Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXIX – Atos 21:1-14 (4)

Acts dispensationally considered

 

A PROFECIA DE ÁGABO

     Continuando o caminho, o apóstolo e seus companheiros pararam em Ptolemaida para saudar “os irmãos” ali, ficando com eles um dia,[1] e depois prosseguiram para Cesareia, onde Paulo passou os seus últimos dias de liberdade. O seu anfitrião ali foi o bem conhecido Filipe, como Paulo um Helenista, e, portanto, provavelmente mais compreensivo com a causa de Paulo do que os crentes Hebreus.

     Filipe tinha sido originalmente um dos sete tesoureiros que haviam supervisionado o “ministério quotidiano” nos dias Pentecostais, quando os crentes em Jerusalém tinham “tudo em comum” (veja Atos 6:1-5). Desde aquele tempo, no entanto, a igreja de Jerusalém havia sido espalhada por uma “grande perseguição” e Filipe tinha sido usado como evangelista (veja Atos 8:4-40). Mas apesar de Filipe talvez não ser mais ativamente tesoureiro da Igreja em Jerusalém, o facto de que em adição a ele ser aqui chamado de “Filipe, o evangelista”, ser também nomeado como “um dos sete”, pode bem implicar que ele ainda tivesse associação ou conhecimento suficientes das questões financeiras na Igreja em Jerusalém para aliviar Paulo da necessidade de entregar pessoalmente a “coleta” que ele reunira para os pobres.

     Este Filipe também tinha quatro filhas que se entregaram ao serviço de Deus como profetisas (21:9). Não havia nada de errado, claro, nas mulheres profetizarem naqueles dias, pois Joel havia predito especificamente em relação a Pentecostes: “as vossas filhas profetizarão” (Atos 2:17) e à luz do testemunho do Espírito de que “de cidade em cidade” ao longo da viagem de Paulo, “prisões e tribulações” o esperavam em Jerusalém, não se deve duvidar que estas donzelas terão aditado o seu testemunho inspirado pelo Espírito àqueles que já tinham sido dados.

     Mas o aviso mais impressionante e solene de todos ainda estava por ser transmitido por Ágabo, um profeta conhecido e confiável que havia, anos antes, predito a grande fome que empobreceria os santos da Judeia. Naquela altura, ele tinha sido instrumental na obtenção a primeira contribuição Gentílica para os pobres crentes da Judeia. Desta vez, no entanto, ele veio fazer uma advertência dramática sobre o que aconteceria ao apóstolo se ele persistisse no seu propósito de ir a Jerusalém.

     O sentimento que levou à conspiração assassina contra a vida de Paulo, registada em Atos 23:12, dificilmente poderia ter sido um segredo para um profeta que vivesse na Judeia. E agora, tendo sabido, sobrenaturalmente ou por meio de relato,[2] da chegada do apóstolo, Ágabo desce a Cesareia para o avisar, evidentemente encontrando-o com o grupo de seus colaboradores e amigos. Adotando a maneira simbólica de muitos profetas do Antigo Testamento, ele aproxima-se do apóstolo e tira o cinto que segura as suas vestes, usando-o para prender suas próprias mãos e pés, e diz:

     “Assim ligarão os Judeus, em Jerusalém, o varão de quem é esta cinta e o entregarão nas mãos dos Gentios” (Ver. 11).

     Agora é certo que esta passagem, lida de maneira simples e natural, não poderia ser interpretada de outra maneira senão como uma advertência contra o prosseguimento da ida de Paulo a Jerusalém. Aquele Ágabo de fato falou como um profeta de Deus é provado, não somente pelo cumprimento literal de sua profecia em Atos 11, como também pelo cumprimento literal desta profecia aqui.

     A questão, certamente, é se o Espírito o advertiu para o impedir do seu propósito ou para o preparar para a provação. Nós cremos na primeira questão. Alguma vez Deus preparou os Seus servos para as provas, advertindo-os das mesmas? Não tem Ele antes feito isso ao encorajá-los quanto à Sua fidelidade? Certamente que foi assim no caso do próprio Paulo (Veja 18:9; 23:11; 27:23-25).

     Certamente todos os presentes entenderam a profecia de Ágabo como um aviso a Paulo de que ele não deveria prosseguir, pois tanto os seus cooperadores, inclusive Lucas, como os crentes em Cesareia começaram a implorar-lhe, com lágrimas, para que ele abandonasse o seu propósito (Vers. 12,13).

     Se Paulo tinha o ódio e a repulsa dos Judeus, ou pelo menos a sua desconfiança, ele certamente também tinha de muitos dos crentes em Jerusalém o amor ardente de uma série de santos que apreciavam o seu ministério como o apóstolo da graça, pois onde quer que ele fazia uma pausa para se despedir, havia demonstrações tocantes de afeição por ele.

     A resposta de Paulo aos apelos dos seus amigos revela algo da grandeza do homem e dos seus motivos. Com o coração a sangrar pelos seus parentes e com um profundo sentido de obrigação para com o Cristo que ele havia ensinado a odiar, ele não foi capaz de ver o aviso de Ágabo da mesma forma que os seus amigos. Ele não era fanático nem candidato a mártir; ele era um veterano em perseguição, com cicatrizes para mostrar, mas não era de modo algum um insensível. Em vez disso, ele tinha uma natureza sensível e afetuosa, e os apelos lacrimosos dos seus companheiros e amigos estavam a esmagá-lo, fazendo-o exclamar:

     “Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus”.

     Se alguma falha pode ser encontrada no grande apóstolo por persistir no seu propósito de ir a Jerusalém nesta altura, certamente ninguém poderá questionar a grandeza dos seus motivos, nem a profundidade da sua devoção a Cristo. Aqueles que o acusam de conscientemente e voluntariamente ter desobedecido a Deus nesta questão, devem sondar nos seus corações para ver se seus próprios motivos são identicamente tão elevados ou se sua devoção é identicamente tão profunda.

     Finalmente todos os presentes deixaram de implorar ao apóstolo, dizendo: “Faça-se a vontade do Senhor”. À luz do contexto, é claro que é errado concluir a partir disso que os amigos de Paulo agora viam o propósito de Paulo estar de acordo com a vontade diretiva de Deus. Eles referiam-se antes à vontade permissiva de Deus, resignando-se ao que viam como inevitável.

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[1] Evidentemente o tempo que o seu navio permaneceu no porto.

[2] Tinha havido muito tempo para tal relato chegar-lhe (veja o ver. 10).

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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