Cristo NÃO é o Messias da Igreja

Ultimamente, não sabemos se por moda, se por ser diferente, se por ser fino, ou chique, mas certamente sendo antibíblico, tem-se ouvido alguns referirem-se ao nosso Senhor Jesus Cristo como Messias da Igreja, pois chamam-No repetidamente de Messias.
Como disse muito bem Robert Brock, “Os Judaizantes tinham vindo à igreja na Galácia tentar colocar os crentes sob a Lei de Moisés. Paulo teve de usar uma linguagem muito forte para repreender estes subvertedores do Evangelho (Gálatas 1:6-9; 3:1-5). Nós temos hoje as mesmas condições. A igreja tem recusado obedecer aos ensinos que Deus deu a Paulo, e consequentemente a grande maioria de crentes está a tentar viver de acordo com a Lei de Moisés, e é ignorante, fraca e carnal a respeito das verdades dinâmicas do Cristianismo”.
Nos últimos tempos temos estado a assistir ao ressurgimento de judaizantes no meio da Igreja. Os judaizantes contemporâneos fazem tanta questão do seu judaizar que, entre outras coisas erradas à luz da “presente verdade”, estão a chamar erradamente Messias ao Cabeça da Igreja, o Corpo de Cristo, ao nosso Senhor Jesus Cristo, sob a complacência de uma igreja visivelmente iletrada biblicamente.
O Senhor Jesus Cristo não é o Messias da Igreja, o Corpo de Cristo. Ele é o Messias de Israel. Que grande confusão existe na cabeça dos iletrados nas Escrituras. Desde quando o Senhor foi prometido à Igreja? Nós somos “estranhos aos concertos da promessa” (Efésios 2:12).
O nosso Senhor Jesus Cristo nunca se apresenta à Igreja, que é o Seu corpo, como “o Cristo”, que quer dizer “o Messias”, um título com que Ele Se apresenta exclusivamente a Israel. Em relação à Igreja o nosso Senhor apresenta-se como nosso Senhor Jesus Cristo.
A expressão "o Cristo" significa, pois, “o Messias”. Confirme-se:
“Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos O MESSIAS (QUE, TRADUZIDO, É O CRISTO)” (João 1:41).
“A mulher disse-lhe: Eu sei que O MESSIAS (QUE SE CHAMA O CRISTO) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo” (João 4:25).
Nos Evangelhos lê-se, como seria de esperar, sobre "O Cristo", mas NUNCA nas epístolas de Paulo! E sabemos bem porquê. Cristo nunca foi prometido à Igreja. Ele não é o Messias da Igreja, mas o Messias exclusivo da nação de Israel. É assim que lemos:
“E, congregados todos os príncipes dos sacerdotes, e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer O CRISTO” (Mateus 2:4).
“E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és O CRISTO, o Filho de Deus vivo” (Mateus 16:16).
“Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era O CRISTO” (Mateus 16:20).
Não há um exemplo, nem um sequer, de Paulo nas suas epístolas dirigidas à Igreja, o Corpo de Cristo, referir-se ao nosso Senhor como "O CRISTO". Podemos usar uma concordância para confirmarmos que a expressão “o Cristo” não aparece nas epístolas de Paulo.
Como já vimos, a expressão "o Cristo" quer dizer o Messias e nunca surge nos escritos para a Igreja o Corpo de Cristo, mas tão-somente nos escritos para Israel, o Seu povo terreno, a quem o Messias foi prometido. O Senhor nunca foi o Messias das nações, mas da nação – da nação de Israel.
Assim, anunciar A CRISTO como fazemos hoje (1 Cor. 1:24) não é o mesmo que anunciar O CRISTO.
“Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era O CRISTO” (Mateus 16:20).
É interessante, por exemplo, ver qual o propósito até do Evangelho de João. Está escrito muito claramente:
"Jesus pois operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro.
"Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo [ou, MESSIAS], o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome" (João 20:30,31).
Note-se bem que o Evangelho de João foi escrito para que as pessoas pudessem receber vida por crerem no Senhor, porém, veja-se, como o MESSIAS, o Filho de Deus. Isto revela como o Senhor é apresentado em João - como o Messias.
Ora, o Senhor é o Messias para os Judeus, não para os Gentios. Nós não olhamos para o Senhor como Messias, mas como Senhor da Glória, e Cabeça do Corpo que é a Igreja, como Senhor Jesus Cristo. Para mais luz sobre este assunto, veja-se como o Senhor é apresentado em João:
"Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o REI d’ISRAEL" (João1:49). O Senhor é apresentado em João como o Messias, o Rei de Israel. Ele é apresentado como Deus, mas manifestado NA CARNE (João 1:14), como Emanuel (Deus CONNOSCO). João nem se refere à Sua ascensão ao Céu, como fazem Marcos e Lucas. Isto é particularmente importante, porque Paulo diz que nós agora já não conhecemos Cristo segundo a carne (2 Cor. 5:16).
