Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVI – Atos 25:23-26:32 (4))

Acts dispensationally considered

 

UM ERRO DISPENSACIONAL

 

     Fazemos uma pausa aqui para notar um erro em que os dispensacionalistas extremos às vezes caem no estudo desta passagem.

     Se a falha em se observar as distinções dispensacionais nas Escrituras trouxe dano e perda à Igreja, a falha em reconhecer a unidade do plano de Deus para os séculos e a observação das relações dispensacionais é igualmente danoso.

     Os que, dispensacionalmente, saltam para conclusões apressadas e extremas, geralmente veem algumas “distinções” inexistentes. O resultado, curiosamente, é que, ao procurar estabelecer “distinções” que não existem, geralmente erram voltando para o terreno dos que deixam de notar algumas das distinções mais básicas.

     Um exemplo disso é visto na afirmação errónea de que Paulo aqui afirma diante de Agripa que foi por proclamar o reino do Messias que ele foi acusado pelos Judeus. Durante a primeira parte do ministério de Paulo, argumenta-se, ele pregou praticamente a mesma mensagem que os doze, e o seu ministério especial para connosco só começou depois de Atos 28:28. Estranhamente, parece não ocorrer a esses irmãos perguntar porque é que os membros remanescentes dos doze não estão a sofrer juntamente com Paulo. Mas nós formulamos aqui essa questão. Se os Judeus estavam com tanta raiva de Paulo por proclamar o reino, como é que as multidões dos que criam e proclamavam esta mesma mensagem na mesma altura em Jerusalém e na Judeia continuavam sem serem molestados?

     O facto é que desde o início o apostolado e a comissão de Paulo foram separados e tornados distintos dos doze ou de qualquer outro - e ele diz isso em Atos e nas suas primeiras epístolas (Veja Atos 20:24; Efésios 3:1-3 Gálatas 1:11,12; 2:2,7,9; etc.).

     Agora, considerando a passagem diante de nós, deve ser cuidadosamente observado que o apóstolo não diz que ele estava a ser julgado por proclamar “a promessa” feita aos pais. As “doze tribos” esperavam “chegar” ao cumprimento desta promessa (o reino milenar). Porque, então, eles deveriam encontrar falhas nele por acreditar e proclamar isso?

     Foi por proclamar “a esperança da promessa” que ele foi odiado e perseguido. E qual era “a esperança da promessa”? Era a ressurreição em geral e a ressurreição de Cristo em particular. Os Saduceus - pobres apóstatas! - que se haviam oposto tão amargamente a ela, não viam que a ressurreição, e particularmente a ressurreição de Cristo, era a única base para qualquer expectativa do reino prometido. Somente Cristo era - e é - o legítimo Rei, e os milhares de crentes antes não podiam ver esse reino a menos que fossem ressuscitados dos mortos.

     Os Fariseus, é claro, juntaram-se aos Saduceus na sua perseguição a Paulo porque ademais ele havia salientado como a ressurreição de Cristo era uma prova de uma redenção consumada e de justificação pela graça sem religião ou obras.

     Mas o seu propósito aqui era destacar que ele tinha sido contestado pelos Judeus por proclamar uma doutrina que era a própria - a única - esperança do cumprimento de uma promessa à qual as doze tribos[1] esperavam chegar (Vers. 6,7). Eles “serviam” a Deus intensamente, dia e noite, oferecendo orações e sacrifícios e ablações, ansiando pelo estabelecimento do reino há muito prometido. Mas a ressurreição, especialmente a ressurreição de Cristo, era a esperança dessa promessa e, bem, o apóstolo repete que era a isso que os Judeus se opunham:

     “E agora pela ESPERANÇA da promessa que por Deus foi feita a nossos pais estou aqui e sou julgado ... Por esta ESPERANÇA, ó rei Agripa, eu sou acusado pelos Judeus” (Vers. 6,7; ver também 23:6; 24:15; 25:18,19; 26:22,23).

     E, porque, pergunta ele, “julga-se coisa incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?” (Ver. 8). Ao colocar esta questão, o apóstolo confronta diretamente Agripa com muitos argumentos óbvios a favor da ressurreição. As Escrituras não ensinam isto? Elas não registam exemplos? A natureza toda não dá testemunho disso, e o argumento mais forte de todos - o próprio nome Deus não compreende uma miríade de milagres? Ele seria Deus se não pudesse ressuscitar os mortos? "Pois quê? julga-se coisa incrível entre vós que DEUS ressuscite os mortos?”

     Sem dúvida, Paulo enfrentou Agripa diretamente com a questão da ressurreição porque ele achava que Agripa poderia ter um relacionamento mais próximo com os Saduceus, pois alguns dos sumo sacerdotes haviam sido nomeados por ele.

 

[1] Esta passagem mostra a falácia da teoria do “Anglo-Israelismo”,  a teoria de que as dez tribos do norte de Israel nunca mais se juntaram a Judá e Benjamim após o seu exílio, mas teriam peregrinado para partes mais longínquas, convertendo-se nas raças anglo-saxónicas.

 

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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