Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXI)

A SUSPENSÃO DOS DONS SINAIS
É óbvio que se operássemos sob a comissão dada aos onze deveríamos operar milagres como eles – milagres cuja autenticidade é mais que evidente. Todavia há muitas razões para pôr em dúvida – e muitos põem em dúvida – a autenticidade dos alegados “dons Pentecostais” clamados por muitos nos nossos dias. O “dom” de línguas, que alastra velozmente, e o alegado poder para expulsar demónios, têm sido postos em dúvida por muitos estudantes da Palavra de Deus. Quanto ao suposto dom de curar reivindicado pelos nossos amigos Pentecostais, não se deve olvidar o facto de a Igreja Romana, a Ciência Cristã e o Movimento da Unidade poderem apresentar “evidências” semelhantemente tão convincentes. Será que os poderes deles serão, então, também dados por Deus?
O facto é que os sinais miraculosos prometidos em Marcos 16:17,18 e praticados no princípio dos Actos “cessaram” com a introdução da “dispensação da graça de Deus”. Isto é confirmado por muitos factos e declarações das Escrituras.
Em I Cor.13:8 temos a declaração de Paulo inspirada pelo Espírito: “…havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá”.
É óbvio que o apóstolo não queria dizer que as profecias divinas não se cumpririam, ou que os homens deixariam de falar e de conhecer. Certamente que se referia aos dons sobrenaturais de profecia, de línguas e de conhecimento (Pedro revelou o dom de conhecimento no caso de Ananias e Safira). Esses dons “desapareceriam” e “cessariam”.
Mas a cessação dos dons sinais sobrenaturais é confirmada depois pelos incidentes na própria vida e ministério de Paulo. Quando, em Actos 16, ele foi aprisionado, um terramoto abalou os alicerces da prisão, abrindo as portas a todos os prisioneiros – e soltando as prisões de todos (Ver. 26). Todavia as suas últimas epístolas revelam o apóstolo abandonado na prisão sem qualquer milagre de libertação (Efé.6:18-20; Col.4:18; II Tim.2:9).
Semelhantemente, o grande apóstolo, por cujas mãos Deus realizou “milagres especiais” (Actos 19:11), passou a sofrer de enfermidades físicas (Gál. 4:13) e de um particular “espinho na carne” que lhe causou muita dor e sofrimento. Ele orou fervorosamente para que fosse libertado daquela situação penosa, mas Deus não lhe concedeu o seu pedido, prometendo-lhe, em vez disso, toda a Sua suficiente graça para o ajudar a suportar a sua carga, e assegurando-lhe: “O Meu poder aperfeiçoa-se na fraqueza” (II Cor.12:8,9). O apóstolo aceitou isto com verdadeira fé e mais tarde declarou:
“ … De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, PARA QUE EM MIM HABITE O PODER DE CRISTO.
“Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor a Cristo. PORQUE QUANDO ESTOU FRACO ENTÃO SOU FORTE” (Ver. 9,10).
A cessação dos dons de cura é ainda confirmada depois pelos incidentes associados com Paulo e os seus amigos. Ele escreve ao Filipenses acerca de Epafrodito que esteve “doente e quase até à morte”. Impossibilitado de o poder curar, o apóstolo diz: “Deus se apiedou dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza” (Fil.2:27). Semelhantemente, em II Tim.4:20, ele diz: “Deixei Trófimo doente em Mileto”, e para as constantes enfermidades de Timóteo ele prescreve “um pouco de vinho” (I Tim.5:23). Tudo isto indica que os poderes de cura do apóstolo tinham cessado – e tudo isto soa, não à era Pentecostal, mas aos dias em que vivemos.
Em adição a Gál.4:13 e II Cor.12:8,9, muitas outras passagens fornecem-nos evidências claras de que o próprio apóstolo não era um homem saudável, fisicamente, e que isso passaria a ser um facto comum, não só à humanidade em geral, mas também aos santos de Deus. Consideremos algumas:
Romanos 8:22,23: “Porque sabemos que TODA A CRIAÇÃO GEME E ESTÁ juntamente COM DORES DE PARTO até agora.
“E não só ela, mas NÓS MESMOS, que temos as primícias do Espírito, também GEMEMOS EM NÓS MESMOS, ESPERANDO A ADOPÇÃO, A SABER, A REDENÇÃO DOS NOSSOS CORPOS”.
II Cor.5:2,4: “E por isso também GEMEMOS (NESTE TBERNÁCULO), desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu.
“Porque também nós, QUE ESTAMOS NESTE TABERNÁCULO, GEMEMOS CARREGADOS; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida”.
II Cor.4:16: “Por isso não desfalecemos; mas, AINDA QUE O NOSSO HOMEM EXTERIOR SE CORROMPA, o interior, contudo, se renova de dia em dia”.
II Cor.12:7: ”E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, FOI-ME DADO UM ESPINHO NA CARNE, A SABER, UM MENSAGEIRO DE SATANÁS PARA ME ESBOFETEAR, A FIM DE ME NÃO EXALTAR”.
Se Paulo viesse a nós nos nossos dias, seria severa e duramente censurado por aqueles que ensinam que constitui manifesta falta de fé e é um pecado o não reclamar a cura física. Eles não conhecem a graça toda suficiente que susteve Paulo na doença e na adversidade, nem vêem como a força de Deus, ou o Seu poder, “se aperfeiçoa na fraqueza”.
Tudo o que acima e atrás foi exposto fornece-nos um grande número de evidências do facto de que os milagres de cura da chamada “grande comissão” cessaram, tendo sido substituídos por algo melhor.
Melhor? É verdade! A libertação na doença não é uma vitória muito maior do que a libertação da doença? O gozo na prisão (Efé.1:3; Fil.1:12-14; 3:1; 4:4-7) não é uma bênção muito maior do que a libertação da prisão? O poder de Deus não é valorizado numa medida muito maior por meio da nossa fraqueza do que poderia ser por intermédio da nossa “força” ou “poder”? Não há uma maior alegria no experimentar toda a Sua suficiente graça?
Ver anteriores:
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVIII)
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Qual é a nossa Grande Comissão? (IV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (III)
Qual é a nossa Grande Comissão? (II)
Qual é a nossa Grande Comissão? (I)



