Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVIII – Atos 28:1-16

Acts dispensationally considered

 

MELITA E A CHEGADA A ROMA

O DESEMBARQUE EM MELITA

 

     “Havendo escapado, então, souberam que a ilha se chamava Malta.

     “E os bárbaros usaram conosco de não pouca humanidade; porque, acendendo uma grande fogueira, nos recolheram a todos por causa da chuva que caía e por causa do frio.

     “E, havendo Paulo ajuntado uma quantidade de vides e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão.

     “E os bárbaros, vendo-lhe a víbora pendurada na mão, diziam uns aos outros: Certamente este homem é homicida, visto como, escapando do mar, a Justiça não o deixa viver.

     “Mas, sacudindo ele a víbora no fogo, não padeceu nenhum mal.

     “E eles esperavam que viesse a inchar ou a cair morto de repente; mas tendo esperado já muito e vendo que nenhum incômodo lhe sobrevinha, mudando de parecer, diziam que era um deus.”

- Atos 28:1-6.

 

MELITA A MODERNA MALTA

 

     Agora é praticamente certo que os 276 sobreviventes chegaram à costa do que hoje é conhecido como a Ilha de Malta, aquela cidadela rochosa que resistiu com sucesso ao contínuo bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial.[1]

     Há outra Melita no Mar Adriático, na costa do Ilírico, no alto do Golfo de Veneza, mas os argumentos que identificam essa ilha com o naufrágio de Paulo são tão triviais que dificilmente valem a pena ser considerados, enquanto os argumentos contra ela são irrefutáveis.

     Com um vendaval vindo do nordeste, tão violento que mal era possível manter o navio sob controlo, como eles poderiam ter chegado a um ponto tão distante ao norte, e com um canal comparativamente estreito para navegar entre o calcanhar da Itália e a Macedónia e muitas ilhas no seu trajeto para tornar a sua passagem ainda mais perigosa? Além disso, se desembarcassem no norte de Mileto, como poderiam depois ter viajado para o norte, para Roma, como claramente fizeram, através de Siracusa, Régio e Putéolos (Vers. 11-13)?

     Por outro lado, há provas notavelmente conclusivas de que eles desembarcaram em Malta e até no local tradicionalmente conhecido como Baía de São Paulo. Essa evidência é, em parte, a seguinte:[2]

     1. A direção e a taxa de deriva, como descrevemos, teriam trazido o navio para a vizinhança de Malta, e aproximadamente nesse período de tempo.

     2. Na direção da sua deriva, eles poderiam muito bem ter chegado ao largo da costa de Koura Pt., a fronteira leste da Baía de São Paulo, sem antes terem se aproximado de qualquer outra parte da costa de Malta.

     3. A rebentação do nordeste atingia este ponto violentamente, mas um navio poderia chegar a um quarto de milha sem bater nas rochas submersas. É evidente, por isso, que os marinheiros “suspeitaram” que estavam se aproximando da terra, mas o navio não encalhou logo.

     4. A profundidade de Koura Pt., à distância da audição da rebentação, é de cerca de 20 braças, e um pouco mais adiante - na direção da sua deriva - é cerca de 15.

     5. O antigo English Sailing Directions, Rumos Ingleses de Navegação, usado antes da virada do século XX, diz desta área: "Enquanto os cabos segurarem, não haverá perigo, pois as âncoras nunca atuarão", tão firme é o fundo ali.

     6. No lado mais distante da baía, a costa rochosa desce até uma praia de areia ou cascalho, como aquela para onde os marinheiros finalmente dirigiram a embarcação golpeada.

     7. Esta baía na costa nordeste de Malta tem sido tradicionalmente chamada de “Baía de S. Paulo”, enquanto não existe essa tradição na Melita a norte.

     8. A presença de outro navio de Alexandria, que hibernou ali na sua rota para a Itália (28:11), é uma forte evidência de que a ilha era Malta. Malta estava no caminho habitual de navegação de Alexandria para a Itália, enquanto a outra "Melita" estava completamente fora de rota.

 

[1] Em abril de 1942 só o inimigo fez 5.715 voos de incursão, lançando 6.728 toneladas de bombas nesta pequena ilha sem defesas.

[2] Muita desta evidência é respigada de Voyage and Shipwreck of St. Paul (Viagem e Naufrágio de S. Paulo) de Smith.

 

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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