AGORA QUE CREIO

ricky kurth1

 

INTRODUÇÃO

Alguém conduziu-te ao Senhor Jesus Cristo, e tu foste salvo dos teus pecados. Naturalmente estás muito entusiasmado e cheio de alegria, mas não sabes muito do que te aconteceu, nem o que se espera de ti agora que crês. O que a seguir expomos será útil como uma espécie de manual de ajuda para ti, como novo crente. Nele, responderemos às seguintes questões:

  • • No que cri eu?
  • • O que me aconteceu quando cri?
  • • Porque devo servir o Senhor, agora que creio?
  • • Como devo servir o Senhor, agora que creio?
  • • Como devo lidar com o pecado, agora que creio?
  • • Como devo lidar com a adversidade, agora que creio?
  • • O que é que o futuro me reserva, agora que creio?

 

No que cri eu?

Todo o verdadeiro crente foi salvo dos seus pecados por ter crido em algumas verdades simples da Bíblia:

  1. Eu sou pecador.

A Bíblia diz que “todos pecaram” (Romanos 3:23), e que “não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Eclesiastes 7:20). Basta cometer um único assassínio para uma pessoa tornar-se assassina, e basta cometer um só pecado para alguém tornar-se pecador.

  1. O pecado produz consequências eternas.

A Bíblia diz que “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23), e que “o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tiago 1:15). Nós sabemos que estes versículos implicam mais do que a mera morte física, pois Ezequiel 18:4 diz que “a ALMA que pecar, essa morrerá.” Apocalipse 21:8 também declara que todos os pecadores que morrem sem Cristo, “a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é A SEGUNDA MORTE”. Todos os pecadores merecem morrer uma morte espiritual eterna, do mesmo modo que a morte física, por causa dos seus pecados.

  1. Cristo morreu pelos meus pecados.

Apesar de sermos pecadores e merecermos morrer uma morte eterna por causa dos nossos pecados “Cristo morreu pelos nossos pecados” (I Coríntios 15:3). Nós sabemos que Ele morreu tanto física como espiritualmente porque Isaías predisse que Deus colocaria “A SUA ALMA ... por expiação do pecado” (Isaías 53:10). Ele “por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” (Romanos 4:25) quando Ele levou “Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (I Pedro 2:24).

  1. Eu fui salvo ao crer que Cristo morreu pelos meus pecados.

O Senhor Jesus morreu pelos “pecados ... de todo o mundo” (I João 2:2), mas isso não quer dizer que todo o mundo seja salvo. A salvação é oferecida “a todos” mas só vem “SOBRE todos os que CRÊEM” (Romanos 3:22). Assim, apesar de Cristo ser “o Salvador de todos os homens,” Ele é “principalmente” o Salvador “dos que crêem” (I Timóteo 4:10). O Evangelho é “o poder de Deus para salvação” somente “de todo aquele que crê”(Romanos 1:16). Nós somos “justificados pela fé” (Romanos 5:1) e tornamo-nos “filhos de Deus” “pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26). É claro que quando falamos de fé, não basta simplesmente “crer em Deus”, pois “também os demónios o crêem, e estremecem” (Tiago 2:19). Quando Paulo diz, “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo,” ele quer dizer que devemos ter “fé no Seu sangue” (Romanos 3:25). Efésios 2:8 diz, “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” 

  1. Não fui salvo pelas boas obras.

Actos 16:31 não diz, “Crê e tenta ser bom e serás salvo.” Diz simplesmente “crê...e serás salvo.” A salvação não é “pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou” (Tito 3:5). Deus diz que ”àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” (Romanos 4:5). Não há uma única coisa que possamos fazer que agrade a Deus. Ele “nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça” (II Timóteo 1:9). Portanto a salvação “não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:9).

  1. Não fui salvo por cumprir os Dez Mandamentos .

Os Dez Mandamentos eram apenas parte da Lei de Moisés, uma lei para cumprir que continha 613 mandamentos! Quando Deus deu estes mandamentos, Ele exigiu que os homens guardassem “TODOS os Seus estatutos” (Êxodo 15:26; Levítico 20:22) e “TODOS os Seus mandamentos” (Deuteronómio 13:18; 26:18), e pronunciou uma “maldição” sobre “todo aquele que não PERMANECER em TODAS as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gálatas 3:10). A Lei exigia 100% de obediência — 100% do tempo! É por isso que “qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. Porque aquele que disse: Não cometerás adultério, também disse: Não matarás. Se tu pois não cometeres adultério, mas matares, estás feito transgressor da lei” (Tiago 2:10,11).

Visto que todos nós transgredimos a pelo menos um dos mandamentos de Deus, sabemos “que o homem não é justificado pelas obras da lei” (Gálatas 2:16), “e é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus” (Gálatas 3:11). “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” (Romanos 3:28). Mas louvado seja o Senhor que, “o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne” (Romanos 8:3). E portanto lemos que “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3:13), e “de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por Ele é justificado todo aquele que crê” (Actos 13:39).

 

O que me aconteceu a mim quando cri? 

  1. Fui perdoado de todo o meu pecado, passado, presente e futuro.

Agora que crês, sabe que Deus perdoou-nos “todas as ofensas” (Colossenses 2:13). O Apóstolo Paulo declara que “Deus [nos] perdoou em Cristo” (Efésios 4:32), e por conseguinte, em Cristo “temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas [ou, perdão dos pecados]” (Efésios 1:7; Colossenses 1:14).

  1. Eu fui justificado aos olhos de Deus.

Nas Escrituras, a palavra “justificar” significa “tornar justo.” A Palavra de Deus diz que nós somos “justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24), e que “tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por Ele salvos da ira” (Romanos 5:9). Paulo assegura-nos que somos “justificados em nome do Senhor Jesus” (I Coríntios 6:11), e que “sendo justificados pela Sua graça, [somos] feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (Tito 3:7).

