Dispensacionalismo coerente (5)

Coerência;">

MOTIVAÇÃO APROPRIADA

     O Evangelho da graça de Deus também nos dá a motivação adequada para vivermos justamente diante de Deus. A nossa principal motivação para viver como devemos é o amor irresistível de Deus que é derramado sobre nós (Romanos 5: 5; II Coríntios 5:14; Gálatas 5:6; Ef 2:4; 3:19). É este amor que deve motivar-nos a, por sua vez, amar a Deus e aos outros (Efésios 5: 2).

     A razão porque somos separados do mundo e para Deus não é por causa de alguma mentalidade legalista, mas por causa do nosso amor pelos outros. Paulo diz que ele tem o cuidado de não ofender os não salvos (quer Judeus, quer Gentios) ou os salvos (a igreja de Deus) e que ele não busca o seu próprio proveito, "mas o de muitos, para que assim se possam salvar" (I Cor. 10:32-33).

     É por isso que nos abstemos de certas atividades. Não porque pensemos que somos mais piedosos ou santos do que outros, mas para garantir que não colocamos uma pedra de tropeço à sua frente (ou seja, fazê-los cair) espiritualmente.

     “Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não agradou a Si mesmo, mas, como está escrito: Sobre Mim caíram as injúrias dos que Te injuriavam” (Rom. 15:1-3).

     E:

     “Mas vede que essa liberdade não seja dalguma maneira escândalo para os fracos … E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo” (I Cor. 8:9,11,12).

     Nós vemos que o amor e a graça de Deus para connosco e o nosso amor pelos outros por causa do Evangelho devem-nos restringir a viver de forma justa e santa neste presente século mau. A nossa motivação não deve ser o que nos agrada, mas o que leva à edificação e salvação dos outros.

     Outro aspeto raramente mencionado da dispensação da Graça que nos deve motivar a andar como devemos, é o Tribunal de Cristo. Como mordomos, seremos obrigados a prestar contas a Deus sobre o modo como administrámos o Evangelho que Ele nos confiou (Romanos 14:12; I Cor. 4: 2; II Coríntios 5:10).

     Nós nunca precisamos de nos preocupar com a condenação eterna ou o juízo pelo pecado porque isso foi pago pelo sangue de Cristo e nós estamos seguros n’Ele (Romanos 8:31-34; Col. 2:10). No entanto, teremos de prestar contas. Assim como o amor de Deus nos impele a servi-Lo (como o de um filho que quer agradar ao seu pai terreno), o receio de Lhe desagradar também nos motiva. Assim como um filho terreno não quer experimentar o descontentamento do seu pai, nós também nos devemos preocupar com o descontentamento do nosso Pai no Tribunal de Cristo.

     Mas devemo-nos lembrar que o descontentamento não equivale a condenação ou perda de filiação. O meu filho pode fazer algo que me desagrada, mas isso nunca mudará o facto de que ele é meu filho e herdeiro. Embora não haja nada que possa mudar o facto estabelecido de que somos filhos de Deus e herdeiros com Cristo, isso não significa que o nosso Pai não possa estar descontente connosco, tanto aqui como no Tribunal de Cristo.

     É por isso que Paulo, falando sobre os filhos de Israel, escreve em I Coríntios 10:5, "Mas Deus não se agradou da maior parte deles, pelo que foram prostrados no deserto". E ele continua dizendo: "E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram"(I Cor. 10:6). Paulo está a dizer que, assim como Deus não estava satisfeito com muitos (não poucos) dos israelitas, muitas vezes ele não está satisfeito com a Igreja hoje, o Corpo de Cristo - num sentido prático. Os israelitas ainda eram o Seu povo escolhido. Nós ainda somos membros do Corpo de Cristo. Mas estar no Corpo de Cristo e conhecer certas verdades não significa que vivamos de modo a agradar a Deus.

     Alguns crentes têm infelizmente (e para seu prejuízo) interpretado mal II Timóteo 2:15. Eles pensam equivocadamente que "estudar” – “Estuda para te apresentares aprovado perante Deus, como obreiro que não tem necessidade de se envergonhar, que divide bem a Palavra da verdade (versão King James) - simplesmente significa estudar academicamente a Palavra de Deus e conhecer os factos sobre o programa de Deus para hoje, como revelado pelo apóstolo Paulo.

     "Estudar" significa ser diligente. Diligente para quê? Diligente com o fim de ser "aprovado diante de Deus". Aprovado diante de Deus refere-se ao Tribunal de Cristo (II Cor. 5:10). O que será julgado no Tribunal de Cristo? O nosso conhecimento das Escrituras? O nosso conhecimento da "divisão correta", do manejo correto? Não! O que será julgado no Tribunal de Cristo são " o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal". Note que são nossas obras que serão julgadas – o nosso andar, não o nosso falar.

     A última parte de II Timóteo 2:15 "dividir bem [ou manejar bem] a Palavra da verdade" é o meio para o fim, não o fim em si. A divisão correta da Palavra da verdade ou o conhecimento do programa de Deus para hoje é o que nos dá o meio ou o modo de sermos diligentes e vivermos a nossa vida de tal forma que sejamos "aprovados a Deus" no Tribunal de Cristo.

Nota:
A "síndrome da terceira geração" é a tendência de os cristãos da terceira geração se desviarem da fé. A primeira geração de pessoas salvas tende a ser entusiasmada e ferve pelas coisas do Senhor. Os filhos da primeira geração estão na igreja e salvos, mas tendem a ser menos entusiasmados com as coisas do Senhor. Na terceira geração, muitos filhos tornam-se tipicamente envolvidos nominalmente na igreja, ou não estão sequer envolvidas nas coisas de Deus, ou, em pior cenário, nem sequer estão salvos. 

(FIM)
- David M. Havard

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