Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXI – Atos 17:16-34 (2)

Acts dispensationally considered

 

A SINAGOGA E O MERCADO (PRAÇA)  

          Apesar da cidade estar “cheia de ídolos” (TB), ainda havia uma sinagoga ali.

          Deus não estava inteiramente posto de lado! Não foi, portanto, a nenhum dos templos dos ídolos, que rodeavam o apóstolo, que ele se dirigiu em primeiro lugar, mas a esta sinagoga. Os que se encontravam na sinagoga eram os principais culpados das condições que existiam em Atenas, pois em toda parte o povo de Israel havia-se esquecido de que, como semente de Abraão, eles eram os instrumentos da bênção de Deus para o mundo (Génesis 22:17,18). Eles reconheciam o verdadeiro Deus, mas em vez de levarem a Palavra de Deus às nações, eles simplesmente se gloriavam no facto - e isso, enquanto falhavam em obedecer-lhe. Por isso, disse o apóstolo: "O nome de Deus é blasfemado entre os Gentios por causa de vós"(Romanos 2:24).

          Ele viu a cidade cheia de ídolos - "De sorte que disputava na sinagoga com os Judeus" (Ver 17). Os Judeus ainda vinham em primeiro lugar no seu ministério. Deus já havia começado a abandonar Israel e tinha começado a formar o Corpo de Cristo como testemunho às nações, mas a sentença de condenação não deveria ser pronunciada sobre a nação favorecida antes dos Judeus, de Jerusalém a Roma, terem oportunidade de voltar-se para Cristo.

          Se seguirmos o procedimento de Paulo em outras sinagogas, veremos que ele disputava com eles sobre as Escrituras, provando que Jesus era o Cristo prometido e oferecendo-lhes salvação através da Sua obra consumada - algo que Pedro não havia feito em Pentecostes (Atos 13:38,39 cf. Atos 2:38).

          Depois, ele também disputou com os “religiosos” (ou, “Gentios piedosos”, RA, “os não-Judeus convertidos ao Judaísmo”, NTLH, "os que temiam a Deus", TB (ou, “devotos”, “reverentes”, segundo outras traduções), ou seja, os Gentios que passaram a reverenciar o verdadeiro Deus, embora não se tenham tornado prosélitos Judaicos. Terceiro, ele disputava diariamente com os que encontrava “na praça”, ou “mercado”, onde os Atenienses se reuniam todos os dias, não apenas para comprar e vender, mas para discutir as suas várias filosofias. Aqui, o apóstolo quis encontrar-se com muitos que estavam bastante ansiosos por discutir o "fim principal" e o "bem maior" do homem.

 

 

Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXI – Atos 17:16-34

Acts dispensationally considered

 

PAULO EM ATENAS

 UMA TAREFA DIFÍCIL

          “E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria.

          “De sorte que disputava na sinagoga com os Judeus e religiosos e, todos os dias, na praça, com os que se apresentavam.

          “E alguns dos filósofos Epicureus e Estóicos contendiam com ele. Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos. Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição.

          “E, tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas?

          “Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos, pois, saber o que vem a ser isso.

          “(Pois todos os atenienses e estrangeiros residentes de nenhuma outra coisa se ocupavam senão de dizer e ouvir alguma novidade.)”

- Atos 17:16-21.

ATENAS NOS DIAS DE PAULO

          O apóstolo estava agora sozinho em Atenas, a cidade mais famosa da Grécia (então chamada Acaia) e a capital cultural do mundo.

          Séculos antes disso, Atenas ganhou fama mundial pelo seu cultivo das artes liberais. Os poetas e filósofos mais célebres tinham ou nascido ou florescido ali. Os excelentes modelos da estatuária e arquitetura encontravam-se ali. E além disso, praticamente toda religião estava ali representada.

          Embora o sol da glória de Atenas já tivesse começado a pôr-se, esta cidade ainda se distinguia como o centro intelectual, artístico e religioso do mundo.

          Havia o Areópago (Latim: Colina de Ares, ou Marte) assim chamado por causa do lendário julgamento de Ares ali realizado. Aqui os juízes, chamados Areopagitas[1], porque julgavam ali, realmente provavam doutrinas e aqueles que as ensinavam! Acima do Areópago, erguia-se a Acrópole com o Partenon e a sua colossal estátua da deusa Atena.