  1. Recebi vida eterna.

“O dom de Deus é a vida eterna” (Romanos 6:23), pois “por um só acto de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Romanos 5:18). Todos os que crêem em Cristo “[crêem] n’Ele para a vida eterna” (I Timóteo 1:16) e tornam-se “herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (Tito 3:7).

  1. O Espírito Santo de Deus passou a habitar em mim.

Falando aos crentes, Paulo diz que “Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho” (Gálatas 4:6) e portanto agora o Espírito “habita em nós” (II Timóteo 1:14; Romanos 8:9,11). A Sua presença dentro de nós é o sinal do que Deus fez em nós e revela que Ele está tão empenhado em remir os nossos corpos como as nossas almas. Paulo declara que o Espírito é “é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida” (Efésios 1:14). Esta bênção vem com a obrigação moral e espiritual de sermos anfitriões devotos do Convidado Real dentro de nós. O Apóstolo Paulo perguntou aos Coríntios, que não estavam a viver de uma forma piedosa: “não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (I Coríntios 6:19,20).

  1. Fui baptizado na verdadeira Igreja invisível, universal, “a igreja que é o Seu Corpo” (Efésios 1:22,23).

Paulo diz que nós fomos “baptizados em Cristo” (Romanos 6:3). Este baptismo não tem nada a ver com água. Nas Escrituras a palavra “baptismo” fala de identificação. Cristo identificou-se como Messias quando foi baptizado na água (João 1:31-33). Mas mais tarde chamou à Sua morte um baptismo (Lucas 12:50) porque na Cruz Ele foi “contado com os transgressores,” isto é, identificou-se com os pecadores quando levou os seus pecados (Isaías 53:12 cf. Marcos 15:27,28). Quando Deus olhou para Cristo no Calvário, Ele não viu o Seu Filho, mas viu-nos a nós nos nossos pecados, e derramou a Sua ira sobre eles. E agora o nosso baptismo em Cristo identifica-nos com Ele. Agora, quando Deus olha para nós, Ele não nos vê nos nossos pecados. Ele vê Cristo na Sua justiça. II Coríntios 5:21 coloca as coisas nestes termos: “Åquele que não conheceu pecado, O fez pecado por nós; para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus.Assim, o nosso baptismo em Cristo é um baptismo espiritual: “Pois todos nós fomos baptizados em um Espírito, formando um Corpo” (I Coríntios 12:13). Enquanto Deus requereu baptismo físico e circuncisão física ao Seu povo de Israel, aos membros do Corpo de Cristo Deus dá uma circuncisão espiritual (Colossenses 2:11) e baptismo espiritual (Colossenses 2:12). Este baptismo torna-nos “membros do Seu Corpo” (Efésios 5:30).

  1. Fui tornado eternamente seguro, em Cristo.

“Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo”

(II Timóteo 2:13), e como membros do Seu corpo nós somos membros d’Ele. Agora que somos parte do Seu Corpo, nada “nos poderá separar do amor de Deus” (Romanos 8:39), pois “Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6). Na Bíblia, os espirituais Efésios e pecaminosos Coríntios são ambos chamados “santos” (I Coríntios 1:2; Efésios 1:1) e é dito que ambos estão “selados com o Espírito Santo da promessa” (Efésios 1:13; II Coríntios 1:22). A nossa salvação assenta não no que nós fazemos, mas no que Cristo fez no Calvário.

  

Porque devo servir o Senhor, agora que creio?

  1. Se estou salvo e eternamente seguro, não posso viver como me agrada?

Sim, mas ao cresceres na compreensão do que Deus fez por ti em Cristo, a forma como vives mudará. Quando o Senhor Jesus curou um cego, Ele disse-lhe: “Vai” mas em vez disso lemos que Ele “seguiu a Jesus pelo caminho” (Marcos 10:52). Visto que ele tomou consciência do que o Senhor fizera por ele, o caminho do Senhor tornou-se no seu caminho. O mesmo é verdade connosco. É claro que a tomada de consciência de tudo o que o Senhor fez por nós é-nos revelada gradualmente ao estudarmos as Escrituras. E quanto mais crescemos neste conhecimento, mais quereremos abandonar os nossos velhos caminhos e seguirmos os Seus.

  1. Eu não quero abusar da graça de Deus.

Falando dos pecados da carne (Efésios 5:1-5), Paulo diz: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus companheiros” (v. 6,7). Um dia a ira de Deus cairá sobre os descrentes por causa do seu pecado. Só porque estás livre da condenação do inferno como filho de Deus salvo e seguro, não abuses da graça de Deus e continues a participar do pecado com os descrentes. Lisboa está cheia de embaixadores estrangeiros que usufruem de “imunidade diplomática” relativamente às nossas leis; eles não podem ser levados a juízo pelos nossos tribunais por as terem violado. Apesar disso, quando um diplomata que conduzia com excesso de velocidade provocou a morte de uma menina há alguns anos, houve justa indignação por parte da população. Como é que ele podia violar as nossas leis de modo flagrante só porque estava imune à justiça dos nossos tribunais? Como crentes, devemos sentir a mesma indignação ao pensarmos pecar contra o nosso Deus Salvador só porque não podemos jamais ser levados a juízo pela Sua justiça. Devemos recusar firmemente ceder aos pecados por que Cristo morreu, e pensarmos bem reflectidamente na resposta à questão levantada por Deus: “Porventura furtareis, e matareis, e adulterareis, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes, e então vireis, e vos poreis diante de Mim nesta casa, que se chama pelo Meu nome, e direis: Fomos libertados para fazermos todas estas abominações?” (Jeremias 7:9,10).

