A cruz de Cristo (II)

Paul Sadler

     O Salmo 22 é dividido em duas partes: os sofrimentos espirituais de Cristo e os Seus sofrimentos físicos. O Salmo começa com a expressão “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” e termina com “Porquanto Ele o fez” (versículo 31), ou em Hebraico, “Está terminado!” A frase “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” foi uma das últimas proferidas por Cristo enquanto pregado na Cruz. A palavra “desamparado” é uma das palavras na linguagem humana que mais fortemente transmite um sentido de abandono e tragédia. É difícil para nós compreender como, por exemplo, uma mãe pode abandonar o seu recém-nascido, mas infelizmente tal acto é comum nos nossos dias. Ficamos estupefactos quando ouvimos acerca de um homem que abandona a sua mulher depois de tantos anos juntos. Perguntamos “Porquê?”. Nós temos dificuldade em acreditar, mas muito menos conseguimos aceitá-las.
 

     Mas quando o Filho de Deus afirmou na Cruz que tinha sido desamparado pelo Pai, de certeza isso nos deixa admirados. Uma das coisas que caracterizava sem qualquer dúvida a vida de Cristo aqui na terra era a inquebrável comunhão que Cristo gozava com o Pai. O silêncio do Céu foi quebrado mais do que uma vez, quando por exemplo o Pai disse: “Este é o Meu amado Filho, em quem Me comprazo; escutai-O.” (Mateus 17:5). Mas agora, no momento e na hora mais negra pela qual o Senhor Jesus Cristo passou, o Pai desamparou o seu Filho. Porquê? Esta, com certeza, foi uma das perguntas que pesava no coração do Senhor Jesus Cristo, enquanto procurava entender o porquê de ter sido humanamente falando, abandonado.

     Enquanto descia a escuridão desde a hora sexta até à hora nona no dia em que Cristo morreu, Ele afirmou, ” Deus meu, eu clamo de dia, e Tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego… Em Ti confiaram nossos pais; confiaram, e Tu os livraste.” (Salmos. 22:2,4). Aqui temos os pensamentos íntimos de Cristo, enquanto estava pregado naquela Cruz.

     Este é o único lugar na Palavra de Deus onde nos é dito o que o nosso Salvador estava realmente pensando enquanto as trevas caíam sobre a Palestina. Apenas o Espírito de Deus podia dar-nos esta preciosa revelação por intermédio do profeta. O Senhor Jesus Cristo argumentou com o Pai, “Em Ti confiaram nossos pais; confiaram, e Tu os livraste.” Enquanto o Filho considerava a história de Seu povo, Ele recordou de como Sansão os libertou das mãos dos Filisteus; Daniel da boca de leões famintos; e Sadrach, Mesach, and Abed-nego do fogo da fornalha ardente. Mas para o Filho de Deus não haveria qualquer tipo de libertação, que foi predestinado a sofrer pelos pecados do Seu Povo; na realidade, pelos pecados do mundo!

     O Filho respondeu à Sua própria questão do porquê do abandono por parte do Pai no versículo 3: “Porém Tu és Santo, o que habitas entre os louvores de Israel.” O Pai é Santo, o que nos indica a sua perfeita moral. O pecado, sem qualquer tipo de excepção, é uma violação à Sua santidade. Os nossos pensamentos finitos nunca poderão alcançar a majestade e a perfeição da santidade de Deus. Ele é infinitamente puro. Isto ajuda-nos a compreender o propósito do véu no tabernáculo: separava um Deus Santo de Seu povo pecador. Isaías e o Rei Uzias ambos tiveram um encontro com a santidade de Deus, mas como vamos ver com resultados totalmente opostos.

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