Os discípulos de João, em Atos 19, foram rebatizados?

Carlos M. Oliveira

 

Atos 19

1. E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e, achando ali alguns discípulos,
2. Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo, quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.
3. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados, então? E eles disseram: No batismo de João.
4. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo.
5. E os que ouviram foram batizados, em nome do Senhor Jesus.
6. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.

     Não são poucos os que pensam que os "discípulos" referidos no texto acima, depois de terem sido batizados na água por João, foram depois rebatizados na água pelo Apóstolo Paulo. Porém, não é isso que o texto diz, como veremos adiante. Os que tal alegam, até chegam a chamar ao imaginário batismo na água aqui praticado por Paulo, de batismo Cristão, em contraste com o batismo de João, como se tivessem havido dois batismos na água diferentes. Na Bíblia só existe um único batismo na água propriamente dito, não dois. 

     Os discípulos de João referidos neste texto bíblico já tinham sido batizados no batismo de João (ver. 3). Portanto não podiam ser batizados outra vez. Nas Escrituras não há nenhum exemplo de alguém que tivesse sido batizado na água duas vezes. Por exemplo, os 12 apóstolos também foram batizados pelo batismo de João e não lemos em nenhum lugar da Palavra de Deus que eles tivessem sido batizados de novo. Se houvesse a necessidade de um outro batismo tal teria sido certamente referido, dada a importância destas figuras bíblicas. E o mesmo é verdade para todos os outros que como eles foram batizados pelo batismo de João e dos quais nunca lemos que tivessem sido alguma vez rebatizados.

     Além disso há uma questão muito pertinente que não podemos deixar de levantar aqui: que propósito teria um rebatismo destes discípulos? O contexto mostra claramente que o problema deles era ainda não terem recebido o Espírito Santo, pois quando João os batizou o Espírito ainda não tinha descido. Por conseguinte havia a necessidade de O receberem, e foi isso que aconteceu. No texto bíblico acima vemos também claramente que eles receberam o Espírito Santo pela imposição das mãos de Paulo (ver. 6), e não por um suposto rebatismo.

     A pergunta que agora se impõe é a seguinte: então, o que querem dizer os versículos 4 e 5? Não dizem que Paulo os rebatizou?

     Não! O que estes versículos dizem é o seguinte:

4. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo.
5. E os que ouviram [João Batista, entenda-se, não Paulo] foram batizados, em nome do Senhor Jesus.


     Temos que olhar bem para o contexto para fazermos uma interpretação correta. O versículo 5 é a continuação do versículo 4. O versículo 4 diz que João Batista, "dizendo ao povo", os que o "ouviram", foram batizados. Sim, "os que ouviram" João Batista e não Paulo, pois nem todos deram ouvidos a João Batista, mas todos estes discípulos deram ouvidos a Paulo. Por isso é João Batista que deve ser subentendido e não Paulo.

     Paulo só entra em cena no versículo 6, quando lemos que ele lhes impôs as mãos.

     Em último lugar, e para colocar os pontos nos ii:

     Não havia diferença básica entre o batismo de João e o de Pedro em Pentecostes. Ambos eram batismos de “arrependimento” e ambos eram “para a remissão dos pecados” (Marcos 1:4; Atos 2:38). Havia, contudo, uma diferença no resultado, pois em Pentecostes os batizados receberam “o dom do Espírito Santo” além da remissão dos pecados. Isso explica porque estes discípulos não receberam este dom quando João Batista os batizou e porque a imposição das mãos de Paulo era agora importante para O receberem.

- C.M.O.

 



 

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