O domingo é o sábado, tomou o lugar do sábado?

Não, o domingo não tomou o lugar do sábado, não é o sábado. O sábado era uma parte distintiva do programa de Israel que Deus deu à nação escolhida no Monte Sinai.
Neemias 9:13,14: “E sobre o monte de Sinai desceste, e falaste com eles desde os céus; e deste-lhes juízos retos, e leis verdadeiras, estatutos e mandamentos bons. E o Teu santo sábado lhes fizeste conhecer …”
O Senhor instituiu o sábado como uma dádiva a Israel. A palavra sábado significa “descanso”. Deus deu ao Seu povo Israel um dia de descanso semanalmente para rejuvenescer os seus corpos e mentes. Visava ser um tempo de descanso, para se banquetearem e desfrutarem da família. Mais importante ainda, Ele deu-o para quebrar a rotina do dia-a-dia, para que Israel não se esquecesse do seu Deus e O adorasse e Lhe desse graças nesse dia.
De acordo com Êxodo 20:11, os hebreus deveriam cessar todo o trabalho porque o Criador “descansou” após o sexto dia da criação, no “sétimo dia”. Assim, Israel deveria seguir o exemplo do Criador para a semana deles, fazendo do sábado um dia para comemorar a criação do mundo pelo Senhor e para celebrarem a Sua provisão.
Êxodo 3:16,17: “Guardarão pois o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo. Entre Mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre: porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou …”.
O sábado era um sinal, uma marca distintiva, do povo escolhido de Deus. Era “um sinal entre [Deus] e… Israel”. O sábado era para Israel, e foi dado a Israel sob a lei.
Hoje, nós não estamos debaixo da lei; estamos debaixo da graça (Rm 6:14). Nós não somos Israel; nós somos o Corpo de Cristo (Efésios 1: 22,23). O sábado não é para ser observado sob a graça. Paulo não dá instruções para o Corpo de Cristo observar o sábado. Em vez disso, ele fala da reunião da Igreja “no primeiro dia da semana” (I Cor. 16: 2). O domingo não veio substituir o sábado; não é o sábado e nunca deve ser chamado de sábado. Fazer isso confunde o significado de “o primeiro dia da semana” sob Graça, e o significado de “o sétimo dia” sob a Lei.
O sábado fala de descanso após o trabalho e relaciona-se com a Lei e o trabalho exigido aos que estavam sob a Lei, observando-a com as obras, observando-a festas e sacrifícios que Israel foi ordenado a fazer continuamente pela fé. O sábado prefigura o descanso de que Israel desfrutará no seu fim dos tempos, no seu descanso milenar no reino terreno.
O culto dominical no primeiro dia da semana fala de um descanso que ocorre antes do trabalho acontecer e relaciona-se com a graça e o descanso que nós, o Corpo de Cristo, temos em Cristo e na Sua obra consumada. Tendo confiado que Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou (I Coríntios 15: 3,4), estamos “completos em [Cristo]” (Cl 2:10). A salvação é uma “dádiva” que recebemos no momento em que cremos; não vem “das obras” (Efésios 2:8,9). Para a maioria das pessoas que trabalham, a nossa semana de trabalho segue-se após o primeiro dia da semana. E sob a graça, porque estamos salvos, as “obras” seguem-se depois com alegria e gratidão pela nossa completa salvação em Cristo (Ef 2:10).
O sábado comemorava a criação do mundo pelo Senhor, enquanto o nosso culto dominical celebra semanalmente a ressurreição do Senhor, que ressurgiu no “primeiro dia da semana” (Lucas 241). Assim, quando nos reunimos aos domingos em cada nova semana, fazemos isso em adoração ao nosso Salvador ressuscitado e vivo, e à novidade de vida que temos n’Ele (Rm 6: 4).
- Kevin Sadler