          Apesar da cidade de Atenas ter continuado até hoje, a sua glória, como toda a glória terrena, já passou. Apenas as ruínas do seu orgulho permanecem.

 

UMA CIDADE DOMINADA PELOS ÍDOLOS

          Enquanto Paulo esperava por Silas e Timóteo,[2] "o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria [Lit .: cheia de ídolos]" (Ver. 16).

          O apóstolo não ficou maravilhado com a beleza da arte e da arquitetura de Atenas, com as suas filosofias subtis e refinadas, com a sua união de religiões. Ele via tudo isto à luz da verdade e da realidade. Ele estava bastante agitado e indisposto com o espetáculo de homens a curvarem-se, não meramente àquilo que as suas próprias mãos haviam feito, mas às forças espirituais do mal que os induziam a "[honrar e servir] a criatura mais do que o Criador" (Rom. 1:25 cf. Dan. 10:21, Efésios 2:2, 6:12). E ele ficou chocado com o pecado que acompanhava essas religiões pagãs (Rom. 1:26-32).

          Com toda a sua ufanada sabedoria, os atenienses não conseguiam sequer contentar-se com um só deus! Um adorava esta "divindade" e outro aquela. A maioria adorava diferentes deuses em diferentes ocasiões. A confusão era tão grande que Plínio diz que na época de Nero, Atenas continha mais de 3.000 ídolos públicos, além dos inúmeros ídolos possuídos por indivíduos. Em todas as mãos havia estátuas a deuses e semideuses. Praticamente todas as "divindades" estavam representadas, incluindo as "desconhecidas". Petrónio (Satíricon XVII) diz com humor que era mais fácil encontrar em Atenas um deus do que um homem, e a nossa Escritura declara que a cidade estava "cheia de ídolos" (TB).

          Os filósofos atenienses não haviam resolvido nada. Eles tinham apenas demonstrado a desalentada bancarrota da sabedoria humana e a absoluta depravação da natureza humana. A miríade de superstições de Atenas era apenas uma prova de que a incredulidade, apesar de se gloriar de inteligência superior, é sempre mais crédula do que a fé. As suas estátuas vis eram apenas uma evidência do baixo nível moral a que suas religiões a tinham deixado afundar.[3]

___________________________________________________ 

[1] Um deles parece ter sido salvo durante a visita de Paulo a Atenas (Ver. 34).

[2] Ele permaneceu sozinho em Atenas por mais algum tempo, pois apesar de ter mandado dizer a Silas e Timóteo que "fossem ter com ele o mais depressa possível" (Ver. 15) quando Timóteo veio a Atenas, trazendo notícias dos sofrimentos dos crentes Tessalonicenses, Paulo não suportou mantê-lo, mas novamente "de boa mente quisemos deixar-nos ficar sós em Atenas" e mandou-o de volta para os confortar e exortar na fé (1Ts 3:1-5). Considerando a distância entre as igrejas da Macedónia e Atenas, Paulo deve ter passado um período considerável de tempo em Atenas e, na maior parte do tempo, sozinho, exceto quando convertidos eram ganhos. Assim ele sacrificou-se pelo bem daqueles que ele tinha sido forçado a deixar. Timóteo, com Silas, acabaram por se reunir a Paulo em Corinto (Atos 18:5) trazendo boas notícias da Macedónia (1Ts 3:6,7).

[3] A exaltação do vício por Atenas teve muito a ver com a queda do Império Grego e agora estava mesmo a minar a força de Roma.

 

 

Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXX – Atos 17:1-15 (2)

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OS JUDEUS INCITAM A PERSEGUIÇÃO

          Além da oposição que haviam enfrentado desde o início, levantar-se-ia agora uma perseguição que forçaria Paulo e Silas a deixar Tessalónica sob o manto das trevas.

