Falta de fé, ou falta de entendimento?

Carlos M. Oliveira

 

     Há quem pense que é falta de fé não enfrentar o Coronavírus de peito aberto sem qualquer receio, confiando numa suposta proteção divina que Deus não lhe prometeu, nem lhe garante hoje. É assim que vemos alguns agirem com desrespeito pelas indicações prudentes, sábias e protetoras das autoridades governamentais e agentes de saúde pública. Fazem lembrar os fanáticos que se exibem com serpentes em ajuntamentos religiosos, crendo que estas não lhes farão qualquer mal, baseando-se em promessas que não lhes foram feitas, como por exemplo a de Marcos 16:17,18:

     “E estes sinais seguirão aos que crerem: ... Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum ...” (Marcos 16:17,18).

     O desfecho de tais loucuras é normalmente trágico, como sabemos pelos órgãos de comunicação noticiosos.

     Infelizmente muitas ideias erradas são fruto de se manejar mal a Palavra da verdade, por falta de entendimento. Nós hoje não estamos sob a pregação de o Evangelho do Reino em que os crentes podiam pegar nas serpentes, ou beber veneno, sem problema algum. Hoje estamos sob a pregação de o Evangelho da Graça, onde nenhuma dessas promessas do reino nos são feitas, a nós membros do Corpo de Cristo, pelo que devemos tomar previdências como o Apóstolo Paulo tomou para com Timóteo, face às suas "frequentes enfermidades", receitando-lhe tratamento medicinal (1 Timóteo 5:23). Paulo e Timóteo não prosseguiram simplesmente confiando no Senhor. Sabiam bem que hoje, na atual dispensação da graça de Deus, para além de confiarmos no Senhor, devemos fazer a nossa parte. O Senhor não faz o que nos compete fazer; Ele faz apenas o que nós não podemos fazer. Sejamos, pois, igualmente sábios e prudentes, tomando as ações corretas para benefício dos irmãos, ações que honram o Senhor, e que não sejam tropeço para os descrentes, pondo em causa a credibilidade do nosso Deus e do Evangelho da Sua Graça.

     Afinal, os princípios que nos regem atualmente nesta matéria durante o período da pregação do Evangelho da Graça, não são os princípios excecionais do período da pregação do Evangelho do Reino, porém os princípios que regiam os crentes anteriormente, nos tempos de Moisés[1]. As doenças infectocontagiosas, como por exemplo a lepra, para serem eliminadas, dependiam da ação humana, como lemos no Livro de Levítico nos capítulos 13 e 14. Nós vemos ali instruções de quarentena para a contenção das epidemias. A condição de total confinamento visava por um lado evitar o espalhar da doença e por outro lado levar o paciente a voltar-se para o Senhor na esperança de Ele o curar.

     Atualmente deve ser esta também a nossa postura e o nosso procedimento – fazermos a nossa parte, e confiarmos no Senhor.

 

- C. M. O.


[1] Acontece exatamente o mesmo na área financeira. Durante o período da pregação do Evangelho do Reino, os crentes então deveriam  olhar para “as aves do céu” a fim de aprenderem a depender exclusivamente do Senhor para o suprimento das suas necessidades materiais (Mateus 6:25-33), porém, no atual período  da Dispensação da Graça nós devemos olhar antes para “a formiga” (Provérbios 6:6-11), como faziam os crentes anteriormente, a fim de aprendermos a ser empreendedores, trabalhando árdua e responsavelmente. A esse respeito o Apóstolo Paulo disse aos Tessalonicenses, e a nós, que se não trabalharmos, não comemos (2 Tessalonicenses 3:10-12).
 

 

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