Sê verdadeiramente tu próprio – sabe como

cs lewis

 

    Algo de semelhante se passa entre Cristo e nós. Quanto mais nos libertamos de “nós mesmos” e deixamos que seja Ele quem nos dirige, tanto mais verdadeiramente nos tornamos nós mesmos. Se foi Ele quem nos criou a todos! Inventou – tal como um escritor inventa as personagens de uma novela – cada um desses diversíssimos “homens novos” que nós estamos destinados a ser. Neste sentido, os nossos verdadeiros “eus” estão todos à nossa espera n'Ele. De nada nos adianta procurarmos ser “nós mesmos” sem Ele.

     Quanto mais eu resistir a Cristo, quanto mais tentar viver por conta própria, mais me verei dominado pela minha hereditariedade, pela minha educação, pelas minhas circunstâncias e pelos meus desejos naturais. Aquilo a que tão orgulhosamente chamo “eu” torna-se simplesmente o ponto de encontro de uma cadeia de acontecimentos que não pus em movimento e que não sou capaz de deter. Aquilo a que chamo “as minhas intenções” reduz-se simplesmente aos desejos do meu organismo físico, aos pensamentos que me foram soprados por outros homens ou mesmo às sugestões dos demónios.

     No meu estado natural, não sou nem metade da pessoa que imagino ser; praticamente tudo aquilo a que dou o nome de “eu” pode encontrar uma explicação muito fácil. É somente quando me volto para Cristo, quando me entrego à Sua personalidade, que começo a ter personalidade própria.

    Sabemos que há três Pessoas em Deus. Agora vou mais longe. Não há pessoas reais em lugar algum fora de Deus. Enquanto não estiveres abandonado n’Ele o teu “eu” não será um “eu” autêntico, não será uma pessoa. A uniformidade encontra-se muito mais entre os homens “naturais” do que entre aqueles que se entregaram a Cristo. Como foram monotamente iguais todos os grandes tiranos e conquistadores! Como são gloriosamente diferentes os santos!

     Mas, para isso, tem de haver uma verdadeira entrega do “eu”. Tens de lançá-lo fora, “às cegas”, por assim dizer. Sem sombra de dúvida, Cristo dar-te-á uma personalidade real, mas não deves procurá-Lo por isso. Enquanto a tua verdadeira preocupação continuar a ser a tua própria pessoa, ainda não estarás à procura de Cristo. O primeiríssimo passo é tentares esquecer-te inteiramente do teu “eu”. O teu autêntico novo “eu” (que é de Cristo e também teu, e teu unicamente por seres d’Ele) não aparecerá enquanto o buscares; surgirá apenas quando estiveres em busca de Cristo.

     Isto parece-te estranho? Ora, o mesmo princípio se aplica a assuntos muito mais comezinhos. Até na vida social, nunca causaremos uma boa impressão às pessoas enquanto não pararmos de nos preocupar com a impressão que causamos. Mesmo na literatura e na arte, nenhum homem que se preocupe com a originalidade chegará a ser original; ao passo que, se se limitar a dizer a verdade, nove em dez vezes ter-se-á tornado originalíssimo sem sequer o perceber.

     É um princípio que percorre a vida inteira, do começo ao fim. Entrega-te a ti mesmo e encontrarás o teu verdadeiro “eu”. Perde a tua vida e salvá-la-ás. Submete-te à morte, à morte das tuas ambições e dos teus desejos prediletos todos os dias, e à morte de todo o teu corpo no fim: submete-te a ela com cada fibra do teu ser, e encontrarás a eternidade. Não tentes reter nada. Nada que não tenhas entregado chegará a ser realmente teu. Nada em que não tenhas morrido ressuscitará jamais dentre os mortos. Busca-te a ti mesmo, e a longo prazo só encontrarás ódio, solidão, desespero, rancor, ruína e decadência. Busca a Cristo e encontrá-lo-ás, e, com Ele, tudo o mais – por acréscimo.

C. S. Lewis, Mero Cristianismo

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