          Os Judeus, invejosos do sucesso de Paulo em ganhar tantos para o Cristo, que eles rejeitavam, recorreram novamente a métodos sujos para frustrar o seu ministério. Evidentemente temendo, entre os Gentios, dar à sua hostilidade uma aparência puramente judaica, eles incitaram os pagãos contra os apóstolos, como os Judeus de Antioquia e Icónio tinham feito em Listra (Atos 14:19). Aqui, no entanto, eles rebaixaram-se a níveis ainda mais baixos do que os Judeus em Listra, tomando para si certos homens maus dentre a ralé,[1] eles "ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade", assaltando a casa de Jasom,[2] onde Paulo e Silas tinham evidentemente permanecido, e procuraram levá-los para o povo[3] (17:5). Não conseguindo encontrá-los, porém, eles arrastaram Jasom e alguns dos outros irmãos levando-os aos governantes da cidade, exclamando: "Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também aqui!" (Ver. 6). Isto era um verdadeiro elogio. Será que isso pode ser dito de nós, uma vez que o mundo está claramente do avesso!

          No entanto, a acusação que eles pretendiam não era verdadeira, nem era verdade que Paulo e os seus associados tinham violado os decretos de César ou tentado incitar à rebelião (Ver. 7). Porém, os Judeus verbalizaram a acusação que espalhando-se amplamente na Roma Imperial era sempre mais propensa a captar a atenção dos magistrados - a de traição contra o imperador. Essa foi a mesma falsa acusação que foi trazida contra o próprio Senhor quando levada perante Pilatos (Lucas 23:2).[4]

          A que extremos de intolerância e injustiça o fanatismo religioso pode levar os homens! Os Judeus levantaram o tumulto, mas acusaram os Cristãos de o fazer. Eles mesmos acreditavam nas suas Escrituras que o Messias iria derrubar os reinos deste mundo para reinar sobre eles, e eles teriam sido os primeiros a aceitar um rei que destruiria Roma, se tão-somente ele os deixasse nos seus pecados. Todavia, agora eles professam lealdade a César! A sua maldade foi muito mais acentuada que a dos perseguidores pagãos de Paulo em Filipos. Ali o erro foi logo corrigido, e publicamente. Contudo o ódio aqui foi mais profundo. De facto, antes de terminarem, os Judeus de Tessalónica perseguiram Paulo até Bereia para o molestar ainda mais, do mesmo modo que os Judeus de Antioquia e Icónio o perseguiram até Listra.

          Tanto o povo de Tessalónica como os seus governantes ficaram naturalmente perturbados ao ouvir estas coisas, assim como "Herodes ... ficou perturbado ... e toda Jerusalém com ele", ao ouvir falar de outro "Rei dos Judeus" (Mt 2:2,3) pois ambos os povos e governantes sabiam que um conflito poderia resultar de qualquer desafio à autoridade de Roma. Os governantes aqui, no entanto, mostraram mais moderação do que os magistrados militares de Filipos, pois tendo recebido "satisfação", ou fiança, de Jason e dos outros, deixaram-nos ir.

          Nestas circunstâncias parecia imprudente que os apóstolos permanecessem em Tessalónica, visto que a sua presença na cidade tenderia a agitar mais as coisas. Além disso, uma assembleia considerável já havia sido estabelecida ali. Portanto, os irmãos enviaram-nos de noite a Bereia, uma pequena cidade a cerca de cinquenta quilómetros a oeste. Mas não foi fácil para o apóstolo deixar tão grande multidão de crentes recém conversos, mas tão completamente convertidos a Cristo. Pouco tempo depois, ele escreveu-lhes sobre terem sido “privados [deles] por um momento de tempo, de vista, mas não do coração" e de terem procurado “com grande desejo ver o [seu] rosto” (1 Ts 2:17). E com respeito às boas notícias da sua fé e amor, que lhe foram trazidas por Timóteo, o apóstolo escreveu:

          “Por esta razão, irmãos, ficamos consolados acerca de vós, em toda a nossa aflição e necessidade, pela vossa fé,

          “Porque agora vivemos, se estais firmes no Senhor” (1 Tes. 3:7,8).

          E eles estavam!

_______________________________________________ 

[1] A palavra traduzida por "vadios" é literalmente “ociosos” e refere-se aos preguiçosos que estavam sempre prontos para o mal. Uma boa tradução seria “arruaceiros”.

[2] Se este Jason é o mesmo que é mencionado em Romanos 16:21, ele era parente de Paulo.

[3] Ou à turba, ou perante a assembleia popular.