  1. Eu quero servir o Senhor, agradecido por Ele me ter salvo.

Nós não servimos o Senhor para tentarmos convencê-Lo a salvar-nos dos nossos pecados. Nós servimos o Senhor porque Ele nos salvou dos nossos pecados. Paulo diz que “o amor de Cristo nos constrange” a servi-Lo, agradecidos por Ele nos ter salvo por graça, por meio da fé (II Coríntios 5:14).Ele acrescenta que, “Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (v. 15). É tão-somente lógico, razoável, “racional” que vivamos para Aquele que morreu por nós. E apresentemos os nossos corpos num “sacrifício vivo” para o serviço d’Aquele que apresentou por nós, no Calvário, o Seu corpo num sacrifício mortal (Romanos 12:1,2).

 

Como devo servir o Senhor, agora que creio?

  1. Devo ser baptizado na água?

Apesar de muitos pastores dizerem que “sim,” o Apóstolo Paulo diz que “não.”

O baptismo na água, no passado, foi parte do programa de Deus para o Seu povo Israel, mas não faz parte do programa de Deus para o Seu povo hoje, o Corpo de Cristo. Sempre que as Escrituras nos falam no propósito do baptismo, dizem sempre que é “para a remissão dos pecados” (Marcos 1:4; Lucas 3:3; Actos 2:38). O próprio Senhor insistiu, ao dizer, “Quem crer e for baptizado será salvo” (Marcos 16:16). Contudo, depois de Israel ter rejeitado o seu Rei, o Senhor levantou o Apóstolo Paulo, e tornou-o no “Apóstolo dos Gentios” (Romanos 11:13). Este novo apóstolo declarou, “Cristo enviou-me, não para baptizar” (I Coríntios 1:17), e disse a seguir, “sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (I Coríntios 4:16; 11:1). O baptismo na água é uma obra; é algo que nós podemos fazer, e Paulo insiste que hoje a salvação “Não [é] pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração,” - não pela lavagem do baptismo na água (Tito 3:5). Paulo ensina que nós não necessitamos do baptismo na água, “pois todos nós fomos baptizados em um Espírito, formando um Corpo” (I Coríntios 12:13). Este baptismo espiritual ocorreu no momento que fomos salvos, e nós agora estamos “completos n’Ele” (Colossenses 2:10), completamente circuncidados com uma circuncisão espiritual (Colossenses 2:11), e completamente baptizados com um baptismo espiritual (Colossenses 2:12). Paulo afirma depois que apesar de na Bíblia haver muitas diferentes espécies de baptismo (Mateus 3:11; I Coríntios 10:1,2), no programa de Deus para hoje há apenas “um só baptismo” (Efésios 4:5), referindo-se certamente ao nosso baptismo espiritual em Cristo. As palavras “um só baptismo” não deixam nenhum lugar a um baptismo adicional com água. É ensinado muitas vezes que apesar do baptismo hoje não nos salvar, é um testemunho da salvação. Contudo as Escrituras não ensinam isto. O baptismo na água hoje é apenas um mau testemunho, pois testemunha que as pessoas que se baptizam não compreendem que estão completas em Cristo sem o baptismo na água.

  1. Devo começar a estudar a Bíblia.

A Bíblia é a Palavra de Deus: “Toda a Escritura é divinamente inspirada,” (II Timóteo 3:16,17). Como foi escrita? “Homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (II Pedro 1:21). “O Espírito do Senhor falou por mim,” disse David dos seus escritos, “e a Sua Palavra está na minha boca” (II Samuel 23:2). A Palavra de Deus tem o poder de purificar os nossos caminhos (Salmo 119:9) para não pecarmos contra Ele (Salmo 119:11). Fortalece-nos como Cristãos (Salmo 119:28) e dirige os nossos passos (Salmo 119:105). Fornece-nos exemplos (I Coríntios 10:11) e dá-nos esperança (Romanos 15:4). É “proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (II Timóteo 3:16,17). Deus tem magnificado a Sua Palavra acima do Seu próprio nome (Salmo 138:2), por conseguinte devemos dizer com Job: “as palavras da Sua boca guardei mais do que a minha porção [comida]” (Job 23:12). Nós devemos ler a Palavra de Deus (I Timóteo 4:13), meditar nela (I Timóteo 4:15) e estudá-la (II Timóteo 2:15). II Timóteo 2:15 também diz que quando estudamos a Palavra de Deus devemos “manejá-la [dividi-la] bem”. É aqui que jaz a chave da compreensão da Bíblia. Apesar de toda a Escritura ser “proveitosa” para nós estudarmos (II Timóteo 3:16), muito das Escrituras contém instruções específicas para o povo de Israel. A porção do Velho testamento das nossas Bíblias contém mandamentos para Israel no passado, enquanto que os livros do Novo Testamento que não são escritos pelo Apóstolo Paulo foram escritos tendo em vista Israel no futuro. A menos que separemos estas instruções das instruções dirigidas a nós Gentios pelo nosso apóstolo Paulo (Romanos 11:13; 15:16), a palavra de Deus pode tornar-se muito confusa e não proveitosa. Uma demonstração simples da necessidade de se manejar [dividir] bem a palavra de Deus pode ser vista nos diferentes mandamentos da Bíblia a respeito de algo tão básico como a nossa alimentação. Deus disse a Adão que ele só podia comer vegetais. (Génesis 1:29), mas depois acrescentou carne à alimentação do homem (Génesis 9:3). Depois, mais tarde, sob a Lei de Moisés, Deus disse a Israel “para fazer diferença entre ... animais que se podem comer e os animais que não se podem comer” (Levítico 11:47). Mas posteriormente, séculos mais tarde, quando Pedro recusou correctamente comer carne imunda, Deus alterou novamente a alimentação do homem (Actos 10:9-14), explicando-nos por meio de Paulo que “toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com acções de graças” (I Timóteo 4:4). Semelhantemente, a Lei proibia comer carne sacrificada aos ídolos (Êxodo 34:14-16), mas Paulo ensinou que para nós, hoje, isto não é um pecado (I Coríntios 8:1-13; 10:23-33). No entanto, no futuro, o povo de Israel será novamente proibido de comer tal comida (Apocalipse 2:20).

