Eutanásia ou cuidados paliativos?

Carlos M. Oliveira

 

     Eutanásia é uma palavra de origem Grega que significa matar intencionalmente, por ação ou omissão, uma pessoa cuja vida se reconhece já não vale a pena ser vivida. A palavra eutanásia é oriunda da palavra grega Eutanatus, cujo significado é “morrer bem, morrer facilmente”.

     A primeira grande questão que se impõe levantar logo à partida, perante tal significado, é: morrer intencionalmente será morrer bem, será morrer facilmente? A resposta é um rotundo não!

     Porquê?

      Em primeiro lugar, porque segundo Deus revela na Sua Palavra, na Bíblia, é ao Senhor, não a nós, que “pertencem as saídas da morte” (Sal. 68:20), e estarmos a pôr mão no que só Deus deve ter mão é arranjarmos um problema sério com Ele. Morrer nestas circunstâncias será morrer muito mal, não sendo nada fácil para quem morra assim.

     Em segundo lugar, porque matar nestas circunstâncias configura o quadro bíblico do homicídio, mesmo que de suicídio se trate, pois suicídio não é nem mais nem menos do que homicídio sobre o próprio, e está escrito que os homicidas “não herdarão o reino de Deus” (Gál. 5:21) , “ficarão de fora” da salvação (Apo. 22:15), “a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre” (Apo. 21:8).

     Em terceiro lugar, porque tal poderá conduzir a uma catástrofe humana sem precedentes.

     As grandes catástrofes morais que têm acontecido no nosso mundo não surgiram subitamente, como que da noite para o dia, mas paulatinamente, ao perder-se gradualmente a noção do certo e do errado.

     Olhemos para a história. A Alemanha nos anos 30 começou por mandar matar nas maternidades as crianças que nasciam com defeitos físicos, depois mandou matar nos lares de 3ª idade aqueles que já não produziam. Seguidamente, passaram para os hospitais psiquiátricos e a coisa foi-se agravando, passando a matar também doentes incuráveis ou deficientes, com o silêncio e complacência de grande parte da classe médica alemã. Em 1945, na fase final da guerra, já se matavam crianças com incapacidade para aprender, crianças que tinham orelhas feias, defeituosas e depois até chegaram a matar crianças que, pura e simplesmente, urinavam na cama. Quando a guerra acabou o número de seis milhões de judeus mortos não surpreendeu ninguém.

     A catástrofe não ocorreu abruptamente. Caíram no engodo e engano de que o homem era apenas matéria, um mero animal dotado de algum grau de raciocínio, consciência e características físicas que, uma vez perdidas, se poderia liquidar, matando.

     Então, como agora, estas atitudes são resultado de se diminuir a importância e valor do homem, de não o considerar um ser diferente dos animais, com espírito, alma e corpo, que um dia terá de prestar contas ao seu Criador. A nossa sociedade atual está a caminhar vertiginosa e perigosamente para um desfecho em tudo semelhante.

     Um ex-presidente de um banco europeu para a reconstrução e desenvolvimento disse já há vários anos que nas sociedades do futuro “a eutanásia será um instrumento essencial a aplicar nas pessoas com mais de 60 anos de idade.”

     A intenção de matar da eutanásia pode ser ativa e passiva. Há eutanásia ativa e eutanásia passiva. A eutanásia ativa, por exemplo, consiste em dar medicação letal para a pessoa morrer. A eutanásia passiva consiste na decisão de não se prosseguir um tratamento, deixando a pessoa morrer.

     A questão do sofrimento tem sido a bandeira levantada em defesa da prática da eutanásia, mas a organização mundial de saúde há muito que se pronunciou, dizendo que não há necessidade de os doentes hoje em dia padecerem de dores de um modo prolongado e intolerável. Podem-se matar os sintomas, não havendo necessidade de se matar as pessoas. Hoje em dia é possível, graças aos progressos da ciência eliminar-se os sintomas, não havendo a necessidade de se ser carrasco dos que sofrem. A solução passa pelos chamados cuidados paliativos, pela analgesia, pelo atenuar da dor pela sedação e pelo acompanhamento.

     E o que diz a Palavra de Deus? Há muito que a Bíblia fala dessa abordagem:

     “Dai bebida forte aos que perecem e o vinho aos amargosos de espírito para que bebam e se esqueçam da sua pobreza e do seu trabalho não se lembrem mais” (Provérbios 31:6,7).

     Foi com esse fim que deram “vinho misturado com fel” (Mateus 27:34) ao nosso Senhor Jesus Cristo, um analgésico que visava mitigar-Lhe as dores.

      Saliente-se bem que é bíblico dar bebida forte aos que perecem, e essa deve ser a via a seguir, a via dos cuidados paliativos, não a prática do homicídio.

     A eutanásia não elimina o sofrimento, mas agrava-o, pois a morte não é aniquilacionista. Está escrito:

     “… aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27).

     “Na vereda da justiça está a vida …” (Provérbios 12:28), não a morte.

- C.M.O.

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