[4] Apesar de perante o sumo-sacerdote Judaico Ele ter sido acusado de blasfémia (Mat. 26:60,61).

 

 

Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXX – Atos 17:1-15 (3)

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O MINISTÉRIO DE PAULO EM BEREIA

          “E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Bereia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos Judeus.

          “Ora estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalónica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.

Ler mais: Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXX – Atos 17:1-15 (3)

Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXX – Atos 17:1-15

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IGREJAS ESTABELECIDAS EM TESSALÓNICA E BEREIA

 

PAULO EM TESSALÓNICA

 

          “E, passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalónica, onde havia uma sinagoga de judeus.

          “E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles e, por três sábados, disputou com eles sobre as Escrituras,

          “Expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo.

          “E alguns deles creram e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos e não poucas mulheres distintas.

          “Mas os judeus desobedientes, movidos de inveja, tomaram consigo alguns homens perversos dentre os vadios, e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade, e, assaltando a casa de Jasom, procuravam tirá-los para junto do povo.

          “Porém, não os achando, trouxeram Jasom e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui,

          “Os quais Jasom recolheu. Todos estes procedem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus.

          “E alvoroçaram a multidão e os principais da cidade, que ouviram estas coisas.

          “Tendo, porém, recebido satisfação de Jasom e dos demais, os soltaram.”

- Atos 17:1-9

 

MUITOS GREGOS CREEM

          Partindo de Filipos, Paulo e Silas fizeram o seu caminho ao longo da grande estrada Romana para oeste, chegando a Tessalónica, conhecida agora como Salónica, situada no Mar Egeu, a cerca de 160 quilómetros de distância. Eles não pararam para evangelizar Anfípolis e Apolónia, duas cidades ao longo do caminho, sem dúvida concluindo que a primeira poderia ser alcançada através de Filipos e a segunda através de Tessalónica, um centro populoso a partir do qual o Evangelho poderia ser amplamente proclamado. De facto, mais tarde somos informados que de Tessalónica "a Palavra do Senhor" de facto “se espalhou" por toda a "Macedónia e Acaia" (I Ts 1.8).

          Mais, havia uma sinagoga[1] em Tessalónica e ainda era costume de Paulo procurar esses lugares primeiro. Isto acontecia em parte, sem dúvida, porque os judeus, crendo no verdadeiro Deus, e reunindo à sua volta prosélitos e Gentios interessados, proporcionavam-lhe um bom ponto de partida para proclamar a Cristo. Mas no programa de Deus havia outra razão importante. Israel, como nação, havia rejeitado a Cristo e como nação já estava a ser posta de parte, ficando o estabelecimento do reino messiânico adiado para uma data posterior. E agora, como Paulo foi enviado "aos gentios de longe", ele ainda foi "primeiramente ao Judeu", não tendo em vista objetivamente o estabelecimento do reino, mas com o objetivo de os judeus, Jerusalém a Roma, ficarem sem desculpa para a sua rejeição de Cristo e, como ele explica: "para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles" (Rom. 11:14). O registo destes factos está em harmonia com a natureza e propósito do Livro dos Atos que, devemo-nos lembrar, não é para relatar a história do "nascimento e crescimento" da Igreja desta dispensação, mas antes para narrar a queda de Israel e para explicar porque a salvação foi enviada aos Gentios sem a sua instrumentalidade.

          Durante três "sábados"[2] o apóstolo "disputou ... sobre as Escrituras" com os Judeus em Tessalónica. O ter-lhe sido permitido fazer isso por um tempo tão alargado indica o respeito que eles teriam pelos seus sérios caráter, capacidade e eloquência. Os evangelistas modernos, que dão aos seus ouvintes um mínimo de luz da Palavra e um máximo de entretenimento, devem tomar nota disso, e também devem tomar nota dos resultados surpreendentes do ministério curto de Paulo em Tessalónica.

          O que Paulo pregou em Tessalónica também deve ser considerado aqui. Alguns têm pensado que Paulo, porque disputou com eles sobre as Escrituras (do Antigo Testamento), deve ter proclamado a mesma mensagem que os doze haviam proclamado: "o Evangelho do reino" e "o Evangelho da circuncisão", e têm interpretado as referências de Paulo à vinda de Cristo nas suas epístolas aos Tessalonicenses conformando-a a esta visão.

