Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVIII – Atos 28:1-16 (2)

Acts dispensationally considered

 

A RECEÇÃO EM MELITA

 

     Paulo já havia sofrido três naufrágios (2 Coríntios 11:25); agora, pela graça de Deus, ele havia sobrevivido a um quarto.

     É em relação a este desembarque em Melita que nós lemos pela primeira vez de “chuva” e “frio”. Deve, portanto, ter sido encorajador para os 276 sobreviventes, esfriados e encharcados como estavam, descobrir que a ilha era habitada por pessoas, de facto, de língua estrangeira,[1] mas desejosas de lhes mostrar “não pouca [Lit., incomum] humanidade.”

     Lucas regista, agradecido, que eles os “recolheram a todos”. Não fazia diferença para aquelas pessoas de coração generoso se os sobreviventes eram soldados, marinheiros, passageiros ou mesmo prisioneiros; eram homens em perigo e precisavam de ajuda. Imediatamente, portanto, fizeram uma fogueia abrasadora (talvez  numa das muitas cavernas da ilha), de modo a que todos se pudessem juntar para se aquecer e se secar. Esse foi o primeiro consolo que eles desfrutaram durante catorze longos dias e noites e não duvidamos que com muitos, ou a maioria deles, a longa ansiedade agora reprimida dava lugar a lágrimas de grato alívio.

     Mas ainda havia uma alma forte e firme entre estes pobres ​​sobreviventes, estendendo a mão para sustentar os restantes; ajudando enquanto outros estavam a ser ajudados e a fazer o que podia para aliviar os sofrimentos dos seus companheiros, aparentemente não se importando com os seus. Foi uma coragem que os centuriões e soldados do exército Romano puderam admirar. Não é de admirar que ele tivesse tantos amigos entre eles!

     Mas as vides que o apóstolo reunira para a fogueira ocultavam uma serpente venenosa, uma víbora e, ao pôr a lenha no fogo, o animal saltou do calor e abocanhou a sua mão.

     Normalmente isso resultaria em inflamação generalizada e morte súbita, e quando os Melitanos viram a víbora pendurada na sua mão, concluíram entre si que ele era sem dúvida um assassino que, embora tivesse escapado do mar, estava prestes a ser executado por Vingança, ou Justiça, a deusa que supostamente se sentava ao lado de Júpiter e tratava de tais casos.

     Porém, o apóstolo sacudiu a víbora para o fogo e não sentiu mal algum,[2] de modo que os Melitanos, procurando em vão que ele morresse, concluíram agora que ele devia ser um deus! Os seus sentimentos haviam mudado tão repentina e completamente quanto os dos habitantes de Listra em sentido contrário, que primeiro quiseram oferecer-lhe sacrifícios e depois o apedrejaram (Atos 14:11-19).

     Este incidente no último capítulo de Atos é seguido de outros, que provam que a era das manifestações milagrosas ainda não haviam passado. Além disso, é outra daquelas narrativas no registo dos Atos que tem um significado simbólico marcante.

 

[1] O termo “bárbaros” não é usado de maneira depreciativa. O Grego barbaroi significa simplesmente pessoas de outra língua e refere-se a todos os que não eram Gregos na língua ou cultura. Os Citas eram os selvagens incivilizados que viviam fora dos limites do Império Romano (Veja Rom. 1:14; 1 Coríntios 14:11; Col. 3:11).

[2] Isto não era um cumprimento de Marcos 16:18. O pegar em serpentes deve ser associada a Êxo. 4:2-5.

 

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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