COMO A NOVA ALIANÇA NOS DIZ RESPEITO

A Igreja e a Nova Alianca

 

     Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento [ou, Nova Aliança] no Meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de Mim. 1 Cor. 11:25

     Porque isto é o Meu sangue, o sangue do Novo Testamento [ou, da Nova Aliança], que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. Mat. 26:28

     Visto que o Novo Testamento, ou Aliança, ou Concerto, foi especificamente feito com «a casa de Israel e com a casa de Judá» (Jer. 31:31), alguns concluíram que ele não pode ter qualquer relação com os Gentios e que, portanto, a Ceia do Senhor não deveria ser praticada hoje.

     Mas isto é um erro. O Antigo Concerto, tal como o Novo, foi feito com Israel, mas afeta vitalmente os Gentios. Vê as palavras de Paulo em Rom. 3:19,20:

     «Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.

     «Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.»

     Os Gentios nunca estiveram, nem estão hoje, debaixo do concerto da lei, mas seria um erro argumentar que a lei não afeta os Gentios, pois foi dada para que o mundo inteiro fosse considerado culpado diante de Deus.

     Israel representava o mundo diante de Deus. Israel era a única nação com a qual Deus continuava a lidar depois de ter abandonado os Gentios. Quando ela finalmente caiu, isso significou que o mundo inteiro tinha caído. Se Deus exigisse de qualquer grupo de pessoas os padrões de justiça do Antigo Concerto (Êx. 19:5,6), esse grupo seria certamente condenado. É por isso que o Novo Concerto era necessário.

     Depois de o fracasso de Israel sob o Antigo Concerto se ter tornado cada vez mais evidente, Deus prometeu fazer com eles um novo concerto. Este Novo Concerto, ou Aliança, deveria ser feito somente com a nação favorecida. Jeremias afirma claramente isto, como vimos acima.

     E Deus fez este novo concerto com Israel e Judá — no Calvário (Mat. 26:28). Foi ali que Cristo obteve para o Seu povo do concerto aquilo que eles não podiam alcançar debaixo da lei. Foi ali que se cumpriu a profecia de Isaías: «Pela transgressão do meu povo foi Ele ferido» (Isa. 53:8).

     Foi com base no Calvário e no sangue do Novo Concerto que a bênção do reino foi oferecida a Israel no Pentecostes, mas aquela geração de Israel recusou a bênção, e o Novo Concerto aguarda um cumprimento futuro.

     Mas não se segue daí que o Novo Concerto não afete os Gentios.

     Se os Gentios ficam debaixo da maldição do Antigo Concerto, também podem participar das bênçãos do Novo, pois porque razão foi derramado o sangue do Novo Concerto, senão para remover a maldição do Antigo?

     Se, pelo Antigo Concerto com Israel, Deus mostrou como o mundo inteiro está condenado à Sua vista, então, pelo Novo Concerto com Israel, Deus mostra como todos podem ser justificados à Sua vista.1 Heb. 2:9-16 diz que Cristo «tomou sobre Si a descendência de Abraão». Mas porquê? «Para que, pela graça de Deus, provasse a morte por TODOS.»

     No Calvário, Deus concedeu a Israel, por meio de um solene concerto: «Perdoarei a sua iniquidade e não me lembrarei mais do seu pecado» (Jer. 31:34, cf. Mat. 26:28). Deus não fez tal concerto com os Gentios, mas aquilo que Ele prometeu por concerto a Israel, nós recebemo-lo pela graça.

     O leitor deve examinar cuidadosamente Jer. 31:31-34 e notar que as bênçãos do Novo Concerto são todas espirituais.2 Não há nada acerca da terra, do reino ou do trono. Os membros do Corpo de Cristo recebem hoje as bênçãos aí descritas? Sim, todas elas. Não escreveu Ele a Sua lei nos nossos corações? Não é nosso desejo obedecer-Lhe? Não conhecemos nós «o Senhor»? Não é Ele o nosso Deus? Não somos nós o Seu povo? Não perdoou Ele as nossas iniquidades? Lembra-Se Ele dos nossos pecados contra nós?

     Não devemos esquecer que «temos a redenção pelo Seu sangue» — esse mesmo «sangue do Novo Concerto». Esse sangue salva-nos enquanto Israel permanece às apalpadelas na cegueira e cambaleia na incredulidade.

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1  Nota: a mera promessa de que Deus faria um novo concerto (Jer. 31:31-34) não tornava isto claro. Na verdade, foi somente algum tempo depois de o sangue do Novo Concerto ter sido derramado que o seu pleno significado foi desenvolvido por Paulo, «um ministro capaz do Novo Testamento».

2 É por isso que Paulo nunca é chamado ministro dos Concertos Abraâmico, Mosaico ou Davídico, mas somente do Novo Concerto (2 Cor. 8:5,6).

Por C. R. Stam

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