          Contudo não há evidência de que Paulo tivesse proclamado o Evangelho do reino, ou da circuncisão, aqui ou em qualquer lugar em qualquer altura que fosse. Em Gál. 2:7 ele afirma enfaticamente que "o Evangelho da circuncisão" havia sido confiado a Pedro, como "o Evangelho da incircuncisão" havia sido confiado a si. Nem é dito, em nenhum lugar, que "o Evangelho do reino" lhe tivesse sido confiado ou tivesse sido pregado por ele.

          “Expondo” (explicando) e "demonstrando" (Lit., estabelecendo, confrontando, ou defendendo que é assim) que o Messias, de acordo com as Escrituras tinha padecido e ressuscitado e que o Jesus que ele pregava era o Messias, Paulo estava simplesmente estabelecer a identidade de Cristo para que eles pudessem confiar nele. Esse era o ponto natural de contacto, o lugar lógico para começar.

          Que Paulo não proclamou a mesma mensagem que os doze haviam proclamado é evidente nos seguintes fatos:

  1. Ele não os chamou a repudiar a parte da nação na morte de Cristo; parte integrante da mensagem dos doze (ver Atos 2:23,36,38 e cf. Zac. 12.10; 13.6).
  1. Ele não ofereceu, aqui e em parte alguma, o retorno de Cristo e o estabelecimento do Seu reino, como os doze haviam feito (Atos 3:19-21).
  1. Deus sabia que a possibilidade de Israel aceitar Cristo e o Seu reino já havia passado, daí o levantamento de Paulo para proclamar outra mensagem (Atos 8:1; 22:18; etc.).
  1. O ministério de Paulo, tanto nos Atos como nas suas primeiras epístolas, é consistentemente distinguido do dos doze (Atos 20:24; Gálatas 1:11,12; 2:2,6-9, etc.).

          Nesta parte dos Atos, no entanto, temos uma transição do programa antigo para o novo. O velho desaparece gradualmente à medida que o novo toma o seu lugar. É perfeitamente natural, portanto, encontrar Paulo, aqui e em outros lugares no registo de Atos, provando aos judeus pelas Escrituras que "Jesus é o Cristo", para que alguns possam ser ganhos, levados a confiar n’Ele e para que aqueles que se unem à nação. recusando fazê-lo fiquem totalmente sem desculpa, enquanto Deus continua a colocar a nação de parte. Ele tinha que começar por aqui, pois se o Jesus que tinha sido crucificado não era o Messias, Ele seria um impostor e certamente não poderia ser o Dispenseiro da graça para um mundo perdido, nem a Cabeça do Corpo.

          O ministério de Paulo em Tessalónica foi breve, mas à medida que acrescentamos ao registo dos Atos informações adicionais obtidas das suas epístolas aos Tessalonicenses, escritas logo de seguida, ficamos com uma ideia melhor de quanto foi realizado e de quanto poderia ser realizado em tão pouco tempo.

          Lucas, pelo Espírito, informa-nos que "alguns" dos judeus "creram", ou melhor, foram persuadidos, e juntaram-se a Paulo e Silas, juntamente com "uma grande multidão" de “Gregos religiosos” e "não poucas" das principais mulheres da cidade, que, evidentemente, pertenciam a essa categoria. Os Gentios envergonharam novamente os Judeus, com "uma grande multidão" deles voltando-se para o Senhor em comparação com "alguns" dos Judeus. Mas, em harmonia com o propósito dos Atos, Lucas não menciona a multidão ainda maior de pagãos conquistados ao Senhor durante a curta estadia de Paulo ali.[3] Das epístolas de Paulo aos Tessalonicenses, é evidente que a igreja ali era desde o princípio composta principalmente de convertidos da idolatria, não do Judaísmo, pois ele escreve-lhes como aqueles que “dos ídolos” se tinham convertido “a Deus” (I Tes. 1:9). É claro que os Judeus convertidos na assembleia formavam uma proporção insignificante, pois Paulo escreve aos Tessalonicenses quase como se não houvesse Judeus entre eles (ver I Tes. 2:14, etc.).