Uma vez que é impossível obedecer a todos estes diferentes mandamentos ao mesmo tempo, é imperativo determinar quais destes mandamentos Deus quer que nós hoje obedeçamos. E visto que há muitos outros casos em que as Escrituras apresentam instruções “contraditórias”, é vital que nos recordemos quais são os mandamentos de Cristo dados ao Apóstolo Paulo, e por seu intermédio, que nós devemos obedecer (I Coríntios 14:37; Filipenses 3:17; 4:9).

Nas Escrituras, enquanto os doze apóstolos estão associados às doze tribos de Israel (Mateus 19:28), este apóstolo singular, Paulo, está associado ao um só Corpo de Cristo (Romanos 12:4,5; I Coríntios 10:17; 12:12,13,20; Efésios 2:16; 4:4; Colossenses 3:15). Só nas epístolas de Paulo encontramos informação acerca da “igreja que é o Seu Corpo” (Efésios 1:22,23) e instruções designadas primariamente para nós. Isto não quer dizer que não necessitamos de estudar o resto da Bíblia, pois é o próprio Paulo que nos diz que “tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança” (Romanos 15:4). Ao vermos a fidelidade de Deus para com o Seu povo de Israel nas outras partes das Escrituras, isso assegura-nos de que Deus será igualmente fiel nas Suas promessas à Igreja de hoje, o Corpo de Cristo. 

  1. Devo começar a assistir à igreja.

“No primeiro dia da semana” (I Coríntios 16:2), os Cristãos devem, estar na igreja, “não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns” (Hebreus 10:25). Apesar de nós já sermos membros da única igreja verdadeira, o Corpo de Cristo, Paulo escreveu a maior parte das suas epístolas a igrejas locais (I Coríntios 1:2; II Coríntios 1:1; I Tessalonicenses 1:1; II Tessalonicenses 1:1) e fez palestras acerca da igreja local repetidas vezes (Romanos 16:1,23; I Coríntios 11:18; Filipenses 4:15). É na igreja local que as Escrituras são lidas (Colossenses 4:16) e ensinadas (I Coríntios 4:17), e homens espirituais são designados (Actos 14:23) para darem alimento da palavra de Deus ao Seu povo (Actos 20:28). É ali onde os líderes espirituais cuidam das necessidades espirituais do povo de Deus (I Timóteo 3:5), que por sua vez sustenta a obra de Deus na sua área fazendo ofertas financeiras (I Coríntios 16:1,2). É ali que o povo de Deus “anuncia a morte do Senhor até que Ele venha” realizando a ceia do Senhor (I Coríntios 11:23-26). Quando o Apóstolo Tomé faltou à reunião da igreja, ele perdeu o primeiro aparecimento do Senhor aos Seus apóstolos após a Sua morte e sepultura (João 20:24), e por causa disso duvidou que Ele tinha ressuscitado (v. 5). Sempre que possível o crente deve escolher uma igreja que pregue o evangelho da salvação, e ensine a Palavra de Deus bem manejada.

  1. Devo começar a orar.

Enquanto a Bíblia proíbe a repetição de orações memorizadas por um lado (Mateus 6:7), nós somos muitas vezes encorajados a simplesmente falarmos com Deus em oração como o nosso Senhor fez em João 17:1-26. Deus encoraja-nos a “orar em todo o tempo” (Efésios 6:18) sobre “tudo” (Filipenses 4:6), a “perseverar na oração” (Romanos 12:12; Colossenses 4:2), e “orar sem cessar” (I Tessalonicenses 5:17), ou seja, a nunca deixarmos de orar. Nós devemos orar pelas pessoas perdidas “para sua salvação” (Romanos 10:1), e pelos Cristãos (Efésios 6:18) para que não pequem (II Coríntios 13:7). Nós também devemos orar pelos crentes para que eles sejam “cheios do conhecimento da sua vontade” (Colossenses 1:9) e para que se conservem “firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus.” (Colossenses 4:12). Nós devemos orar pelos líderes políticos (I Timóteo 2:1) e líderes espirituais (Romanos 15:30,31; II Coríntios 1:1; Filipenses 1:19; Filemon 22) e pelo seu ministério (Efésios 6;18,19; II Tessalonicenses 3:1). É importante orar “com entendimento” (I Coríntios 14:15) pois a oração hoje funciona de modo diferente do tempo de Israel. No passado, Elias podia orar pedindo que fogo descesse do céu (I Reis 18:36-38) e Deus concedia o seu pedido, mas hoje Ele não procede assim Em relação ao futuro reino do céu sobre a terra, o Senhor prometeu a Israel que “tudo o que pedirem na oração, crendo, o receberão” (Mateus 21:22). Isto acontecerá assim porque no reino, Israel estará cheio do Espírito e controlado por Ele (Ezequiel 36:27) e pode-lhe ser confiada promessa tão maravilhosa. Mas hoje nós “não sabemos o que havemos de pedir como convém” (Romanos 8:26). Sem o controlo do Espírito, que desastre aconteceria se as pessoas que não sabiam o que pedir como convém recebessem tudo o que pedissem em oração! Mas apesar de não sabermos o que pedir, “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:28). O saber isto dar-te-á “a paz de Deus que excede todo o entendimento” (Filipenses 4:6,7) recebas ou não o que pedes em oração.

