Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIII)

 Cornelius R. Stam

    “Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”.

     Os doze seriam revestidos do poder do alto no cumprimento da “promessa do Pai”, isto é, a vinda do Espírito Santo. Mas Pentecostes está agora distante, e a frase, “foram TODOS cheios do Espírito Santo”, ergue-se em enorme contraste com a falta de enchimento do Espírito na Igreja hoje. Também os sinais miraculosos, as manifestações exteriores do enchimento do Espírito, foram suspensos com a passagem daquela dispensação.

     E será que agora vamos de novo esperar pelo cumprimento da promessa, “recebereis a virtude do Espírito Santo que há-de vir sobre vós”? É isso que alguns estão a fazer, mesmo apesar dessa promessa ter sido cumprida em devido tempo, “quando se cumpriu o dia de Pentecostes”. Em parte alguma das epístolas de Paulo – ou em qualquer outra parte – somos instruídos a esperarmos por um outro cumprimento desta promessa, muito menos nos é dito para orarmos pela vinda do Espírito Santo. Na verdade, com a passagem do Pentecostes a redescoberta do poder Pentecostal tornou-se impossível. Quão contrárias às Escrituras e injustificadas, então, são as “reuniões de espera” do Pentacostalismo moderno!

     Aqui, deve ser cuidadosamente notado que enquanto todos os crentes em Pentecostes foram cheios do Espírito Santo (Actos 2:4), nunca é dito que toda a Igreja, ou que todos os membros de qualquer igreja local dos dias de Paulo fossem cheios o Espírito Santo. Certamente que os crentes Gálatas não estavam “todos cheios do Espírito Santo”; eles “mordiam-se e devoravam-se uns aos outros” (Gál. 5-15). Certamente que os crentes Filipenses não estavam “todos cheios do Espírito Santo”; havia lá dissensão entre duas irmãs – e os que tomaram o partido de ambas (Fil. 4:1-3). Certamente que os santos Colossenses não estavam “todos cheios do Espírito Santo”; eles tinham alimentado noções de gnosticismo que Paulo teve que corrigir (Col. 2:8,18-23). Certamente que os crentes Tessalonicenses não estavam “todos cheios do Espírito Santo”; eles tinham falhado em dar ouvidos às palavras de Paulo a respeito da vinda de Cristo para os membros do Seu Corpo e temiam a partida dos entes queridos (I Tes.4:13; II Tes.2:5). Entre todos os membros de todas as igrejas fundadas por Paulo havia outras deficiências morais e espirituais, como há entre os membros todos da Igreja dos nossos dias. Vejamos o testemunho pessoal de Paulo quanto a isto em Rom. 7:18-25; Fil.3:12-14. Em vez de nós “todos” estarmos cheios do Espírito Santo, totalmente sob o Seu controlo, de tal modo que não seja possível errarmos ou pecarmos, nenhum de nós está assim cheio. Não, hoje o enchimento do Espírito é-nos apresentado como um desafio, uma bênção de graça, para ser apropriada pela fé. Sob a presente dispensação da graça o princípio é o mesmo para todas as virtudes Cristãs. Assim, o apóstolo exorta-nos:

     “[Sede] cheios de frutos de justiça …” (Fil.1:11)

     “[Sede] cheios do conhecimento da Sua vontade …” (Col.1:9)

     “Enchei-vos do Espírito …” (Efé.5:18)

     Nenhum de nós foi ainda cheio de tudo isto pois nesta presente dispensação o que Deus provê pela graça nós devemos apropriar pela fé.1


1 Para uma discussão mais compreensiva deste assunto ver o livro do autor, A Verdadeira Espiritualidade.

C. R. Stam

 

 

Ver anteriores: 

Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVII
I)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXII)
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Qual é a nossa Grande Comissão? (I)

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