Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVIII – Atos 28:1-16 (5)

Acts dispensationally considered

 

A CHEGADA A ROMA

 

     “Três meses depois, partimos num navio de Alexandria, que invernara na ilha, o qual tinha por insígnia Castor e Pólux.

     “E, chegando a Siracusa, ficamos ali três dias,

     “Donde, indo costeando, viemos a Régio; e, soprando, um dia depois, um vento do sul, chegamos no segundo dia a Putéoli,

     “Onde, achando alguns irmãos, nos rogaram que por sete dias ficássemos com eles; e depois nos dirigimos a Roma.

     “E de lá, ouvindo os irmãos novas de nós, nos saíram ao encontro à Praça de Ápio e às Três Vendas, e Paulo, vendo-os, deu graças a Deus e tomou ânimo.

     “E, logo que chegamos a Roma, o centurião entregou os presos ao general dos exércitos; mas a Paulo se lhe permitiu morar por sua conta, com o soldado que o guardava.”

 

- Atos 28:11-16.

 

     Finalmente, chegou a hora de deixar Melita, já que outro “navio de Alexandria”, que ali passara o inverno, estava prestes a partir para a Itália.

     “A insígnia” sob a qual este navio navegava era “Dioscuri”, significando Castor e Pólux, os filhos gémeos de Júpiter e Leda. Estes gémeos lendários eram identificados como as duas estrelas brilhantes na constelação de Gémeos e adorados como divindades patronas e as estrelas guias dos marinheiros. O apóstolo Paulo a bordo deste navio, “protegido” por deuses pagãos, é um exemplo do crente no mundo.

     Siracusa, o primeiro porto em que desembarcaram, era uma importante cidade da Sicília, conservando ainda o mesmo nome. Talvez tenham ficado “ali” durante três dias à espera uma mudança de vento, pois era então necessário chegar a Régio (na ponta do pé da Itália) por uma rota indireta.[1] Mas depois de um dia em Régio um vento sul favorável surgiu, levando-os para norte, até Putéoli, onde chegaram no dia seguinte.

     Putéoli era o porto mais abrigado da baía de Nápoles, situado na extremidade norte. Era então o principal porto de Roma; um porto para os grandes navios de cereais Alexandrinos. Este era o fim da viagem marítima de Paulo para Roma. O resto seria feito a pé.

     Em Putéoli, o apóstolo, sem dúvida com a ajuda de Lucas e Aristarco, conseguiu encontrar um número de irmãos Cristãos. O registo afirma que esses irmãos pediram que Paulo e os seus amigos permanecessem com eles durante sete dias,[2] e a implicação é que Paulo e os seus associados aceitaram. Esta é outra indicação notável do interesse crescente de Júlio em Paulo, pois significava que o centurião e todos os seus soldados e prisioneiros deveriam esperar por uma semana enquanto Paulo ministrava a estes “irmãos”. Sem dúvida, os milagres e ministérios de Paulo em Melita aprofundaram ainda mais o profundo respeito de Júlio por Paulo.

     O facto de os crentes em Cristo poderem ser encontrados em Putéoli lembra-nos as palavras de Paulo em Hebreus 13:24: “Os de Itália [não apenas de Roma] vos saúdam”, e indica quão amplamente o Evangelho da graça de Deus foi proclamado e recebido.[3]

     Mas, poucos quilómetros depois de Putéoli, os viajantes agora viam-se na grande Via Ápia, talvez a estrada mais famosa da antiguidade. Slatius chamou-a de “a rainha das estradas de longa distância”. A parte de Capua a Roma (cerca de 210 kms) foi construída por volta de 312 A.C., mas foi aumentada para chegar a Brundisium por volta de 244 A.C.. Ainda existem marcos e inscrições da sua reparação e, embora construída há mais de dois milénios, partes dessa grande rodovia ainda permanecem intactas.

