Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXVII - ACTOS 16:4-8

Acts dispensationally considered

 

DE LISTRA A TROAS

          “E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.

          “De sorte que as igrejas eram confirmadas na fé, e cada dia cresciam em número.

          “E, passando pela Frígia e província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra na Ásia.

          “E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o espírito de Jesus não lho permitiu.

          “E, tendo passado por Mísia, desceram a Troas”.

- Atos 16:4-8.

 

          Nós encontramos agora Paulo, Silas e Timóteo a visitar as cidades onde Paulo e Barnabé tinham anteriormente ministrado, e entregue aos crentes para a sua observância, os “decretos” (Gr. dogmata) que tinham sido “estabelecidos” (Gr. Krino, não “ordenados”) pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.

          O uso da palavra dogmata,[1] traduzida por “decretos” na Versão de Almeida, não implica que os gentios estivessem, afinal, parcialmente sujeitos à lei. Como já salientámos numa chamada, a decisão básica do concílio em Jerusalém era que a circuncisão e a lei não deveriam ser impostas sobre os crentes Gentios, embora os líderes ali, esperassem que os irmãos Gentios cooperassem na abstenção de tais práticas por amor dos Judeus, a fim de não anularem logo de início o seu ministério entre eles (ver Atos 15:19-21; Atos 21:25).

          Se a intenção do concílio tivesse sido colocar ou manter parcialmente os crentes Gentios debaixo da lei isso não teria constituído para Paulo e para a sua mensagem nenhuma grande vitória. Contudo, a comunicação de Jerusalém trouxe “alegria” e “consolação” aos irmãos Gentios (15:30,31) “confirmando as igrejas” (15:41) e estabelecendo-as na fé (16:5).

          Em dias em que tanta ênfase se coloca no “conseguir-se decisões para Cristo” e tão pouca na doutrina e estudo da Palavra, será importante notar que as igrejas “cada dia cresciam em número” à medida que os crentes eram “confirmados na fé” (ver. 5).

            O princípio selectivo na inspiração Divina das Escrituras é claramente visto nos versículos 5 e 7. Todo o ministério de Paulo na Galácia resume-se em poucas palavras, evidentemente porque o seu registo não se encontraria em linha com o propósito especial dos Atos. Na sua carta aos Gálatas nós aprendemos que ele lhes pregou o Evangelho “estando em fraqueza da carne” (Gál. 4:13). A natureza exacta da doença que o deteve entre os Gálatas não nos é declarada[2], embora pareça ter sido um problema de olhos (Gál. 4:15; 6:11). Não obstante o que quer que tenha sido, sabemos que até na sua doença ele apresentou claramente Cristo crucificado entre eles (Gál. 3:1) e que a sua energia e fidelidade foram ricamente recompensadas pela estima e afeição prodigalizada pelos que ele ganhara para Cristo (Gál. 4:14-15).

            “Ásia”, uma província da Ásia Menor, seria o lugar natural para Paulo e os seus companheiros se dirigirem a seguir, mas por alguma razão o Espírito Santo impediu-os de pregar ali a Palavra nessa altura. Se tal se deveu a uma visão, a alguma profecia, ou a uma revelação directa, não nos é dito, porém sabemos que mais tarde Paulo recebeu permissão para efectuar nesta região uma grande obra, “de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a Palavra do Senhor Jesus, assim Judeus como Gregos” (Act. 19:10; cf. 19:26; 20:4).

            A seguir, ao chegarem à Mísia, “intentaram” ir para Bitínia, mas “o Espírito[3] não o permitiu” de novo. Assim passaram pela Mísia, não geograficamente, mas tanto quanto trabalhar lá dizia respeito, e “desceram a Troas” (ver. 8).

          Nada é dito nesta passagem acerca de Paulo ter revisitado os crentes em Antioquia da Pisídia, mas esta cidade encontrava-se no trajeto da sua jornada e pode estar incluída nas “cidades” referidas no ver. 4. O propósito original do apóstolo em revisitar as cidades onde tinham sido estabelecidas igrejas estava, de qualquer forma a ser grandemente alargado.


Da qual vem a nossa palavra dogma.

[2] Nem se era este o “espinho na carne” aludido em II Cor. 12.7-10.

[3] Algumas versões, como a de Almeida, lêem: “o Espírito de Jesus”. Ainda assim trata-se do Espírito Santo que, como sabemos, foi enviado por Jesus (João 16.7; Atos 2.33); o mesmo que já enviara Paulo e Barnabé (13.2,4) e impedira Paulo, Silas e Timóteo de pregarem na Ásia (16.6).

 

 

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