Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXXIV – Atos 19:1-22 (3)

Acts dispensationally considered

 

DA SINAGOGA À ESCOLA DE TIRANO

    “E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus.

     “Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano.

      “E durou isto por espaço de dois anos, de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos”.

- Atos 19:8-10

     A visita anterior de Paulo a Éfeso, juntamente com os testemunhos de Apolo e, sem dúvida, Áquila e Priscila, evidentemente serviram, no mínimo, para suscitar grande interesse na sinagoga de Éfeso, de modo que, no seu regresso, Paulo teve permissão para ministrar lá por três meses. Não devemos concluir que ele conseguiu manter a sua posição entre eles durante esse período mantendo um “silêncio discreto” sobre os temas mais vitais de todos, como alguns pregadores “diplomáticos” fazem hoje, pois é-nos dito claramente que ele “falou ousadamente”, sem reserva, todo aquele tempo.

     Mais que isso; todo esse tempo ele “disputou”, ou debateu com esses judeus e procurou “persuadi-los” quanto às verdades relativas ao “reino de Deus”[1] (Ver. 8).

     É um triste comentário sobre o estado da Igreja hoje o facto de a controvérsia sobre a Palavra de Deus ser censurada. Os líderes cristãos consideram frequentemente uma afronta pessoal quando os seus ensinamentos são questionados. Debates sobre grandes doutrinas bíblicas são consideradas “não espirituais” e porque, perguntam eles, devemos tentar persuadir os outros a “crer como nós”? Porque não deixamos simplesmente que o Espírito Santo lhes mostre? A Palavra de Deus significa tão pouco para eles; o espírito dos nobres Bereanos morreu completamente nos seus corações.

     Que todos tomem cuidado em notar a conduta do apóstolo Paulo nesta matéria, pois ele é constantemente encontrado no centro da disputa e controvérsia.[2] Ninguém poderia dizer que ele não se importava com o que os homens criam. E que ouçam as palavras de alguém que escreveu numa época em que grande número dos comentários bíblicos e obras de teologia mais escolhidos por nós foram escritos:[3]

     "Vivemos numa época de muito debate religioso e o debate tem a tendência de trazer a verdade mais claramente à vista" (Companions of St. Paul, P. 14 [Companheiros de S. Paulo, pág. 14]). "Eu direi que é uma circunstância feliz o facto destes assuntos serem avidamente debatidos. Pois o debate leva a melhorias, e a diversidade de opiniões é muito melhor do que a indiferença" (Ibid, p. 51).

     Mas mais uma vez “alguns deles [se endureceram]”[4] e “não obedeceram [ou, creram]”, lit., “eram incrédulos”, isto é, eles não quiseram crer, e a sua obstinada incredulidade fê-los opor-se publicamente a Paulo “falando mal” dos seus ensinamentos, como os Judeus haviam feito em Pafos, Antioquia da Pisídia, Icónio, Listra, Tessalónica, Bereia e Corinto.

     Convencido de que o seu ministério nesses ambientes havia sido encerrado, e desejando transferir aqueles que haviam crido para um ambiente mais edificante, o apóstolo “retirou-se” da sinagoga e “separou os discípulos” dos Judeus incrédulos, começando um ministério diário na "escola de um certo Tirano" (Ver. 9). A escola de Tirano tornou-se para a sinagoga de Éfeso o que a casa de Justo tinha sido para a sinagoga dos Coríntios: uma condenação pública da rejeição de Cristo por Israel.

     Se esse novo local de ministério era uma das escolas religiosas tantas vezes ligadas às sinagogas, ou uma instituição secular de aprendizagem; se Tirano oferecia uso gratuito da escola porque ele havia se convertido a Cristo ou ficara interessado, ou se Paulo e os seus associados a alugaram; de facto, se Tirano era então o palestrante desta escola ou se meramente recebera o nome de um Tirano, nós não sabemos. Nós nem sequer sabemos a que horas Paulo discursava ali. Nós só sabemos que o encontramos, sincero e zeloso como sempre,

     “... disputando todos os dias na escola de um certo Tirano,

     “E durou isto por espaço de dois anos, de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia[5] ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto Judeus como Gregos” (Vers. 9,10).

     Assim, a igreja em Éfeso tornou-se num corpo distinto e Éfeso tornou-se no centro dos trabalhos apostólicos de Paulo e a sede principal do Cristianismo na província da Ásia.

     Uns anos antes ele havia sido “impedido pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra na Ásia” (Atos 16:6), mas agora ele estava a ser usado por Deus para evangelizar completamente toda a província. É possível que a província tenha sido evangelizada espontaneamente quando o Evangelho da graça de Deus foi levado de uns a outros, pois mesmo nos nossos dias superficiais a presença contínua de um evangelista proeminente frequentemente tem efeito numa grande área em torno da cidade em que ele ministra. Muito provavelmente, porém, a província foi evangelizada por uma campanha organizada, quando o apóstolo enviou os seus ajudantes adiante com a mensagem. Contudo, é duvidoso que o próprio Paulo tenha deixado Éfeso para participar nisto, pois não só não há qualquer registo disso, como o nosso texto declara especificamente que este ministério diário na escola de Tirano "durou ... por espaço de dois anos”, tendo isso resultado que “todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus”. Além disso, Paulo, numa epístola escrita mais tarde, afirma distintamente que os crentes em Colossos e Laodiceia, duas das principais cidades da Ásia, não tinham visto o seu rosto (Col 2:1).

     Do registo parece provável que o trabalho tenha extravasado a escola de Tirano e que, além dos três meses na sinagoga e dos dois anos na escola de Tirano, ele tenha passado aproximadamente nove meses a mais em Éfeso (veja Atos 20:31). Pode ser que o resto do Capítulo 19 registe eventos que tenham ocorrido durante esse período. Certamente há o “tempo” do versículo 22.

 ____________________________________

[1] Esta expressão não deve ser confundida com a expressão “reino dos céus”. Isso será discutido em detalhe quando chegarmos a Atos 28:31.

[2] Embora de modo algum contencioso por natureza.

[3] Dean John S. Howson, da Grã-Bretanha.

[4] “Homens de dura cerviz”, em Atos 7:51, deriva desta palavra.

[5] A província da Ásia, na Ásia Menor.

 

 

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