Ser Diletante – ou divertir sem levar nada a sério

william_macdonald.jpg     “E eis que tu és para eles como uma canção de amores, canção de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra” (Ez.33:32).

     Uma das ironias da proclamação da palavra do Senhor é que as pessoas ficam muitas vezes extasiadas com o orador, mas não com a mensagem que exige uma acção da sua parte.

     Isto é verdadeiro com a pregação pública. As pessoas admiram o pregador. Lembram-se das suas piadas e ilustrações. Ficam suspensas com a sua dicção. Como a mulher que disse: "Eu quase que choro cada vez que o meu ministro diz a bendita palavra ‘Mesopotâmia’." Mas ficam paralisadas no que concerne à obediência. Ficam imunizadas contra a acção. Ficam anestesiadas pela voz agradável.

     Isto trata-se de uma síndrome familiar para os que exercem um ministério de aconselhamento. Há pessoas que obtêm uma satisfação secreta de ser aconselhadas. Elas vicejam ao ser o centro das atenções durante aquela breve hora ou coisa assim. Elas gostam tanto da comunhão do conselheiro que se tornam aconselhadas crónicas.

     Presumivelmente, elas vêm receber aconselhamento. Mas realmente não é de conselho que querem. As suas mentes já estão formadas. Elas sabem o que querem fazer. Se o parecer do conselheiro coincidir com seu próprio desejo, então elas ficam animadas. Se não, rejeitarão o seu conselho e prosseguirão no seu caminho obstinado.

     O Rei Herodes pertencia a esta classe de diletantes. Ele costumava ouvir com agrado João Baptista (Mc 6:20), mas era um diletante superficial. Ele não tinha intenção de deixar que a mensagem mudasse a sua vida.

     Erwin Lutzer escreve: "Eu descobri que o problema mais frustrante em ajudar os que vêm para aconselhamento é simplesmente que a maioria das pessoas não quer mudar. Claro, estão preparadas para fazer pequenos ajustes - especialmente se o seu comportamento está a metê-las em apuros. Mas a maioria está confortável com o seu pecado, enquanto puderem controlar as coisas. E muitas vezes preferem que Deus mantenha a Sua actividade nas suas vidas reduzida ao mínimo."

     Alguns conselheiros têm desenvolvido um estratagema para colmatar o fosso entre o ouvir e o fazer. Eles dão ao aconselhado uma tarefa específica - algo que este deve fazer antes de aparecer para outra sessão. Isso tende a eliminar os que não são sérios. Isto impede o desperdício de tempo para ambos.

     É grave chegarmos ao patamar da vida em que podemos ouvir a Palavra de Deus e não sermos movidos por ela. Devemos orar para continuarmos a ter uma sensibilidade contínua à voz do Senhor e prontidão para realizarmos o que Ele diz. 

William MacDonald
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