Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXVIII – Atos 20:13-38 (6)

Acts dispensationally considered

 

A SOLUÇÃO

     Tendo examinado as passagens anteriores de ambos os lados da questão, estamos em melhor posição para encontrar a solução para o problema. Certamente podemos ver que para dizer de ânimo leve ou que Paulo estava totalmente certo ou que ele estava totalmente errado; ou que ele estava dentro ou fora da vontade de Deus no assunto, é ter uma visão superficial de um problema complexo. A natureza humana e a experiência humana não são tão simples assim.

     Não há indicação no registo de que Paulo estivesse na vontade diretriz de Deus ao ir a Jerusalém, mas é evidente também que ele não estava conscientemente fora da vontade de Deus; de facto, sentiu-se obrigado, pela parte mais elevada da sua natureza, em ir.

     O apóstolo tinha três razões para ir a Jerusalém nesta altura: l.) “ministrar aos santos” (Rom. 15:25) 2.) “adorar” (Atos 20:16; 24:11) e 3.) "dar testemunho do Evangelho da graça de Deus" (Atos 20:24). As duas primeiras foram para promover melhores relações entre os crentes Judeus e as igrejas Gentias e para mostrar tanto aos crentes como aos incrédulos em Jerusalém que ele não desprezava a lei de Moisés. A terceira razão, no entanto, era a mais importante.

     Nós vemos o quadro completo da seguinte forma:

     Anos antes, no seu primeiro retorno a Jerusalém após a sua conversão, o Senhor dissera-lhe:

     “Dá-te depressa e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de Mim” (Atos 22.18).

     Naquele tempo Paulo chegou a debater a questão com o Senhor. Aquelas pessoas, ele argumentou, sabiam como ele as liderara na perseguição contra Cristo; como ele havia aprisionado e açoitado os que criam em Cristo em todas as sinagogas, e tinha consentido e ajudado no apedrejamento de Estêvão. Certamente eles o ouviriam e o seu testemunho poderia transformar a sua inimizade em confiança em Cristo. Mas o Senhor sabia melhor e respondeu sumariamente:

     “Vai, porque hei-de enviar-te aos Gentios de longe” (Atos 22:21).

     No entanto, embora enviado aos Gentios com boas notícias gloriosas, o coração do apóstolo continuava a sangrar pelo seu amado povo, a quem ele havia liderado em rebelião contra Cristo. Em Rom. 9:1-3 ele escreve da sua “grande tristeza e contínua dor” sobre a sua condição, e jura solenemente diante de Deus que, se fosse possível, ele poderia desejar ser amaldiçoado por eles, e algumas linhas mais adiante ele escreve fervorosamente que o “o desejo do [s]eu coração e oração a Deus por Israel é para sua salvação [ou seja, que sejam salvos] (Romanos 10:1).

     O apóstolo não tinha só pena dos seus irmãos obstinados; ele sentia-se responsável por tê-los conduzido, uns anos antes, na sua oposição a Cristo. Além disso, ele sentia-se responsável perante o Senhor por ter despertado todo aquele ódio contra Ele.

     Foi assim que, embora o Espírito Santo desse testemunho em todas as cidades de que prisões e tribulações o aguardavam se ele fosse a Jerusalém, ele ainda se sentia “[obrigado pelo] espírito” a ir; ele sentia que tinha de ir terminar a sua carreira e ministério designados.[1]

     A declaração dos discípulos em Tiro é, evidentemente, o argumento mais forte daqueles que afirmam que Paulo estava completamente errado e fora da vontade de Deus em ir. Esses discípulos, evidentemente, tinham o dom da profecia. Eles “pelo Espírito diziam a Paulo, que não subisse a Jerusalém” (Atos 21:4).

     A palavra Grega para “não” aqui, no entanto, não é ou, mas me. É um não mais subjetivo do que objetivo, lidando com pensamentos e sentimentos, e não com factos, como ou lida. Enquanto ou nega uma coisa direta e absolutamente, me é de acordo com o julgamento, a preferência, etc. É por isso que me às vezes é usado como uma conjunção: "para que não", "que ... não", etc.

     A palavra do Espírito através dos discípulos de Tiro, então, não era um mandamento, mas um conselho e um aviso de que ele não deveria subir a Jerusalém, ou seja, para que não sofresse as tribulações previstas.

     Provavelmente, o maior teste veio quando, em Cesareia, o profeta Ágabo,[2] num aviso dramático e impressionante, previu a detenção e a prisão do apóstolo em Jerusalém, fazendo com que tanto os seus companheiros de viagem como os seus amigos Cesareanos lhe implorassem, chorando, para não persistir no seu propósito (Atos 21:10-12).

     Mais uma vez, a sua resposta indica claramente que ele não considerava isto uma condenação à sua ação, mas sim um teste à sua fidelidade (Ver. 13).

     Assim, apesar de Paulo não ter sido direcionado para ir a Jerusalém nesta ocasião (como ele havia sido noutra, Gálatas 2:2) e de facto ter sido advertido de prisões e aflições se fosse, ele ainda assim fê-lo por um sentido de fidelidade ao seu Senhor, e Deus usou isso para fazer a Israel mais um apelo apaixonado dos lábios de alguém que tinha sido avisado para não ir até eles; que foi informado de que não ouviriam; que estava diante deles agora acorrentado, relatando a história da sua conversão, se, por ventura, tal pudesse conduzir à deles.

     Depois disso, ele foi levado a Roma para se tornar no “prisioneiro de Jesus Cristo por ... os Gentios” (Efésios 3:1). Ficamos desconcertados, temos que confessar, ao descobrir que tão poucos comentaristas compreenderam o significado desta frase. Não diz que Paulo foi prisioneiro de Cristo (embora isso também seja verdade). Não diz que era prisioneiro dos Judeus ou dos Romanos. Diz que ele era prisioneiro "De Jesus Cristo, POR vós, os Gentios", isto é, Jesus Cristo estava a mantê-lo na prisão por causa dos Gentios, não como castigo, é claro, mas porque o seu coração continuava a inclinar-se para os seus parentes segundo a carne; para aqueles por cuja apostasia ele se considerava tão amplamente responsável.

     Esta solução, nós acreditamos, é consistente com todo o registo e aqueles que nos acusam de exaltar Paulo acima de Cristo deveriam dar testemunho de que é assim que nós “magnificamos o seu apostolado” sem o exaltar a ele, sem exaltar a sua pessoa.

 ______________________________________

[1] Uma nota de rodapé na Scofield Reference Bible [Bíblia Anotada de Scofield] (p. 1178) sugere que Paulo tinha em mente os “crentes Judeus ligados à lei” quanto ao "dar testemunho do Evangelho da graça de Deus". Isso parece-nos improvável, uma vez que ele já lhes havia “comunicado” a sua mensagem em Jerusalém (Gálatas 2:7-9) e tinha até “disputado" com eles sobre isso, de modo que um testemunho a respeito deles sobre o Evangelho não seria necessário para terminar a sua carreira. Era à multidão de Judeus e seus líderes que ele ainda não tinha conseguido dar esse testemunho.

[2] Já conhecido como um verdadeiro profeta (Atos 11:27,28).

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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