Arrependimento e graça

Cornelius R. Stam      Quando o pecador é convencido pelo Espírito Santo da gravidade do pecado e do juízo vindouro, e clama ao Senhor para que o salve, ele tem-se arrependido, é claro, ou mudado de ideia, como significa a palavra Grega. Muitos dos servos de Deus, no entanto, considerando apenas o facto de que os pecadores precisam de uma mudança de mente, concluem que a forma de produzir maiores resultados no seu ministério é realçar o arrependimento.
 

     Os tais devem tomar nota da resposta às três grandes chamadas ao arrependimento pelas quais a dispensação da lei foi levada ao fim: João Batista chamou Israel ao arrependimento, mas como resultado foi decapitado (Mat.3:1-12; 14 :3-10). O Senhor Jesus retomou o clamor onde João o havia deixado (4:17), mas foi crucificado por isso. Depois da ressurreição Ele enviou os Seus discípulos a pregar "o arrependimento e a remissão dos pecados em Seu nome ..." (Lucas 24:47), porém Jerusalém recusou-se arrepender-se e não demorou muito que jorrasse sangue de novo, quando Estêvão foi apedrejado até à morte e uma grande perseguição se seguiu (Atos 8:3).
 
     A culpa da impenitência de Israel também aumentou, quando a chamada ao arrependimento foi intensificada, pois enquanto o homicídio de João foi permitido pelo povo, o de Cristo foi exigido por eles, e o de Estêvão foi efetivamente por eles perpetrado. Assim, a chamada "Grande Comissão" ficou atolada logo no início, pois se Jerusalém e o povo do concerto se recusaram a arrepender, que esperança havia de que as "nações" (Lucas 24:47) se arrependessem?
 
     "… onde o pecado abundou, superabundou a GRAÇA; para que, assim como o pecado reinou na morte, também a GRAÇA reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor " (Rom. 5:20,21).
 
     Depois das chamadas ao arrependimento terem falhado, o Senhor ascendido, inclinou-se para salvar Saulo, o principal dos pecadores, na estrada de Damasco, num estado de tudo menos no de espírito arrependido. Não ameaçando ou tratando com ele em juízo, mas falando com ele nas mais ternas notas Ele mostrou-lhe a glória da Sua graça. Este “troféu da graça" foi depois enviado a proclamar "o Evangelho da graça", e os méritos do seu Senhor crucificado, glorificado.
 
     Foi por esta razão que o arrependimento foi enfatizado. De facto, o arrependimento foi o tema da mensagem de Deus, de João Batista até Paulo. A graça, proclamada através da cruz e recebida pela fé, afastou-o gradualmente como tema da mensagem de Deus para "este presente século mau" (Atos 20:24).
- Cornelius R. Stam
 
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