28-03-16 - China força líderes a especificar religião no documento de identidade

O governo chinês está a tentar forçar os líderes religiosos a especificar a sua religião nos documentos de identidade emitidos pelo Estado, de acordo com informações do site Mission Network News.
"Obviamente isso é novo, por isso, não sei como vai ser implementado. Mas no Médio Oriente, se o seu documento de identificação diz que uma pessoa é muçulmana, ela não pode reemitir outro se decidir mudar de religião (se se tornar um cristã, por exemplo)", relata Todd Nettleton, porta-voz da organização Voice of the Martyrs.
Neste momento, o decreto visa monges budistas na China. Aparentemente, o governo chinês quer ter mais controlo sobre o Tibete e sua identidade nacional. No entanto, Nettleton adverte que esta ação não vai parar por aí.
"Já existe um movimento em andamento para estender isso para além dos monges budistas, também aos membros das moutras religiões na China", afirma Nettleton.
O governo da China contraria essa ideia afirmando que o país não é anti-religião, mas sim, anti-terrorismo. No entanto, essa repressão é resultante de uma aparente ameaça política.
"Eles veem que há mais cristãos membros de igrejas não registadas do que membros do Partido Comunista. A sua base de poder é o Partido Comunista, e ela está agora em número bem inferior por causa dos cristãos. Então é, certamente, uma preocupação para eles", explica Nettleton.
Enquanto a Constituição da China garante a liberdade religiosa, ela protege somente o que são consideradas atividades religiosas "normais". "Temos visto ataques contra os edifícios das igrejas e pastores serem presos — até mesmo pastores de igrejas registadas", disse Nettleton.
A campanha do governo levou à demolição de igrejas na província de Zhejiang, considerada a região com o maior número de cristãos da China. Desde 2013, mais de 1.700 cruzes foram retiradas e cerca de 400 igrejas foram demolidas.




