O Natal da Guerra Civil

Kirkland Memorial (U.S. National Park Service) 

    

     Eis que a virgem conceberá e dará à luz um Filho, e chamá-Lo-ão pelo nome de Emanuel, que traduzido é: Deus connosco. – Mateus 1:23

      Conta-se a história de um ato de amor muito bonito e ousado que aconteceu numa das batalhas mais sangrentas da Guerra Civil americana. Faltavam 11 dias para o Natal. A paz e a boa vontade estavam longe dos pensamentos de 200.000 soldados da União e da Confederação que se confrontavam na ampla e sangrenta arena de Fredericksburg, Virgínia, em 14 de dezembro de 1862.

     Os últimos dias tinham sido horríveis, com mais de 12 mil soldados mortos. O sargento Richard Kirkland, de 19 anos, já tinha visto o suficiente. Kirkland foi ter com o general confederado Joseph Kershaw. “General”, disse ele, “não suporto isto! Ouço durante a noite toda aqueles pobres da União a pedir água e não aguento mais. Peço permissão para ir dar-lhes água.”

     Kershaw ficou atordoado. Eles eram o inimigo. “Sargento”, respondeu ele, “receberá uma bala na cabeça no momento em que passar por cima do muro de pedra para a planície”.

     “Sim, senhor”, respondeu Kirkland. “Eu sei disso, mas se me der permissão, estou disposto a tentar.” O general respondeu: “O sentimento que o inspira é tão nobre que não recusarei o seu pedido. Deus o proteja. Pode ir."

     Depressa, este jovem soldado de 19 anos da Carolina do Sul, pulou o muro e expôs-se de imediato ao fogo dos atiradores de elite ianques. Kirkland caminhou calmamente em direção às linhas da União até chegar ao soldado ferido mais próximo. Ajoelhando-se, pegou no cantil e levantou suavemente a cabeça do soldado para lhe dar um longo e profundo gole de água fresca e refrescante. Ele colocou uma mochila debaixo da cabeça do inimigo e passou ao próximo.

     Ele repetiu este processo inúmeras vezes até bem depois do anoitecer. Como observou um escritor: “As tropas de ambos os lados que assistiam a este ato altruísta prestaram ao jovem Kirkland o tributo supremo – não uma ovação de pé, mas um silêncio respeitoso e de admiração”.

     Gosto muito desta história porque atinge o cerne do Natal e da fé cristã. O que Richard Kirkland fez no dia 14 de Dezembro reflete o espírito do verdadeiro Natal, a celebração do nascimento d’Aquele que poderia ter permanecido dentro dos confins seguros do Céu, mas escolheu aventurar-se em território hostil para dar às almas sedentas um gole de Água Viva.

     Que a Terra fique em silêncio. O Salvador veio.

 

APROFUNDANDO:

1. Quais são as implicações na tua vida de Mateus 1:23, “Deus connosco”?

2. Do mesmo modo que este homem ofereceu água aos inimigos feridos, como é que Cristo oferece Água Viva à humanidade de acordo com João 4:10?

LEITURA ADICIONAL:

Isaías 7:14; João 3:16; Romanos 5:8

Por Jim Burns

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