Ser genuíno

william_macdonald.jpg     “O que primeiro começa o seu pleito justo parece; mas vem o seu companheiro, e o examina” (Prov. 18:17).

     A primeira parte deste versículo aponta para uma falha que é comum na maioria de nós - invariavelmente revelamos sinais de nos colocarmos à melhor luz possível. Isto surge muito naturalmente em nós. Por exemplo, podemos reter factos que provariam ser prejudiciais para nós e concentramo-nos nos nossos pontos bons. Comparamo-nos com outros cujas falhas são mais evidentes. Colocamos a culpa das nossas acções sobre os outros. Atribuímos motivos piedosos para acções que são manifestamente erradas. Torcemos e distorcemos os factos até eles terem apenas uma fraca semelhança com a realidade. Usamos palavras emocionalmente coloridas para pintar um quadro mais favorável.

     Adão culpou Eva, "A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi" (Gn 3:12). Eva culpou o diabo, "A serpente me enganou, e eu comi" (Gn 3:13).

     Saul defendeu a sua desobediência por poupar as ovelhas e os bois dos amalequitas, atribuindo um motivo piedoso: "Mas o povo tomou do despojo … para oferecer ao Senhor teu Deus em Gilgal" (1 Sm 15:21).. Ele também sugeriu, é claro, que se houvesse culpa, era do povo, não dele.

     David mentiu a Aquimeleque, a fim de obter armas, dizendo que "o negócio do rei era apressado" (1 Sam. 21:8). Realmente, David não estava no negócio do rei; ele estava a fugir do rei Saul.

     A mulher no poço omitiu a verdade. Ela disse: "Não tenho marido" (João 4:17). Na verdade, ela tinha tido cinco maridos e agora estava a coabitar com um homem com quem não estava casada.

     E assim por diante! Por causa da nossa natureza decaída, herdada de Adão, é-nos difícil sermos inteiramente objectivos, ao apresentarmos o nosso próprio lado de uma questão. A nossa tendência é descrevermo-nos à luz mais favorável. Nós podemos ser tolerantes com o pecado na nossa vida quando condenamos energicamente o mesmo pecado na vida dos outros.

     “O que primeiro começa o seu pleito justo parece; mas vem o seu companheiro, e o examina”, isto é, quando o seu próximo tem a oportunidade de testemunhar, ele dá uma apresentação mais precisa dos factos. Ele expõe todas as tentativas subtis de reabilitação e auto-justificação. Ele conta a história sem distorções.

     Em última análise Deus é o nosso Próximo - Aquele que traz à luz as coisas ocultas das trevas e revela os pensamentos e intenções do coração. Ele é luz e n’Ele não há trevas algumas. Se caminhamos em comunhão com Ele, sem nuvens, devemos ser sinceros e honestos em todo o nosso testemunho, mesmo que isso resulte em nosso prejuízo.


William MacDonald
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