  1. Devo começar a comunicar o Evangelho aos outros.

A palavra “Evangelho” significa simplesmente boas notícias, e Deus quer que toda a gente conheça “o evangelho da graça de Deus” (Actos 20:24). Como Cristãos, nós somos “embaixadores de Cristo” (II Coríntios 5:20) e como Seus representantes aqui na terra, é nosso privilégio apresentar-Lhe a Ele as pessoas. Comunicar aos outros boas notícias é uma coisa natural. Durante o cerco de Samaria, quatro leprosos Hebreus cheios de fome pensaram que o exército sitiante Sírio talvez tivesse pena deles e os alimentasse, e por isso aventuraram-se a ir até eles uma noite (II Reis 7:3-5). Eles descobriram que o Senhor tinha afugentado o exército tão desenfreadamente que eles deixaram a sua comida para trás (v. 5-7). Os leprosos comeram com muita alegria (v. 8), e depois disseram, “Não fazemos bem; este dia é dia de boas novas, e nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, algum mal nos sobrevirá; por isso agora vamos, e o anunciaremos à casa do rei.” (v. 9). Do mesmo modo, agora que “já provastes que o Senhor é benigno” (I Pedro 2:3), quererás comunicar “o evangelho da [tua] salvação” (Efésios 1:13) aos outros. Tu podes recear seres incapaz de responderes às questões que os outros te possam colocar, mas Deus compreende que nós só podemos “falar do que temos visto e ouvido” até agora na Sua Palavra (Actos 4:20). Quando o Senhor curou um cego (João 9:1-7), os líderes religiosos invejosos questionaram-no tentando desacreditá-lo (v. 13-24). Ele respondeu, “uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo” (v. 25). Como um crente recém-convertido, podes dizer o mesmo, espiritualmente falando. Por isso quanto mais estudares a Palavra de Deus, mais estarás “sempre preparado para [responder] com mansidão e temor a qualquer que [te] pedir a razão da esperança que há em [ti]” (I Pedro 3:15).

  1. Devo começar a contribuir financeiramente para a obra do Senhor.

A obra do ministério é levada a cabo por muitos homens que “abdicaram de trabalhar” no trabalho secular, mas que têm o direito de comer, beber e sustentar uma mulher e família como os outros (I Coríntios 9:4-10). Portanto se beneficias das “coisas espirituais” que eles te ensinam, Deus pede-te que lhes ministres nas coisas materiais (v. 11) de modo a que eles te possam continuar a ministrar a Palavra de Deus, e alcancem outros, com fundos suficientes para levarem a cabo a obra do ministério. Sob a Lei de Moisés, foi exigido a Israel que “dizimasse”, isto é, desse um décimo dos seus rendimentos ao Senhor para a manutenção dos seus sacerdotes (Levítico 27:30-32; Números 18:24). O dízimo era obrigatório, e eles “roubavam” a Deus quando o retinham (Malaquias 3:8,9). Visto que sob a Lei Deus abençoava Israel quando eles Lhe obedeciam e amaldiçoava-os quando não o faziam, Deus desafiou Israel a “Trazer todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa, e depois FAZEI PROVA de Mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se Eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes” (v. 10). Mas sob a graça, Deus já nos abriu as janelas do céu e nos abençoou “com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). Por isso Paulo desafiou os Coríntios a provarem “a sinceridade [do seu] amor” (II Coríntios 8:8) respondendo à Sua graça financeiramente. Vês a diferença? Deus disse a Israel para O provarem com a sua obediência para verem se Ele não os abençoaria como resposta. Mas hoje, Deus prova-nos a nós abençoando-nos adiantadamente, pedindo-nos depois para sermos dadores obedientes para a Sua obra. Portanto, ao contrário de Israel, nós não devemos dar “por necessidade” (II Coríntios 9:7), não devemos ser mandados dizimar, mas antes sermos instruídos a dar “conforme a sua prosperidade” (I Coríntios 16:2). Alguns não podem permitir-se dizimar, outros podem permitir-se dar mais do que dez por cento, mas todos devem dar com um coração agradecido por tudo o que Ele fez por nós em Cristo. Apesar de haver muitas causas Cristãs que merecem o nosso apoio, Deus “quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.” (I Timóteo 2:3,4), e Ele quer “demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério” (Efésios 3:9). Por conseguinte deve ser tomado cuidado em se apoiar financeiramente com prioridade as igrejas e organizações que pregam o Evangelho e ensinam a Palavra de Deus bem manejada (II Timóteo 2:15).

 

Como devo lidar com o pecado, agora que creio?

  1. Não com a Lei (os Dez Mandamentos).

É natural pensarmos que apesar de sermos salvos pela graça, por meio da fé, sem a Lei (Romanos 3:28) necessitamos depois dos Dez Mandamentos para nos ajudar a sermos bons. Todavia, esse não é o propósito da Lei. “A lei não é feita para o justo” (I Timóteo 1:9), mas para os descrentes (v. 9,10), para lhes transmitir “o conhecimento do pecado” (Romanos 3:20), para ensinar-lhes que são pecadores e que necessitam de um Salvador. A Lei cumpre isto ao tornar o pecado pior. Por causa da nossa natureza humana decaída, os homens querem naturalmente fazer o que lhes é dito para não fazerem. Placas de aviso que dizem, “Pintado de Fresco, Não Tocar”, geralmente só convidam à transgressão. É por isso que Paulo diz que “a força do pecado é a lei.” (I Coríntios 15:56). A Lei impulsiona o pecado (Romanos 7:5) e revive-o (Romanos 7:9). Deus não deu a Lei para tornar o pecado melhor, mas para torná-lo pior: “pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno” (Romanos 7:13). Porque é que Deus queria tornar o pecado pior? Para mostrar aos descrentes a sua necessidade de um Salvador: “a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo”(Gálatas 3:24). O Senhor avisou os líderes religiosos dos Seus dias que “os publicanos e as meretrizes entram adiante [deles] no reino de Deus” (Mateus 21:31) porque os publicanos e as meretrizes sabiam que necessitavam de um Salvador, ao contrário dos líderes religiosos que se consideravam suficientemente bons para serem salvos pelas suas próprias obras.