     Enquanto o apóstolo e os outros se dirigiam a Roma ao longo desta antiga estrada, dois outros grupos vinham de Roma pela mesma estrada para se encontrar com ele. Como eles sabiam da sua chegada? Evidentemente, os crentes em Putéoli enviaram a notícia a Roma, quando Paulo lhes ministrou. Um desses grupos encontrou-o na Praça de Ápio e o outro quinze quilómetros adiante, nas Três Vendas.

     O registo diz, simplesmente, que quando Paulo viu estes irmãos, "ele deu graças a Deus e tomou ânimo”. Mas este breve registo ainda revela muito. Isto indica que a ansiedade e o medo haviam acompanhado a viagem do apóstolo. Ele entraria em Roma como um criminoso, com ninguém além de Lucas e Aristarco para o apoiar? Os crentes Romanos permaneceriam indiferentes?

     No último capítulo da sua epístola aos Romanos, ele enviou saudações pessoais a não menos que vinte e sete membros da igreja ali e mencionara outros. Um número considerável deles ele conhecia intimamente. Muitos desses, sem dúvida, incluiriam as duas felizes comissões de boas-vindas: os seus amados Áquila e Priscila, Febe e Maria, que o ajudaram muito na obra, Andrónico e Junia, seus parentes e “companheiros na prisão”. Estariam estes entre eles? Que tempo de oração e ação de graças devem ter tido; que recordações das suas experiências na proclamação do Evangelho; que discussões sérias e planos em relação à permanência de Paulo em Roma e à audiência que se aproximava perante Nero! A natureza afetuosa do apóstolo refletia-se no amor destes crentes, que tinham vindo até aqui para se encontrar com ele e o tranquilizar. Eles devem ter lido as suas palavras muitas vezes: “Desejo ver-vos”, e agora eles demonstravam o seu desejo de o ver a ele também.

     “Ele deu graças a Deus, e tomou ânimo.” A sua entrada em Roma iria agora assumir um novo aspeto, com estes entes queridos por perto para o confortar e animar.[4]

     Em Roma, Júlio provavelmente teve a sua última oportunidade de demonstrar bondade a Paulo.

     Sem dúvida, a carta enviada a respeito de Paulo (25:26,27) indicava que ele era inocente e que ele tinha apelado para César. Sem dúvida, também, a atitude de Paulo e a presença dos seus amigos o distinguiram como uma personalidade notável, mas a consideração especial dada a ele pelo Capitão da Guarda (ou, General dos Exércitos) pode ter sido devida em grande parte à intercessão e influência de Júlio, o centurião que agora estimava tanto Paulo.

     Assim, quando os prisioneiros foram entregues ao capitão da guarda, só Paulo pôde morar na casa de um amigo[5] - talvez o de seu velho amigo Áquila que, com Priscila, o havia hospedado em ocasiões anteriores. Ele era constantemente vigiado por um soldado, a quem ele provavelmente estava acorrentado. Que ele estava preso por uma corrente é claro no Ver. 20 (cf. Efé. 6:20; Fil. 1:7,13,14,16; Col. 4:18; Filé. 10,13).

 


[1] Costeando ou bordejando.

[2] Como em Troas (20:6) e Tiro (21:4).

[3] Nós não acreditamos na tradição que credita a conversão destes crentes Gentios ao ministério dos doze e seus associados (veja Gálatas 2:2,7,9). Foi o Evangelho de Paulo que alcançou “todas as nações”, “todo o mundo” e “toda a criatura [toda a criação]” (Veja Rom. 16:25,26; Col. 1:6; Col. 1:23). Se os doze, sob a sua “grande comissão”, alcançassem todas as nações, todo o mundo e toda a criação, com o seu “Evangelho do reino", o “fim dos tempos” teria chegado (Veja Mateus 24:14), mas esse programa foi interrompido com a “dispensação da graça de Deus” através de Paulo (Efésios 3:1-4).

[4]  Ele também tinha entrado em Jerusalém com muitos amigos mas ainda com predições terríveis por causa dos avisos do Espírito Santo (Atos 21).

[5] A palavra Grega Xenia, no Ver. 23, indica um lugar onde alguém é hospedado, não uma cela, nem a “casa alugada” do Ver. 30.

 

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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