração sincero, NÃO a que faz parte de uma corrente, ou que deva ser copiada e espalhada, como é feito por muitos dos seus promotores em muitos círculos!

     Isto não é moda recente, pois esta prática é antiga. Antes da era da Internet, as “correntes de oração” já se multiplicavam por meio da imprensa escrita. Não era incomum encontrar nos bancos dos templos antigos cópias de orações dirigidas aos santos mais “poderosos”, como santa Rita, são Judas Tadeu, santo Expedito etc., contendo, no final da fórmula da prece, bem no fundo, no rodapé da folha, a famosa frase “Se eu alcançar a graça, prometo fazer mil folhetos e difundir essa devoção”. Lemos que alguém bem-humorado chegou a jurar – por tudo quanto é santo – que o autor daquelas devoções certamente se tornou dono de alguma tipografia.

     As pessoas que embarcam neste engodo acabam por colocar a confiança na “corrente”, na materialidade da oração e não em Deus. Esta também é uma das razões porque estas “correntes de oração” devem ser rejeitadas e quebradas, pois apresentam uma falsa imagem de Deus, algo que Ele não é, um Deus que até chega a ser castigador e ameaçador, pois algumas dessas correntes ameaçam com maldições quem as quebre. Trata-se de uma prática tão supersticiosa, que muitos dos seus proponentes oferecem a seguinte advertência: “Não importa o que aconteça: NÃO QUEBRE A SUA CORRENTE! Leve-a a sério. É melhor não começar uma Corrente de Oração, que começá-la e não terminá-la”. Deus ensina que a verdadeira oração é libertação e não o contrário, e Deus não pune quem a Ele se dirige em oração.

     Nenhum crente instruído corretamente na verdade do Evangelho admite que a oração seja instrumentalizada e reduzida a esta espécie de “chantagem psicológica”. Também por isto, estas “correntes de oração” merecem clara censura, condenação e rejeição. Em primeiro lugar, porque “prometem desgraça” a quem não as fizer, ou a quem as interromper temporária ou definitivamente, ou a quem as não repassar. Além disso, procuram sustentar essas ameaças citando falsos exemplos ou testemunhos de pessoas que supostamente as romperam e sofreram punições. Quem promove tais correntes em nome de Deus é falso profeta: ninguém pode ameaçar outrem em nome de Deus.

     Vincular castigo ou recompensa a uma determinada corrente de oração é contrário aos ensinamentos das Escrituras. Nem prémio nem condenação decorrem de se participar ou deixar de participar numa “corrente de oração”. Trata-se de mera superstição atribuir à mera materialidade dessas supostas orações uma eficácia que elas não têm.

     As ameaças e as fórmulas mágicas para conseguir resultados são totalmente contrárias à Palavra de Deus.

     O pior no meio de tudo isto são os chamados pastores – que deveriam apascentar o rebanho – se calarem, se demitirem da sua responsabilidade, muitos dos quais até fazendo parte deste circo. Alguns, nem se apercebem dos danos causados à fé; outros não querem comprar uma guerra; outros ainda defendem tais absurdos por puro oportunismo visando a sua popularidade; etc., etc., etc..

     Mas a antiguidade desta prática remonta ao montanismo, que foi considerado pelo primeiro Concílio de Constantinopla (ano 381) como algo que não procedia de Deus, mas como uma seita pagã no século IV. Esta prática remonta para bem longe no tempo, emergindo de rituais orientais que nada têm a ver com a Palavra de Deus. Atualmente trata-se de um sincretismo religioso que mistura elementos pagãos, ou de seitas pagãs, com verdades Cristãs.

     No candomblé, na umbanda e no espiritismo vemos algo parecido. Nestas religiões também se fazem campanhas, correntes ou algum tipo de trabalho por alguma necessidade da pessoa, utilizando elementos parecidos como os utilizados nestas igrejas, além da pessoa também ofertar (ou, pagar) pelo “trabalho” (ou, “bênção”), como não podia deixar de ser nessas estratégias lucrativas. Convém aqui sublinhar que, muitos elementos utilizados no candomblé, na umbanda e no espiritismo também foram importados para estas igrejas maiormente neopentecostais, pelos seus pastores e líderes e inseridos nos seus cultos. Tanto no candomblé, como na umbanda e no espiritismo podemos ver o trevo de quatro folhas, pé de coelho ou algum tipo de objeto místico derivado destas religiões que, nas igrejas neopentecostais e pentecostais são substituídos pelo cajado de Moisés, pela arca da aliança, entre muitos outros.

     A Palavra de Deus bem manejada conduz a uma espiritualidade sã, bíblica, genuína, não fantasiosa, consistente, que rejeita e despreza todas as crendices.

     Ah, que os verdadeiros pastores e ensinadores não se cansem de tentar esclarecer os crentes, e não deixem de combater publicamente este fogo estranho revestido de piedade. Ah, que todos desmascarem esta falsa piedade, através do conhecimento correto das Escrituras!

     Não há nos quatro Evangelhos qualquer ensino do Senhor Jesus Cristo sobre a prática de se fazer campanhas ou correntes, nem tão-pouco, no livro dos Atos e nas cartas de Paulo, ou mesmo nas demais epístolas. Nenhum dos apóstolos fez campanhas do tipo como vemos hoje nas atuais igrejas que biblicamente estão descaracterizadas. Muitas destas campanhas ou correntes que vemos hoje têm a sua origem, e foram extraídas pelos falsos líderes e mestres evangélicos, do catolicismo, porém, os católicos chamam a estas campanhas ou correntes de “novenas”. Portanto, abraçando esta ideia de novenas, estas igrejas evangélicas apenas mudaram o nome de “novena” para  “corrente de oração”.  É lamentável. As “correntes de oração” tiveram claramente a sua origem nos movimentos pentecostal e neopentecostal, sendo popularizadas pela Igreja Universal do Reino de Deus.

     As “correntes de oração” centram-se na individualidade das pessoas em vez de se centrarem em Deus! Portanto, concluímos que as campanhas e correntes são um veneno de Satanás para corromper a fé de muitos Cristãos verdadeiros que se encontram enganados nestas instituições ditas evangélicas que não podemos considerar como verdadeira igreja de Cristo, devido a estarem claramente desviadas do verdadeiro, puro e simples Evangelho ensinando mais heresias do que a verdade!

- C.M.O.

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