          Como foi realizado tanto em tão pouco tempo? Foi porque as coisas aconteceram facilmente para ele durante este período? Não, realmente; havia muita oposição, porém o apóstolo havia chegado a eles no poder do Espírito, exibindo coragem e graça raras.

          Escrevendo por inspiração, o apóstolo recorda: "porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza ... mas, havendo primeiro padecido e sido agravados em Filipos,[4] como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate” (1 Tes. 1:5; 2:2). E os crentes Tessalonicenses também foram iniciados no sofrimento desde o princípio, pois o apóstolo escreve que eles "receberam a Palavra em muito tribulação" e, como de costume, "com gozo do Espírito Santo" (1 Ts. 1:6). , cf. 2:14).

          Mas os novos e sofridos crentes não poderiam ter maior apoio humano do que o que os Tessalonicenses receberam de Paulo e Silas durante a sua estadia ali. Novamente, por inspiração divina e não por orgulho espiritual, o apóstolo recorda: "bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós" (1 Tes. 1:5), lembrando aos Tessalonicenses como ele e Silas não os haviam tratado com “engano”, ou “imundícia”, ou “fraudulência”, mas como homens confiáveis para uma responsabilidade sagrada (2:3,4). Também não usaram de "palavras lisonjeiras, ou de bajulação", ou “pretexto de avareza”; nem procuraram a "glória dos homens", embora "como apóstolos de Cristo" pudessem ser-lhes “pesados” (2:5,6). Em vez disso, eles foram "brandos" entre estes bebés em Cristo, "como a ama que cria seus filhos". Sendo “tão afeiçoados” a eles, os apóstolos estiveram dispostos a dar-lhes “não somente o evangelho de Deus, mas ainda a” sua “própria alma" (2:7,8).

          Um detalhe que talvez nos surpreenda, mais do que tudo, é que na curta estadia do apóstolo aqui, com tanto trabalho para fazer, ele até começou a trabalhar secularmente todos os dias, de modo a não precisar do seu apoio. "Porque bem vos lembrais", diz ele, "do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o Evangelho de Deus" (2:9).

          Finalmente, o apóstolo poderia chamá-los a testemunhar deles nestes termos: "quão santa, justa e irrepreensivelmente nos houvemos para convosco, os que crestes. Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos, para que vos conduzísseis dignamente para com Deus" (2:10-12).

          Como poderia tal ministério falhar em produzir resultados? E produziu resultados. Produziu resultados infinitamente mais vastos e duradouros do que todo o "evangelismo" superficial e frívolo dos tempos modernos.

          Diz o apóstolo: "... vós mesmos, irmãos, bem sabeis que a nossa entrada para convosco não foi vã ...., pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como Palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes" (I Tes. 2:1,13). E os crentes Tessalonicenses foram, por sua vez, usados para espalhar e levar a mensagem longe, pois "por vós", diz o apóstolo, "soou a palavra do Senhor, não somente na Macedónia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou ..." (I Tes. 1 8).

          Não admira que o apóstolo tivesse dado "sempre ... graças a Deus por ... todos" eles! (I Tes. 1:2). Não é de admirar que ele tenha exclamado: "... que ação de graças poderemos dar a Deus por vós ..." (3:9)? Não é de admirar que ele os tenha chamado de "nossa glória e gozo" (2:20)!

 ________________________________________________________

[1] Alguns textos dizem, "a sinagoga," o que pode indicar que os Judeus de toda esta região eram servidos por esta única sinagoga.

[2] Ou, semanas.

[3] A menos que o versículo 4 refira "Gregos e religiosos", como alguns MSS apresentam. Estes MSS, no entanto, são provavelmente resultado da dificuldade encontrada sobre a falha de Lucas em mencionar os pagãos convertidos dos quais a igreja era composta principalmente, pois esta tradução tem pouco apoio dos MSS.

[4] As suas costas, sem dúvida, ainda estão doridas dos açoites recebidos escassos dias antes.

 

 

Sermões e Estudos

Marcos Roque 24MAR19
O todo é maior que a soma das partes!

Sermão proferido por Marcos Roque em 24 de março de 2019

David Gomes 17MAR19
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Miguel Barreira 10MAR2019
Inferno

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Sobre a Epístola aos Colossenses 2:13,14 em 20 de março de 2019

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