A Lei foi dada “para que ... todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Romanos 3:19). Ela condena todo o ser humano porque exige 100% de obediência em 100% do tempo (Tiago 2:9,10). Paulo diz, “Maldito todo aquele que não PERMANECER em TODAS as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” (Gálatas 3:10). Tu não podias obedecer completamente à Lei antes de teres sido salvo, e foi isso que te ensinou a necessidade que tinhas de um Salvador. Mas agora que tu crês, tu ainda és incapaz de obedecer perfeitamente à Lei. Por conseguinte se tentares eliminar o pecado da tua vida usando a Lei, ficarás frustrado, serás derrotado e experimentarás a espécie de auto-condenação que até o Apóstolo Paulo sentiu quando tentou usar a Lei para lidar com o pecado (Romanos 7:15-25). O pecado “enganou” Paulo quando ele pensou que a Lei era algo que ele podia usar para combater o pecado (Romanos 7:11). Isto trata-se de um erro natural que muitos Cristãos cometem. Visto que a Lei “é santa, e justa, e boa” (Romanos 7:12), parece uma boa ferramenta para ser usada no trato com o pecado. Contudo, a gasolina é um líquido, e parece algo que possas usar para extinguir um fogo. Mas como sabemos, a gasolina só torna o fogo pior, e como vimos, a Lei só torna o pecado pior. Como é que a Lei torna o pecado pior? Já alguma vez alguém te disse, “Não tentes pensar em elefantes cor-de-rosa”? No momento anterior, elefantes cor-de-rosa era algo muito distante da tua mente, mas agora uma lei colocou-os bem diante dela. Portanto se passares o dia a pensar, “Eu não vou pensar em elefantes cor de rosa, eu não vou pensar em elefantes cor de rosa”, esta lei mantém o pensamento proibido no palco central da tua mente, que te leva a pecar devido à nossa natureza pecaminosa decaída. O modo como lidas com o roubo, por exemplo, não é passares o dia a recitar a lei de Deus na tua mente, “Não furtarás.” Isso só manterá o furto bem diante da tua mente, e como Paulo diz, “a inclinação da carne é morte” (Romanos 8:6). Pensar no pecado apenas conduz ao pecado, e “se viverdes segundo a carne, morrereis” (Romanos 8:13). Apesar de não ser possível perderes a tua salvação, o pecado terá um efeito enfraquecedor na tua vida espiritual. Mas se a Lei não é a forma de lidarmos com o pecado nas nossas vidas, qual é o caminho?

  1. Trata o pecado com o Espírito.

O modo de tratares o pecado não é concentrando-te numa lei que o proíba, mas desviares a tua mente e pensares nas coisas espirituais do Espírito. A inclinação da carne é morte, como vimos, “mas a inclinação do Espírito é vida e paz,” como o versículo continua a dizer (Romanos 8:6). Pensares no pecado só enfraquecerá a tua vida espiritual, mas pensares nas coisas espirituais apenas a avivará. É por isso que Paulo diz, “se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Romanos 8:13). É o Espírito e a concentração nas coisas espirituais que nos ajuda a tratar o pecado, não a Lei. Isto explica porque é que depois de falarmos de coisas que são “verdadeiras...honestas...justas...puras...” e “de boa fama,” Paulo exorta-nos a “nisso [pensar]” (Filipenses 4:8). Ao trapezista costuma-se dizer, “Não olhes para baixo,” porque temos a tendência de seguirmos na direcção que olhamos. Diz-se que é proibido andar a pé nas auto-estradas porque os condutores podem olhar para os peões e tenderem a conduzir para onde estão a olhar. Semelhantemente, a forma de te afastares do pecado não é concentrares-te numa lei que o condena, mas concentrares-te antes nas coisas espirituais, para conduzires a tua vida na direcção delas. Isto é tão importante que Paulo chega mesmo ao ponto de nos desafiar constantemente para levarmos “cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (II Coríntios 10:5).

Com isto em mente, não surpreende que Gálatas 5:16 diga, “Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne.” Nota que Paulo não diz que se andarmos no Espírito nós não teremos concupiscências da carne, mas que não cumpriremos ou satisfaremos as concupiscências da carne na medida em que andarmos no Espírito.

  1. Força a saída do pecado na tua vida.

Ao aprenderes a andar no Espírito, uma coisa maravilhosa acontece: descobrirás que tens cada vez menos tempo para pecar. Quando Paulo diz, “não deis lugar ao diabo” (Efésios 4:27), ele quer dizer que não devemos dar a Satanás qualquer espaço nas nossas vidas. Em resumo, o modo de forçar a saída do pecado na tua vida é encheres a tua vida com as coisas do Senhor. Nem mesmo Satanás pode acrescentar uma única coisa a uma vida que já esteja cheia das coisas de Deus. Este princípio da graça operará onde a Lei falha. A Lei diz, “Não dirás falso testemunho” (Êxodo 20:16), mas não diz aos mentirosos como podem parar de mentir. No entanto Paulo diz, “Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo;” (Efésios 4:25). O modo de lidarmos com a mentira é concentrarmo-nos em dizer a verdade. Semelhantemente, a Lei diz, “Não furtarás” (Êxodo 20:15), mas não oferece nenhum conselho aos ladrões quanto a como deixarem de roubar. Mas a graça proporciona a vitória com o mandamento que diz, “Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade” (Efésios 4:28). O modo de deixar de roubar os outros é começar a trabalhar e dar aos outros.