Temos de ser rigorosos na interpretação correta das Escrituras. Não devemos ler nas Escrituras o que não está lá escrito.
João revela que era o reconhecimento do Senhor como "o Cristo [ou, o Messias], o Rei de Israel], o reconhecimento dos Seus clamores reais, que os salvava.
Marcos diz que O CRISTO é O REI DE ISRAEL:
"O CRISTO, O REI D’ISRAEL, desça agora da cruz, para que o vejamos e acreditemos. Também os que com ele foram crucificados o injuriavam" (Marcos 15:32).
Convém vermos com os nossos próprios olhos, pois é o tema de todo o livro.
"Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o REI d’ISRAEL" (João1:49)
"Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus, Tu és o REI d’ISRAEL" (João1:49)
"E diziam à mulher: já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos O temos ouvido, e sabemos que Este é verdadeiramente O CRISTO [ou, MESSIAS], o Salvador do mundo" (João 4:43).
"E nós temos crido e conhecido que Tu és O CRISTO [ou, MESSIAS], o Filho de Deus" (João 6:69).
"E ei-lo aí está falando abertamente, e nada Lhe dizem. Porventura sabem verdadeiramente os príncipes que Este é O CRISTO [ou, MESSIAS]?" (João 7:26).
"E muitos da multidão creram n'Ele, e diziam: Quando O CRISTO [ou, MESSIAS] vier, fará ainda mais sinais do que os que Este tem feito?"
"Outros diziam: Este é O CRISTO [ou, MESSIAS]: mas diziam outros: Vem pois O CRISTO [ou, MESSIAS] da Galileia?" (João 7:41).
"Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser Ele O CRISTO [ou, MESSIAS] , fosse expulso da sinagoga" (João 9:22).
"Rodearam-No pois os judeus, e disseram-Lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se Tu és O CRISTO [ou, MESSIAS], dize-no-lo abertamente" (João 10:24).
"Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que Tu és O CRISTO [ou, MESSIAS], o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo" (João 11:27).
"Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-Lhe ao encontro, e clamavam: Hosana: Bendito O REI DE ISRAEL que vem em nome do Senhor" (João 12:13).
"Não temas, ó filha de Sião; eis que O TEU REI vem assentado sobre o filho de uma jumenta" (João 12:15).
"Tornou pois a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o REI DOS JUDEUS?" (João 18:33).
"Disse-lhe pois Pilatos: Logo TU ÉS REI? Jesus respondeu: Tu dizes que EU SOU REI. Eu PARA ISSO NASCI, E PARA ISSO VIM AO MUNDO, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a Minha voz" (João 18:37).
"E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS" (João 19:19).
"Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é O CRISTO [ou, MESSIAS], o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome" (João 20:31).
João 20:31 confirma tudo isto.
"JESUS POIS OPEROU TAMBÉM EM PRESENÇA DE SEUS DISCÍPULOS MUITOS OUTROS SINAIS, que não estão escritos neste livro.
"ESTES, PORÉM, FORAM ESCRITOS para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (João 20:30,31).
Certamente que à luz da verdade Paulina o registo dos sinais do ministério terreno do nosso Senhor não pretendiam conduzir os homens a reconhecerem-No como Cabeça do Corpo, mas antes como seu Rei divino, e é isto que João 20:31 diz.
A maioria dos estudiosos da Bíblia dizem que Mateus apresenta o nosso Senhor como Rei, enquanto João O apresenta como Deus. O facto é que ambos apresentam-No como Rei. A diferença reside no facto de Mateus considerar o Seu Messiado dispensacionalmente, enquanto que João considera o Seu Messiado doutrinalmente.
Mateus abre o seu Evangelho declarando o relacionamento legítimo de Cristo com os Concertos Davídico e Abraâmico, e trata da proclamação do reino, a constituição do reino, os mistérios do reino, e os sinais que conduzem ao reino, enquanto que João trata da Pessoa de Cristo como o Messias, o Ungido de Deus.
É interessante notar que apesar de ser verdade que João enfatiza realmente a divindade do nosso Senhor mais do que os escritores dos outros Evangelhos, outras comparações mostram que o Seu Messiado é apresentado ainda mais enfaticamente em João do que em Mateus. Por exemplo, Ele é referido como “o Cristo” 17 vezes em João, 9 vezes em Mateus. Ele é referido como “Rei” 13 vezes em João, 9 vezes em Mateus.
Como membros do Corpo de Cristo, nós invocamos “o nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Cor. 1:2), e “esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fil. 3:20), não o Messias, o Cristo.
- C.M.O.
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