Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXVIII – Atos 20:13-38 (8)

Acts dispensationally considered

 

PAULO REVÊ O SEU MINISTÉRIO EM ÉFESO

     Deve ter havido muita emoção e alegria entre os líderes da igreja em Éfeso quando receberam a mensagem de que o seu amado Paulo, que eles não tinham visto desde a grande revolta por causa de Diana, estava em Mileto e esperando falar com eles. Sem dúvida vieram com toda a pressa e, na máxima brevidade possível, reuniram-se ao seu redor para ouvir o que ele queria dizer.

     “Vós bem sabeis”, começou ele, "desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós” (v. 18).

     Ele serviu o seu Senhor humildemente, como Seu escravo, com muitas lágrimas e provações que lhe aconteceram principalmente pelas ciladas dos Judeus. Assim, o enredo de Atos 20:3 era apenas uma dessas muitas tramas. Em toda parte a que ele ia a sua vida estava em perigo. Às vezes a pressão tornava-se tão grande que ele explodia em lágrimas de frustração e preocupação.

     Entretanto, ele havia fielmente ministrado às suas necessidades espirituais, não deixando de lhes anunciar “nada que útil [fosse]” a eles. Considerando, de facto, a capacidade dos seus ouvintes, mas nunca a sua própria vantagem, ensinou-lhes tudo o que era bom para eles, não se furtando a declarar “todo o conselho de Deus”[1] (Cf. 2 Cor. 4:2; 1 Tes. 2:4).

     Ai, quantos homens de Deus existem hoje que “privam” verdades que seriam super proveitosas para os seus ouvintes; que evitam declarar todo o conselho de Deus, para que não percam alguns convites para pregar, uma posição confortável ou um pouco de aplauso humano. Os tais não podem dizer aos seus ouvintes, como o apóstolo pôde dizer aos seus:

     “Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos”[2] [3](Ver. 26).

     Mas o apóstolo não foi apenas consistente na sua conduta e fiel no seu ministério; ele colocou nisso toda a sua energia, dando-se acima da medida, como um homem que corria para ganhar uma corrida.

     Ele ensinara-os não apenas “publicamente", mas também “pelas casas” (Ver. 20). Ele não negligenciava a visitação às famílias, como muitos pastores modernos. Ele sabia o valor do contacto pessoal, e nós podemos ser assegurados de que os crentes em Éfeso aprenderam algumas das suas mais preciosas lições e que muitos até foram salvos quando Paulo lidou com eles nas suas próprias casas.

     É claro que o apóstolo não observou horas úteis “Durante três anos”,[4] pois segundo ele, “não cessei, noite e dia”, e isto com “lágrimas”, tão ávido ele estava de que as suas palavras não fosse em vão (Ver. 31) À luz disto, nós, que estamos em lugares de liderança espiritual, interrogamo-nos sobre quantas lágrimas de preocupação ou de cuidado derramamos por aqueles cujo bem-estar espiritual Deus nos confiou.

     Mas acima de tudo isso, tão longe estava o apóstolo de procurar ganhos materiais com os seus trabalhos que ele podia estender as mãos diante deles e lembrar-lhes que eles mesmos sabiam como aquelas mãos haviam providenciado não apenas para as suas próprias necessidades, como também para as necessidades dos que com ele estavam[5] (Ver. 34).

     Paulo havia escrito aos Coríntios lembrando-lhes que era simplesmente justo que a congregação cuidasse do apoio financeiro dos seus pastores (1 Coríntios 9:7-14), já que os verdadeiros pastores dão muito, muito mais do que recebem; de facto, ele havia enfatizado o ponto de que “assim ordenou também o Senhor, que os que anunciam o Evangelho, que vivam do Evangelho" (Ver. 14).

     Mas agora ele estava a dirigir-se aos pastores, explicando como por vezes eles devem renunciar alegremente a essas regalias, lembrando-lhes o seu próprio exemplo de independência financeira (Vers. 34,35).

     Neste contexto, o apóstolo lembra-lhes de certas “palavras do Senhor Jesus” que eram conhecidas por eles, mas não estão registadas em nenhum dos quatro Evangelhos:

     “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Ver. 35).

     Quão verdadeira é esta declaração de nosso Senhor, mas quão pouco é crida! Se os pastores realmente cressem, teriam mais “boa vontade” em gastar-se e deixar-se gastar pelas suas congregações. Se os seus ouvintes cressem nela, providenciariam mais generosamente tanto para os obreiros como para a obra.

     O apóstolo não disse tudo isto num espírito de orgulho, mas com profunda humildade evidente, ainda que as suas palavras indiquem uma consciência de completa e inabalável fidelidade ao ministério que Deus lhe deu. Três vezes ele diz: “Vós bem sabeis ... tomo-vos por testemunhas [YLT] ... Vós mesmos sabeis” (Vers. 18, 26, 34). E as suas afirmações devem ter sido verdadeiras ou ele não teria sido capaz de as fazer àqueles com quem ele viveu e trabalhou tão intimamente por três anos. De facto, a resposta afetuosa e lacrimosa dos seus ouvintes prova que são verdadeiras.

 _________________________________

[1] Até onde lhe havia sido revelado, é claro, pois ainda havia mais para ser revelado (veja Atos 26:16; 2 Coríntios 12:1).

[2] Esta é uma frase idiomática Hebraica que recusa responsabilidade pelo fracasso dos outros.

[3] O versículo seguinte mostra que o apóstolo significava todos os envolvidos, todos os que estavam sob o seu ensino.

[4] Os três anos, incluem três meses na sinagoga (19:8), dois anos na escola de Tirano (19:9,10) e “algum tempo” após a partida de Timóteo e Erasto (19:22).

[5] Paulo parece ter sempre tido um grupo de auxiliadores com ele, ajudando-o no cumprimento dos muitos deveres em que ele estava envolvido no cuidado de todas as igrejas.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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