Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XL – Atos 21:15-26 (5)

Acts dispensationally considered

 

O RELATO A RESPEITO DE PAULO ERA VERDADEIRO OU FALSO?

 

     O relato que, segundo Tiago, havia ganho credibilidade geral entre os crentes Judeus da Judeia, era que Paulo ensinava todos os Judeus que viviam entre os Gentios “a apartarem-se (ou apostatarem[1]) de Moisés, dizendo que não devem circuncidar os filhos, nem andar segundo o costume da lei.”

     Ora essa acusação era bastante complicada pelo preconceito ou discriminação, como muitas vezes são as acusações. Como tinha sido apresentada, era falsa. Paulo não iniciara nenhuma rebelião contra Moisés ou a lei. Dizer que a lei fora cumprida por Cristo não é negar, mas confirmar as suas afirmações.

      Porém, o apóstolo ensinava que a lei havia sido cumprida em Cristo e que, portanto, era desnecessário observar os seus ritos cerimoniais - e ele ensinava isso não apenas aos Gentios, mas também aos Judeus que estavam entre eles.

     “Depois da lição da lei e dos profetas" na sinagoga da Pisídia, os principais pediram a Paulo uma “palavra de consolação”. Em resposta, o apóstolo deu-lhes uma palavra de consolação a cada um. Em relação à lei, ele exortou-os a não confiar nela, mas a confiar em Cristo, dizendo:

     “Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que POR ESTE SE VOS ANUNCIA O PERDÃO DOS PECADOS;

     “E de tudo o que, PELA LEI DE MOISÉS, NÃO PUDESTES SER JUSTIFICADOS, por Ele é justificado todo aquele que crê” (Atos 13:38,39).

     Certamente que havia crentes Judeus entre os Gálatas e eles estavam incluídos no número daqueles a quem o apóstolo escreveu:

     “... falsos irmãos ... entraram a espiar a NOSSA LIBERDADE, que temos em Cristo Jesus ...” (Gálatas 2:4).

     “... PELA LEI ESTOU MORTO PARA A LEI ...” (2:19).

     “Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” (3:3).

     “... a lei nos serviu de aio ... Mas, depois que a fé veio, JÁ NÃO ESTAMOS DEBAIXO DE AIO” (3:24, 25).

     “... COMO TORNAIS OUTRA VEZ A ESSES RUDIMENTOS FRACOS E POBRES, AOS QUAIS DE NOVO QUEREIS SERVIR?

     “GUARDAIS DIAS, E MESES, E TEMPOS, E ANOS.

     “RECEIO DE[2] VÓS QUE HAJA EU TRABALHADO EM VÃO PARA CONVOSCO (4:9-11).

     “ESTAI, POIS, FIRMES NA LIBERDADE COM QUE CRISTO NOS LIBERTOU E NÃO TORNEIS A METER-VOS DEBAIXO DO JUGO DA SERVIDÃO.

     “EIS QUE EU, PAULO, VOS DIGO QUE, SE VOS DEIXARDES CIRCUNCIDAR, CRISTO DE NADA VOS APROVEITARÁ”[3] (5:1,2).

     “... esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.

     “... esses mesmos ... querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne.

     “MAS LONGE ESTEJA DE MIM GLORIAR-ME, A NÃO SER NA CRUZ DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, PELA QUAL O MUNDO ESTÁ CRUCIFICADO PARA MIM E EU, PARA O MUNDO” (6:12,13,14).

     As congregações da Galácia eram, é claro, constituídas grandemente por Gentios, mas o apóstolo não singularizou os Gentios quando escreveu sobre a circuncisão, de modo que o princípio certamente se aplicava também aos já circuncidados e tinha a sua influência sobre qualquer circuncisão pensada para os seus filhos.

     Nem se pode dizer que na carta aos Gálatas o apóstolo só argumentou contra a procura de se ser justificado pela lei, pois ele avisa claramente os justificados para não se meterem novamente “debaixo do jugo” submetendo-se a um dos seus ritos, advertindo-os que a submissão a um implicaria a responsabilidade de obedecer a todos (veja Gál. 5:1,3). E, nesse sentido, ele avisou-os que “um pouco de fermento leveda toda a massa” (5:9).

     Em seguida, considere a igreja em Corinto. Foi iniciada com um grupo da sinagoga, incluindo a casa de Crispo, o principal da sinagoga e, mais tarde, Sóstenes, o principal que se lhe seguiu (Atos 18:8,17; 1 Cor. 1:1).

     A estes Judeus “que estavam entre os gentios”, ele escreveu:

     “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer Judeus, quer Gregos [ou, Gentios], ...” (1 Cor. 12:13).

     “Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne ...” (2 Coríntios 5:16).

     Ele escreveu-lhes que a lei era “o ministério da morte” e “o ministério da condenação” (2 Coríntios 3:7,9). O apóstolo aqui não se referia apenas aos dez mandamentos, pois ao dizer que tudo aquilo havia sido “transitório, ou abolido”, ele referia-se claramente a toda a lei (cf. Ver. 13 com Êxodo 34: 32,33).

     E aos crentes Judeus e Gentios em Corinto ele escreveu:

     “... estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a UM MARIDO, a saber, a Cristo.

     “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da SIMPLICIDADE QUE HÁ EM CRISTO” (2 Coríntios 11: 2-3).

     E só recentemente ele tinha escrito aos crentes em Roma - e especialmente aos crentes Judeus entre eles - na mesma linha:

     “... também vós estais MORTOS PARA A LEI ... para que sejais de outro” (Rom. 7:4).

     “Mas agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra” (Ver. 6).

     De facto, se Paulo não tivesse ensinado os Judeus entre os Gentios a abandonar o Judaísmo, que direito ele teria de repreender Pedro por ter voltado a este, quando visitava os Gentios em Antioquia? Pedro, lembre-se, tinha estado a viver “como os Gentios, e NÃO como Judeu” quando estava em Antioquia. E “os outros judeus” entre eles estavam a fazer o mesmo, até que “alguns [chegaram] da parte de Tiago”. Então Pedro e os outros crentes Judeus começaram novamente a viver “como Judeus” e foram repreendidos por Paulo pela sua dissimulação ou falsidade (veja Gálatas 2:11-14).

     Citamos estas passagens e poderíamos citar outras, apenas para mostrar que, apesar de Paulo, na verdade, não ter apostatado de Moisés, havia ensinado os Judeus entre os Gentios que a lei havia sido cumprida em Cristo e que, portanto, eles deveriam desfrutar da liberdade do seu jugo, de modo que os relatos atuais sobre o apóstolo não eram exatamente “nada” como Tiago insinuara (Ver. 24). De facto, dos que afirmam que o relato era inteiramente sem fundamento, não conhecemos ninguém que encare os factos.

 _________________________________

[1] Esta é precisamente a palavra Grega usada em Atos 21:21. Embora às vezes signifique simplesmente “partir”, Tiago provavelmente usou-a aqui no sentido de apostasia da Palavra de Deus no que respeita a Moisés.

[2] Acerca de.

[3] Não realmente, certamente, mas logicamente.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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