Qual é a nossa Grande Comissão? (XVIII)

O QUE A COMISSÃO NÃO DIZ
A consideração do que a comissão aos onze não diz talvez seja mais esclarecedora que a consideração do que ela diz.
Não contém sequer a palavra “graça”, ou qualquer referência ao “Evangelho da graça de Deus”.
Não menciona “a pregação da cruz”.
Não menciona a salvação por meio do sangue de Cristo, muito menos pela fé no Seu sangue derramado.
Não menciona a morte de Cristo como castigo pelo pecado, ou a Sua obra toda suficiente de redenção como base para a salvação.
Não oferece a salvação como dom de Deus, à parte das obras.
Não oferece a salvação à parte da lei de Moisés.
Não menciona a salvação apenas pela fé, à parte da lei ou das obras.
Não associa a morte e a ressurreição de Cristo à nossa justificação.
Não declara que “não há diferença” entre Judeus e Gentios; de facto declara o oposto ao dar prioridade a Israel.
Não contém uma única palavra acerca do Corpo de Cristo, ou acera do nosso baptismo divino em Cristo e no Seu Corpo.
Não contém uma única palavra acerca de uma posição e esperança celestiais, ou de “todas as bênçãos espirituais nos celestiais, em Cristo”.
Assim, sob a chamada “grande comissão”, não pregaríamos nada do acima exposto. E quando descobrimos que tudo aquilo constitui precisamente o tema da mensagem que Deus deu a Paulo, e a nós, não se torna irresistivelmente evidente que houve uma mudança dispensacional, uma mudança de programa, desde que o Senhor comissionou os onze?
Se a chamada “grande comissão” é para nossa obediência e dissermos a um pecador que pode ser salvo pela graça por meio da fé, à parte das obras e da lei, porque Cristo morreu pelos seus pecados, não estaremos a operar deslocadamente, e até, mesmo, contrariamente à nossa comissão?
Não é antes de chegarmos a Paulo que ouvimos falar acerca da “pregação da cruz” como boas novas (I Cor.1:18), do “Evangelho da graça de Deus” (Actos 20:24), da justificação por meio da obra consumada de Cristo, à parte da lei e das obras (Actos 13:38,39; Rom.3:21; 4:5; Efé.2:8,9; Tito 3:5; etc.), do “mistério” do “um só corpo” com o seu “um só baptismo”, e a sua posição, bênçãos e esperança celestiais (I Cor.12:13; Efé.1:3; 2:4-7,16; 3:1-6; 4:4,5; Col.3:1-3; etc.).
Ainda assim e apesar disso, hoje em dia, pastores e ensinadores Bíblicos, vivendo mais de 1900 anos depois da comissão dada ao onze, e do subsequente levantamento de Paulo, reclamam estar a operar sob a chamada “grande comissão”! Será pois de admirar, em face disso, que uma enorme e profunda confusão se tenha abatido sobre a Igreja?1
1 Certamente que nos referimos à confusão teológica, pois estamos bem conscientes da união artificial que o neo-evangelicalismo conseguiu parcialmente, por intermédio da sua falsa ênfase no amor e na tolerância.
Ver anteriores:
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (X)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (V)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (III)
Qual é a nossa Grande Comissão? (II)
Qual é a nossa Grande Comissão? (I)



