Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXVIII)

Cornelius R. Stam

PENTECOSTALISMO E SERPENTES

CATOLICISMO ROMANO E LÍNGUAS


     Nunca houve tanta evidência convincente da importância de se “manejar bem a Palavra da verdade” como nestes dias de confusão religiosa.

     Há anos a Berean Searchlight (Revista mensal editada pelo autor) publicou um artigo do editor intitulado, A Grande Comissão e a Polícia de Virgínia. Na altura a questão era: A Polícia de Virgínia terá o direito legítimo de impedir os Pentecostais de pegarem publicamente em serpentes? A lei dizia que sim, e a prática cessou depressa.

     Contudo, agora em 1974, o pegar em serpentes ficou de novo em voga, e parece que desta vez a prática pode ser defendida mais habilmente – com responsabilidades para o Supremo Tribunal.

      O escritor viu e ouviu, na América, o seu principal proponente apresentar o seu caso à imprensa. “O que é que farão se a lei vos ordenar que não podeis pegar em serpentes em público?”, perguntaram-lhe. “Que fareis então?”

     A resposta dele foi simples e sucinta: “Nós tentamos honrar sempre a Deus obedecendo à lei, como ele nos manda. Contudo, há excepções. Quando a lei nos proíbe de seguirmos instruções específicas de Deus, devemos obedecer à autoridade mais elevada e dizer como Pedro: ‘mais importa obedecer a Deus que aos homens.’”

     Ele então citou parte da chamada “grande comissão”, nomeadamente, Marcos 16, incluindo a frase: “Pegarão nas serpentes” (Ver.18).

     Ao perguntarem-lhe se ele já alguma vez tinha sido mordido por serpentes, disse, “Sim, sete vezes”. Ao perguntarem-lhe se já alguma vez participara no pegar em serpentes – ou no tomar estriquinina - episódios em que outros têm adoecido ou morrido, disse, “Sim”. Ao perguntarem-lhe porque é que ele então persistia na prática, respondeu simplesmente: “Não culpo o Senhor pela minha falta de fé; faço simplesmente o que Ele nos disse para fazermos na ‘grande comissão’”.

     Como os tribunais tratarão deste caso a respeito da liberdade de religião versus a segurança pública, não sabemos, mas entretanto é bastante assustador para qualquer comunidade ter conhecimento de serpentes venenosas que, no seu meio, andam à solta e à vontade.

     Certamente que objectamos o pegar religioso em serpentes tanto sob o ponto de vista bíblico como civil, mas que dirá a vasta maioria dos nossos irmão fundamentalistas?

     Será que realmente algum fundamentalista poderá encontrar alguma falta séria nos que pegam em serpentes ao basear-se no facto de que isso está incluído no programa resumido na “grande comissão”, quando eles próprios têm ensinado durante anos que esta comissão, dada pelo Senhor aos Seus doze apóstolos, é na verdade a nossa “grande comissão”, a “guia de marcha” para a Igreja hoje? Por que regra bíblica pode um crente tirar, para sua obediência, o que deseja desta comissão? Mas fazem-no; uns para ensinarem o legalismo (Mat.28:20), outros para ensinarem a salvação baptismal (Mar.16:16), outros para falarem línguas (Ver.17), outros para operarem milagres (Ver.18), outros ainda para ensinarem a absolvição (João 20:21-23), ou certas combinações do atrás exposto, mas nenhum deles tudo.

     Se um crente fundamentalista pode usar esta comissão para ensinar o baptismo na água, porque é que um outro não há-de usá-la para pegar em serpentes, uma vez que esta comissão diz claramente: “Estes sinais SEGUIRÃO aos que crerem … Pegarão nas serpentes …”?

     Se a comissão aos onze é a nossa comissão, obedeçamo-la em tudo. Não é nossa prerrogativa decidir que parte ou partes desta comissão devem ser obedecidas por nós, e ignorarmos o resto. Mas se, à luz duma revelação posterior comunicada pela Senhor glorificado a Paulo, foi introduzida uma nova dispensação, apressemo-nos em reconhecer que a comissão aos onze não é a nossa comissão. A Igreja não tem enfrentado este desafio. E essa é a causa básica da contínua e crescente confusão e divisão dentro das suas fileiras.

     Mas um outro fenómeno alarmante que surge no horizonte religioso e que cresce velozmente é o Pentecostalismo Católico Romano. Grande número de sacerdotes católicos Romanos e de pessoas igualmente Católicas encontram-se envolvidas na cura dos doentes, no falar línguas, na expulsão de demónios, etc.

     Aqui, perguntamos, porque não? A igreja Romana seguiu sempre Pedro em vez de Paulo, e ensinou sempre que a “grande comissão” com os seus sinais miraculosos, os seus poderes de cura e o seu poder de perdoar pecados, são para nossa obediência. Só que eles, como os demais, escolheram o que sentiram ser melhor para os interesses do catolicismo Romano e desenfatizaram o resto.

     Assim, não é admirar que, com o movimento carismático a espalhar-se como o fogo espalhado pelo vento, Roma se torne agora interessada em falar línguas, etc.

     Contudo, o que um sistema apóstata ensina não é o nosso objectivo principal. Nós estamos profundamente preocupados é com os Cristão crentes na Bíblia, que são fiéis aos fundamentos da fé. Até eles aprenderem a importância da verdade dispensacional e começarem a manejar bem a Palavra de Deus, especialmente no que diz respeito à Sua mensagem para o mundo hoje e ao Seu programa para a Igreja nos nossos dias, serão forçados – auto-forçados – a continuarem a servir o Senhor como um exército dividido.
C. R. Stam

 

Ver anteriores: 

Qual é a nossa Grande Comissão? (XLI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XL)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXVIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVII
I)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXI)
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Qual é a nossa Grande Comissão? (XI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (X)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VII)

Qual é a nossa Grande Comissão? (VI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (V)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (III)
Qual é a nossa Grande Comissão? (II)
Qual é a nossa Grande Comissão? (I)


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