AS RIQUEZAS DE CRISTO NA PROFECIA E NO MISTÉRIO

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     “A mim [Paulo], o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os Gentios, por meio do Evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo” (Efésios 3:8).

     Neste versículo temos uma palavra que os tradutores normalmente traduzem por “incompreensíveis”. Literalmente, na língua Grega, esta palavra significa “não tracejáveis”, Na verdade, as riquezas de Cristo são incompreensíveis no sentido de estarem para além da nossa compreensão, mas o significado da palavra em Efésios 3:8 é “não tracejáveis” e não “incompreensíveis”.

 

 AS RIQUEZAS DE CRISTO NA PROFECIA

     Em Lucas 24 temos o registo de uma aparição do Senhor após a Sua ressurreição. Nessa altura Ele disse aos Seus discípulos (Vers. 44,45) que todas as coisas escritas, nos Profetas e nos Salmos, a respeito d’Ele se cumpririam, e abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras.

     Certamente que naquela altura as Escrituras eram as do Velho Testamento. O Senhor mostrou aos Seus discípulos as Suas riquezas tracejáveis na Profecia. Era necessário que os Seus apóstolos compreendessem estas coisas antes de poderem começar a sua grande obra Pentecostal.

     Assim, vemos que quando Pedro pregou o seu grande sermão no dia de Pentecostes (Atos 2), tudo o que ele disse podia ser traçado no Velho Testamento.

     Ele principiou com as palavras: “Varões judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras” (ver. 14).

     Depois citou e explicou a profecia de Joel. Depois, ainda, tomou a profecia de David no Salmo 16:8-11, mostrando-lhes nos versículos 30,31 que, segundo as Escrituras, Cristo tinha de ressuscitar para se assentar no trono de David. E exortou-os ao arrependimento, e ao batismo para a remissão dos pecados, porque “a promessa” lhes dizia respeito (vers. 38,39). Isso resultou em quase 3.000 convertidos com a entrega de todos os seus bens, uma vez que se o reino estava próximo eles não tinham necessidade de bens ou posses individuais.

     Os quase 3.000 crentes foram acrescentados aos outros muitos crentes em Cristo por toda aquele território naquela altura. Paulo diz-nos em 1 Cor. 15:6 que o Senhor, numa ocasião, após a Sua ressurreição, “apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez”. Isto pode ter sido na Galileia, pois antes da Sua morte Ele disse: “Mas, depois de Eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galileia” (Mateus 26:32).

     No seu segundo sermão em Atos 3, Pedro incitou de novo os seus ouvintes ao arrependimento e à conversão, porque Deus estava então a cumprir diante dos seus olhos as coisas que tinha anunciado “pela boca de todos os Seus profetas” (Vers. 18,19). Pedro prometeu-lhes o retorno de Cristo e “a restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os Seus santos profetas, desde o princípio (Vers. 20,21). Ele citou Moisés e continuou a dizer-lhes que Samuel e todos os profetas depois dele, tinham profetizado aqueles dias, lembrando-lhes que eles eram filhos dos profetas e do concerto.

 

AS RIQUEZAS DE CRISTO NO MISTÉRIO

     Ora, em contraste com todas estas coisas que foram ditas pelos profetas desde o princípio do mundo, encontramos uma outra linha de verdade proclamada por um outro apóstolo, que não pertencia aos Doze. Cerca de 25 anos depois de Pentecostes, este apóstolo, Paulo, escreveu aos crentes em Roma deste modo: “Ora, Àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a REVELAÇÃO DO MISTÉRIO que desde tempos eternos esteve OCULTO” (Romanos 16:25).

     Vemos, então, claramente nas Escrituras, duas pregações de Jesus Cristo: uma segundo as coisas profetizadas, e outra segundo as coisas ocultas desde os tempos eternos – até serem tornadas conhecidas por revelação ao Apóstolo Paulo. As coisas profetizadas eram tracejáveis; as ocultas não tracejáveis; e às coisas não tracejáveis Paulo chamou de “o Mistério”. Em Efésios 3 ele escreve: “Este Mistério foi-me manifestado por revelação … O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens … A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do Evangelho, as riquezas incompreensíveis [ou, não tracejáveis] de Cristo. E demonstrar a todos qual seja a dispensação do Mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus …” (vers. 3-9).

     A Versão de Philips e algumas outras usam a palavra “segredo”, em vez de “mistério”1. Foi por revelação direta que Cristo, da glória, revelou a Paulo as coisas secretas que não são encontradas nas Escrituras da profecia. Estas coisas dizem respeito ao Corpo de Cristo com a sua chamada celestial, e às suas grandes doutrinas da eleição, justificação, santificação, glorificação, identificação, do Arrebatamento, etc.. Em Pentecostes, Pedro e os outros não ensinaram estas grandes verdades. Eles apenas conheciam as coisas da Profecia, as coisas que pertencem a Israel, o Reino e a glória terrena do Senhor Jesus Cristo.