  1. Anda digno do que Deus te fez em Cristo.

Paulo chama “santos” aos Cristãos (Efésios 1:1), depois roga-nos que “[andemos] como é digno” desta vocação elevada e santa (Efésios 4:1). Ele ensina-nos que “Cristo está em [nós]” (Romanos 8:10), depois ora “para que [possamos] andar dignamente diante do Senhor” que está em nós (Colossenses 1:10). Ele diz-nos que nós estamos “santificados em Cristo Jesus” (I Coríntios 1:2), mas mais tarde insiste “que cada um ... saiba possuir o seu vaso em santificação e honra” (I Tessalonicenses 4:4). Ele declara sem rodeios que nós somos “santos” aos olhos de Deus (I Tessalonicenses 5:27), depois desafia-nos a “[aperfeiçoarmos] a santificação” (II Coríntios 7:1). Ele “glorificou[-nos]” (Romanos 8:30) ao tornar-nos parte do “reino do Filho do Seu amor” (Colossenses 1:13), e agora pede-nos que “que [nos conduzamos] dignamente para com Deus, que [nos] chama para o Seu reino e glória” (I Tessalonicenses 2:12).

  1. Vive como Deus te vê.

Paulo ensina-nos que aos olhos de Deus nós “estamos mortos para o pecado” (Romanos 6:2). Ele depois desafia-nos a “[considerarmo-nos] como mortos para o pecado” (v. 11). Usando a imagem do fermento como símbolo do pecado e “maldade” (I Coríntios 5:8), Paulo instrui-nos a “[alimparmo-nos], pois, do fermento velho... assim como ESTAIS sem fermento” (v. 7). Em resumo, a graça ensina-nos simplesmente a reconhecermos o que somos em Cristo, e depois a sermos a pessoa santa que Deus nos fez ser.

  1. Ajusta o teu estado à tua posição.

Como crentes muitas vezes há uma diferença entre a nossa posição eterna em Cristo e o nosso estado actual, entre o nosso estatuto em Cristo e a nossa prática diária. O nosso estatuto posicional diante de Deus é o de perfeição impecável, mas ninguém pode rebater que o nosso estado diário é menos do que perfeito. A nossa posição diante de Deus é de “AGRADÁVEIS a si no Amado” (Efésios 1:6), e portanto devemos viver as nossas vidas de uma forma que “[aprovemos] o que é AGRADÁVEL ao Senhor” (Efésios 5:10). Quando cremos no Evangelho, “n’Ele [fomos] feitos justiça de Deus” (II Coríntios 5:21), e Deus agora chama-nos a viver “neste presente século sóbria, e justa, e piamente” (Tito 2:12). Os crentes que falham em fazer isto “opõem-se a si mesmos {outra versão}(II Timóteo 2:25), ou seja, vivem em oposição ao que são em Cristo.

Algumas vezes dizemos de um amigo, “Não é ele.” Com isto queremos dizer que ele não está a actuar de acordo com a sua personalidade. Semelhantemente, quando um crente peca ele não está a ser ele, não está a actuar de acordo com o que Deus o tornou em Cristo.

  1. O que deves fazer quando pecas.

É claro que é inevitável que como crente peques e “[entristeças]” o Espírito de Deus que sela a tua segurança (Efésios 4:30). Quando isto acontece, tu não necessitas de confiar em Cristo para seres salvo novamente, nem necessitas de pedir mais perdão a Deus. Nas suas cartas às igrejas, sempre que o apóstolo menciona perdão é sempre no pretérito, no tempo passado. Para o Cristão, o perdão é “uma questão encerrada,” um facto terminado. O perdão de todos os pecados, passados, presentes e futuros, foi algo que recebeste no momento que foste salvo. Pedir mais perdão seria como pedir mais salvação ou mais redenção. Deves sentir mágoa por teres entristecido o Espírito quando pecas, e podes mesmo desejar exprimir isso a Deus em oração, mas não necessitas de mais perdão. Quando descobres que pecaste, deves agradecer pela Sua graça e determinar-te a não continuares na senda da desobediência à Palavra de Deus.

 

Como devo lidar com a adversidade e aflição, agora que creio?

  1. Reconhece que fomos salvos do pecado, não do sofrimento.

Quando Adão pecou, a morte entrou no mundo (Romanos 5:12). Desde então, o sofrimento e doença que conduz à morte têm feito parte da raça humana. Paulo diz, “sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.” E também sabemos que os crentes não estão isentos do sofrimento porque Paulo acrescenta, “E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos” (Romanos 8:23). A adversidade também é parte da vida Cristã, doutro modo Paulo não nos teria exortado a termos “paciência e fé, em todas as vossas perseguições e aflições que suportais” (II Tessalonicenses 1:4).

  1. Não duvides do amor de Deus.

Quando estamos doentes, feridos ou a sofrer, quando sofremos um trauma emocional ou revés financeiro, há uma tendência de se questionar o amor de Deus. “Se Deus me ama, porque estou doente?”, ou, ”Se Deus me ama, porque é que isto aconteceu?” A resposta de Deus encontra-se em Romanos 5:8:“ Deus prova o seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Para determinarmos o amor de Deus por nós, não devemos olhar para as nossas circunstâncias na vida, mas devemos olhar antes para a Cruz. No Calvário Ele demonstrou o Seu amor por nós quando nos salvou dos nossos pecados e da condenação do inferno. Após o Calvário, o Seu amor por nós nunca pode ser posto em questão.

