Qual é a nossa Grande Comissão? (LI)

Cornelius R. StamUM APELO FINAL

CAPÍTULO X

UMA MENSAGEM BEM AMPLA


     Mas nós devemos estar sempre a pregar o mistério revelado a Paulo? Isso não será uma manifestação de parcialidade? Não será apenas uma mania?
 

     Bem, teria sido apenas uma mania de Esdras a sua proclamação da lei de Moisés a Israel dia após dia? Não, pois era esse o programa de Deus para os seus dias. Teria sido apenas uma mania os apóstolos terem ido por toda a parte proclamarem ”o Evangelho do reino”? Não, pois era essa a menagem que eles tinham sido enviados a proclamar. Os Fariseus e os escribas foram provavelmente os únicos que deram a mesma relevância a todas as partes da Bíblia Judaica, mas se eles tivessem estado na vontade de Deus ter-se-iam unido aos apóstolos na aceitação e na proclamação do “Evangelho do reino”, usando antes as Escrituras do Velho Testamento para confirmarem a mensagem dada por Deus.

     Teria sido apenas uma mania de Paulo a sua constante proclamação da graça? Não, pois tinha sido esse o ministério que ele tinha “recebido do Senhor Jesus” (Act.20:24). Em Efé3:2,3 ele pergunta aos seus leitores “se tendes ouvido a dispensação da graça de Deus que para convosco me foi dada; como me foi este mistério manifestado”. Esta tinha sido a mensagem que ele fora comissionado a proclamar, e ele chama-a muito bem “o meu Evangelho” (Rom.16:25,…). Também é o nosso Evangelho, e nós nunca devemos recear a sua proclamação consistente.

     Os que supõem que isto significa que nós devemos tocar apenas uma só corda, como se assim fosse, só revelam a sua ignorância do vasto alcance deste grande corpo de verdade. Nós nunca mediremos plenamente o comprimento, a largura, a profundidade e a altura dele (Efé. 3:18,19), mas quando medimos experimentamos numa medida cada vez maior “o amor de Cristo que excede todo o entendimento” (Efé. 3:19).1  Em II Cor.4:7 Deus chama-lhe um “tesouro”. Em Col.1:27 ele diz que Deus quer que todos os santos conheçam “as riquezas da glória” dele. Em II Tim. 1:14 ele chama-lhe um “bom (ou precioso) depósito”, entregue a nós para o guardarmos. Quando Deus usa semelhante fraseologia podemos estar certos de que aquilo a que ele se refere não foi adquirido numa loja baratucha! Como é que nós poderíamos dispensar todas estas riquezas de Deus num único sermão, ou em cinco, ou em dez, ou em dez mil?

     Os que não cumprem fielmente esta grande comissão falam muitas vezes dum “ministério bem amplo” e citam II Tim.3:16 para defenderem o seu ponto de vista. A dificuldade, contudo, é que eles lêem geralmente nesta passagem o que ela não diz e não lêem toda a declaração para verem o que ela diz.

     II Tim.3:16,17 não diz, nem implica, que nós deveríamos dar a mesma relevância ou a mesma ênfase a todas as partes da Palavra de Deus. Pelo contrário declara que “toda a Escritura é divinamente inspirada e é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que O HOMEM DE DEUS seja perfeito, e PERFEITAMENTE INSTRUIDO para toda a boa obra”. Assim, toda a Escritura é o sopro de Deus e é-nos proveitosa na proclamação da mensagem dada por Deus, especialmente uma vez que o mistério revelado a Paulo derrama luz sobre toda a Palavra de Deus e é confirmado por ela. Alguém chamou muito bem ao mistério “a chave de ouro que abre as Escrituras”.

     Nesta relação, não é significante o facto da declaração de Paulo em II Tim.3:16 ser precedida pela declaração também dele em II Tim.2:15:

     “Procura (ou, estuda para) apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja (ou, divide) bem a Palavra da verdade”?

     Mas II Tijm.4:2 não diz: “Prega a Palavra”? Sim, e alguns têm interpretado isto como significando que todas as partes da bíblia devem ter a mesma ênfase na nossa pregação. Contudo, uma reflexão mais madura convencer-nos-á de que isso não é assim, mas que o apóstolo chama aqui à sua mensagem dada por Deus “a Palavra”. Se uma pessoa pregar a obediência à lei cerimonial de Levítico e de Deuterenómio, estará a pregar a Palavra? Certamente que não no sentido que Paulo disse. Se exortar os seus ouvintes baseando-se nos Evangelhos e no princípio dos Actos para que vendam todas as suas possessões e tenham “tudo em comum”, estará a pregar a Palavra? Se pregar apoiando-se em Marcos 16:16 e Actos 2:38, e disser aos perdidos: “Arrependei-vos, e sede baptizados para o perdão de pecados”, estará a pregar a Palavra? Certamente que não no sentido que o apóstolo visava em II Tim.4:2. As Escrituras devem ser “bem divididas” e todas estas passagens devem ser consideradas à luz do “mistério”, o segredo revelado por meio de Paulo.


1 Ver o opúsculo do autor, As Dimensões do Mistério, ou Medir o Imensurável.
 
C. R. Stam

Ver anteriores: 

Qual é a nossa Grande Comissão? (L)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLVIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XL)
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Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXV)
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Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVII)
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