     C. H. Mackintosh, um dos primeiros expositores bíblicos dos chamados “irmãos”, diz a respeito dos capítulos iniciais dos Atos, “ainda era o reino e não o grande Mistério da Igreja”, (nas suas notas finais sobre Elias o Tisbita). E Sir Robert Anderson, no seu livro Silence of God (O Silêncio de Deus), capítulo 5, defende que a primeira porção dos Atos é o complemento e remate dos Evangelhos. William R. Newell escreveu nas suas Lessons on Acts (Lições nos Atos), (Anexo à sua primeira edição de Romans (Romanos), 1925), “Depois dos Judeus terem crucificado o Messias, Deus deu à nação uma grande oferta de salvação nacional. É o que nos revela a história inicial do Livro dos Atos … Pentecostes teria introduzido Israel nas coisas do reino se eles tivessem aceite o Messias que então lhes foi oferecido”.

     Uma das muitas inconsistências do nosso tempo é muitos crerem que a Igreja do Mistério – o Corpo de Cristo – começou em Pentecostes. Paulo, a quem foi dada a revelação do Mistério, não faz caso de Pentecostes, pois Pentecostes pertencia ao programa da Profecia, o programa do Reino, e ele diz-nos em Gálatas 1:15-17 que “… quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela Sua graça, revelar Seu Filho em mim, para que O pregasse entre os Gentios, não consultei a carne nem o sangue, nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos …”. Ele diz nos versículos 11 e 12: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO”.

     É o Apóstolo que exclama: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo …” (Gálatas 6:14). A Profecia, com o seu programa do Reino, e o Mistério, com o seu programa do Corpo, são ambos edificados em fundamento único – Jesus Cristo crucificado, sepultado e ressuscitado. Neste fundamento único assentam dois corpos de verdade distintos: um, terreno; o outro, celestial. Para se ver isto é necessário "manejar [ou dividir] bem a Palavra da verdade (2 Timóteo 2:15). Não foi antes de Deus ter adiado os Seus propósitos acerca do Reino para este mundo, quando a nação de Israel rejeitou a mensagem Pentecostal, que Ele levantou este novo Apóstolo, Paulo, a quem deu a nova revelação, e sob o seu ministério introduziu a Igreja do Mistério – o Corpo de Cristo. “Eu pus o fundamento”, escreve Paulo, em 1 Coríntios 3:10, “mas veja cada um como edifica sobre ele”.

 

CONCLUSÃO

     Mas em vez de verem estas distinções, e assim “dividirem bem” a Palavra da verdade, muitos hoje estão a tentar “harmonizar” a Palavra da verdade; a tentar fazer com que as Escrituras do Mistério se conformem às Escrituras da Profecia. Alguns tentam ler o princípio do Corpo de Cristo em Pentecostes; outros tentam identificá-lo com o Remanescente crente em Israel ao longo dos séculos – a igreja que estava em Israel. Outros ainda, tentam fundamentá-lo em Pedro, ou começam-no com João Batista. Alguns tentam incluir a ressurreição do Corpo de Cristo (1 Tessalonicenses 4:16) na “primeira ressurreição” de Apocalipse 20:6; ainda outros tentam fazer com que seja uma “fase” desta “primeira ressurreição”.

     Alguns tentam harmonizar a grande comissão da reconciliação de 2 Coríntios 5:18-20, que nos foi dada pelo Senhor ressuscitado e ascendido, com a grande comissão do Reino de Mateus 28:19,20, que foi dada por Cristo, apenas ressuscitado, ao apostolado judaico. Alguns tentam acrescentar o batismo na água (uma ordenança purificadora Judaica e do Reino) aos méritos da morte de Cristo para a nossa salvação; outros tentam envolver o batismo na água com o nosso batismo em Cristo (Gálatas 3:27). Outros ainda tentam usar o batismo na água como um símbolo de sepultura da nossa identificação com Cristo na Sua morte para a nossa salvação (Romanos 6:4; Colossenses 2:12). Mas nas Escrituras a água não é usada como um símbolo de morte, mas como um símbolo de vida. Foi na Sua morte que nós fomos sepultados com Ele, quando Ele morreu (Romanos 6:4).

     O corpo de verdade revelado por meio de Paulo não deve ser harmonizado desta maneira com o resto da Bíblia; um tal “harmonizar” não é “a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério” (Romanos 16:25). Em parte alguma nós somos instruídos a seguir este método, mas a vermos a mensagem paulina como uma revelação separada e distinta, envolvendo um povo separado e distinto. Este povo – a Igreja do Mistério – é um grupo destinado ao Céu. A sua origem foi celestial, escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo (Efésios 1:4). Foi batizado por um só Espírito (o Espírito santo de Deus) num só corpo (1 Coríntios 12:13). A sua presente posição é celestial; sentados juntamente nos lugares celestiais, em Cristo (Efésios 2:6). A sua entrada neste mundo, como a sua saída através do Arrebatamento (1 Tessalonicenses 4:17) somente Deus as conhece. Não se reconhecem no calendário da terra. É o corpo de Cristo.

     “E estais perfeitos n’Ele” (Colossenses 2:10).

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1 A Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) traduz por “o Seu plano secreto”.

- Anónimo

 

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