  1. Aprende a valorizar a adversidade desta vida.

Um dia “a bem-aventurada esperança” do Arrebatamento (Tito 2:13) porá termo a todas as nossas tribulações, e assim “nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (Romanos 5:2). Mas no entretanto, Paulo diz que nós podemos “nos [gloriar] nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança” (Romanos 5:3,4). Nós podemos gloriar-nos na tribulação visto que sabemos que ela opera para nós, não contra nós. Opera infundindo em nós estas qualidades desejáveis na vida, e recompensas no futuro.

  1. Aprende a valorizar a adversidade na vida vindoura.

A tribulação não opera apenas coisas boas para nós nesta vida, opera coisas boas na vida vindoura. Paulo diz que “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (II Coríntios 4:17). É por isso que Deus, apesar de poder ter-nos levado para o lar celestial, no momento em que cremos, a fim de estarmos com Ele, escolheu antes deixar-nos aqui para O servir. Mas visto que o deixar-nos aqui nos expõe às doenças, dificuldades e dores de cabeça, Deus promete recompensar ricamente o sofrimento que padecemos. Se for perguntado quão ricamente seremos recompensados, basta dizer que “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8:18). Deus promete aqui recompensar abundantemente toda a aflição que enfrentamos ao representá-LO cá como “embaixadores da parte de Cristo” (II Coríntios 5:20).

 

O que é que o futuro me reserva, agora que creio? 

  1. A morte pode conduzir-te à presença do Senhor.

Quando morrermos, o nosso corpo volta à terra, mas a nossa alma e espírito partem do nosso corpo (Génesis 35:18) e “voltam a Deus” (Eclesiastes 12:7). Paulo diz-nos que estarmos “ausentes do corpo” é estarmos “presentes com o Senhor” (II Coríntios 5:8, Outra versão). Não necessitamos de temer a morte, pois ele também nos diz que “partir e estar com Cristo” é “muito melhor” do que tudo o que alguma vez conhecemos (Filipenses 1:23). Porém o homem foi criado para ser uma trindade de “espírito e alma e corpo” (I Tessalonicenses 5:23). Isto é pelo menos parte do que Génesis 1:26 significa quando os membros da Santa Trindade dizem uns aos outros, “FAÇAMOS o homem à NOSSA imagem, conforme a NOSSA semelhança.” A morte separa a nossa alma e espírito do nosso corpo, mas Deus não permitirá que continuemos para sempre neste estado dividido. Por isso lemos que quando o nosso Senhor voltar no Arrebatamento, “assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele” (I Tessalonicenses 4:14). O Senhor voltará com as almas dos que morreram em Cristo para serem reunidas aos seus corpos. Estes mortos e corpos desintegrados terão de ser, é claro, “transformados”(I Coríntios 15:52) e “conformes o Seu corpo glorioso” antes de poderem ir para o céu (Filipenses 3:20,21). Isto acontecerá “num momento, num abrir e fechar de olhos” (I Coríntios 15:52).

  1. Tu podes estar vivo quando o Arrebatamento se der.

Quando “o mesmo Senhor [descer] do céu com alarido” (I Tessalonicenses 4:16) “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” (v. 16,17). É óbvio que os mortos e corpos desintegrados têm que ser transformados antes de entrarem no céu, mas os que estiverem “vivos para a vinda do Senhor” (I Tessalonicenses 4:15) também têm que ser transformados, pois “a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus”(I Coríntios 15:50). Por isso Paulo diz de todos os crentes no Arrebatamento que o Senhor “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso” (Filipenses 3:20,21). Os nossos corpos serão semelhantes ao corpo com que Ele viveu aqui na terra durante os quarenta dias após a Sua ressurreição e antes da Sua ascensão ao céu (Actos 1:1-3). Este corpo foi abençoadamente reconhecido pelos Seus amigos e amados (I Coríntios 15:3-7), e pôde ser mesmo abraçado (Mateus 28:9), mas também pôde ressurgir através de uma enorme pedra tumular e atravessar portas fechadas (João 20:19). Será este o corpo transformado que será dado a todo o crente.

  1. Terás de comparecer diante do Tribunal de Cristo.

Após o Arrebatamento, “todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo” (II Coríntios 5:10). Este tribunal não determinará se vamos para o céu ou para o inferno – isso é algo que tem de ser determinado nesta vida ao confiar-se em Cristo. Não, o propósito deste julgamento é dar recompensas aos crentes pelo seu serviço para com o Senhor. Este tribunal é algumas vezes chamado de “Bema”, uma vez que no Original do Novo Testamento, escrito em Grego, a palavra de onde foi traduzido tribunal em Romanos 14:10 é “bema.” Esta palavra era usada para o podium nas antigas competições atléticas, onde o “juiz” determinava o 1º, 2º, e 3º lugares, etc., não tendo nada a ver com a declaração de culpa ou inocência. Estas recompensas (I Coríntios 3:8) são algumas vezes chamadas de coroas (I Coríntios 9:25; II Timóteo 4:8) porque determinarão o nível a que nós regeremos e reinaremos com o Senhor Jesus Cristo nos lugares celestiais por toda a eternidade (II Timóteo 2:12). Paulo encoraja-nos a viver as nossas vidas de tal modo que alcancemos essas recompensas (I Coríntios 9:24).

Conclusão

Como podes ver, agora que creste, muitas coisas maravilhosas aconteceram-te no domínio espiritual. Oramos para que este estudo te ajude a tornar estas realidades reais, substantivas e operativas na tua vida. Deus equipou-te completamente para lidares com o pecado e a adversidade na tua vida, e teres um futuro brilhante à tua frente, falando em termos de eternidade. Que Deus te abençoe no teu esforço de “[cresceres] em tudo n’Aquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15).

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