Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XL – Atos 21:15-26 (4)

Acts dispensationally considered

 

PAULO TERIA ERRADO AO SUJEITAR-SE A TIAGO?

     Antes de entrar num exame detalhado da proposta de Tiago[1] e da aceitação de Paulo da mesma, temos que encontrar uma resposta bíblica para a pergunta acima. Note bem que nós ainda não perguntámos se o apóstolo errou em aceitar, mas se, à luz de outras Escrituras, seria mesmo possível ele poder errar.

     Nós colocamos essa questão porque há muitos que, vendo a vida piedosa, fiel, do apóstolo; ouvindo-o dizer: “Sede meus imitadores”, etc., e regozijando-se na sua gloriosa mensagem da graça, entretêm no subconsciente a noção de que ele não podia ter errado tão grosseiramente e, em resposta àqueles que acham que ele errou, replicam que se assim tivesse sido, o afamado apóstolo teria sido realmente um dos maiores hipócritas nas Escrituras e indigno de ser escutado.

      Todo este assunto é reconhecidamente difícil - tão difícil que o escritor, por exemplo, nunca ouviu um sermão abrangente sobre ele, e não conseguiu encontrar um único livro que tratasse de todas as Escrituras envolvidas.

     Muitos oradores e escritores têm, com base em algumas passagens, declarado que Paulo estava certo, ou que ele estava errado, ao envolver-se no Judaísmo neste momento, mas poucos de facto têm entrado na questão de forma abrangente. É por isso que perguntamos primeiro se, à luz de outras passagens das Escrituras, seria mesmo possível ele poder errar aqui.

     Certamente que nenhum crente negaria que a vida de Paulo como Cristão é provavelmente o maior exemplo de devoção humana e fidelidade a Cristo em toda a história. De facto, quem de nós pode sequer começar a comparar-se?

     Quanto a algumas das suas declarações inspiradas a respeito de si próprio, no entanto, é muitas vezes lido muito mais nas mesmas do que estas realmente dizem. O seu “Sede meus imitadores” é usado pelo menos uma vez em relação ao seu ensino e não em relação a certos detalhes ou características do seu comportamento, ou do seu curso adotado.

     Uma das afirmações mais fortes nesta categoria é encontrada em Fil. 4:9, onde ele diz:

     “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco.”

     Mas não leiamos o que não está ali escrito. Um olhar sobre o contexto anterior revelará que o apóstolo não pretendia estabelecer-se como padrão de perfeição; embora ele tivesse, com certeza, dado aos Filipenses um exemplo nobre. De facto, é nesta mesma carta que, contando aos santos Filipenses dos seus anseios e aspirações, ele assegura-lhes: “Não que já tenha alcançado, ou que seja perfeito” (3:12) acrescentando que ele tem que se esquecer das coisas que ficam para atrás, olhando apenas para diante e lutando pelo prémio. Ao fazer “uma coisa”, ele chama-os para serem seguidores juntamente com ele (Filipenses 3:10-17).

     Paulo teria sido a última pessoa a reivindicar a perfeição, como fica evidente no seu testemunho em Romanos 7, e aqueles que nos dizem para “sair do capítulo sete de Romanos indo para o oito”, devem observar que o próprio Paulo escreveu esses dois capítulos na mesma assentada; que o mesmo que declarou: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”, também humildemente confessou: “Porque eu sei que em mim (isto é, na minha carne) não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” (Romanos 8:1; 7:18).

     Mas, dirá algum objetor que se ele repreendeu tão severamente Pedro e os Gálatas por voltarem para o legalismo e depois, sem alguma razão especial, voltar para o legalismo ele próprio, ele constitui-se tão hipócrita que nem consegue ficar impressionado com os seus escritos.

     Porque não? Esqueceu-se de sondar o seu próprio coração? Será que a profunda devoção do apóstolo Paulo torna o leitor menos compreensivo se ele cair? Além disso, ele escreveu por inspiração de Deus.

     Moisés pecou de muitas maneiras; recusa-se a crer nos seus escritos? David cometeu tanto adultério quanto homicídio; recusa-se a ler os seus Salmos? Os profetas, um após o outro, falharam; desconfia das suas profecias? Pedro negou o seu Senhor e mais tarde desempenhou o papel de hipócrita em Antioquia; questiona a verdade das suas epístolas? Claro que não porque esses homens, embora sendo criaturas falíveis, escreveram por inspiração divina. Deus quis assim impedir-nos de confiar no homem, levando-nos a confiar somente na Sua Palavra.

     Porém, Pedro foi repreendido por ter falhado em Antioquia; Deus não teria repreendido Paulo se ele fosse semelhantemente culpado? Em primeiro lugar, nenhum estudioso cuidadoso do registo diria que Paulo foi “semelhantemente culpado” ao concordar em oferecer os sacrifícios de Nazireu. Pedro retrocedeu na luz que recebera, “temendo os que eram da circuncisão” (Gál. 2:12). Paulo, por outro lado, envolveu-se neste voto como resultado de um amor ardente pelos seus parentes, que ele esperava que assim fossem conquistados para ouvir o seu testemunho sobre Cristo.

     Contudo, o Senhor não o elogiou em Atos 23:11, quando Ele Se posicionou ao seu lado e disse: “Paulo, tem ânimo! Porque, como de Mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma"? Não, pelo menos Ele não o elogiou por tomar parte no voto judaico. Neste caso Ele confortou de alguma forma Paulo, compreendendo o seu grande amor por Israel e por Si, e o seu profundo sentido de responsabilidade por ter liderado Israel na sua rebelião contra Cristo.

     Mas o grande apóstolo, perante o martírio, não disse: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé!” (2 Timóteo 4:7)? Certamente! Leia o registo do seu serviço fiel e incansável para com Cristo. Percorra a longa, mas muito completa, lista dos seus sofrimentos por Cristo em 2 Coríntios 11. Observe como as suas epístolas prisionais nos mostram ainda mais as glórias de Cristo e a Sua graça, e nos levam ainda para mais longe, aos lugares celestiais, do que as epístolas escritas antes desta visita a Jerusalém. Considere tudo isto, juntamente com muito mais que poderia ser dito sobre a sua vida e ensinamentos e, depois, pergunte se este lapso pode anular tudo isto. De facto, quem, em toda a história, teve tanta razão para dizer: “Combati o bom combate” ou, “Guardei a fé”?

     A título de ilustração, na vida de um servo de Deus consagrado pode acontecer uma ou várias vezes em que o seu amor sincero por um amigo e o seu sincero desejo de o ver salvo, pode conduzi-lo para uma linha de ação fora da vontade de Deus, e pode até mesmo toldar temporariamente a sua percepção da vontade de Deus. Se isso acontecer, será injusto o leitor acusá-lo de infidelidade ou de rebeldia flagrante contra Deus - especialmente se o leitor não tiver tanto amor por Deus ou pelos seus amigos.

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[1] Assumindo que Tiago era o porta-voz dos anciãos.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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