17-04-10 - Sr. Dawkins, qual o problema com a pedofilia?
Lendo a reportagem sobre o plano de Dawkins (foto ao lado) e Hitchens de processar o papa Bento XVI, é notório como o ateísmo não consegue lidar com as consequências das suas pressuposições filosóficas. Se “Deus está morto”, qual é o padrão moral por que o ser humano se deve espelhar? “O homem é a medida de todas as coisas,” poderá responder um céptico. Mas ele terá que responder outra pergunta: Qual homem? (por homem entenda comportamento) Hitler ou Madre Tereza? Estalin ou Gandhi? Pinochet ou Jesus? A ética centralizada no ser humano, como proposta por Kant, não funcionou e pior: trouxe consequências catastróficas à nossa geração.
Não estou a dizer que ser ateu é sinónimo de ser depravado. Conheço diversos ateus com um comportamento exemplar quando o assunto é cidadania e filantropia. Não é esse o meu ponto. O que estou a dizer é que se não existe um padrão (para os teístas, Deus) para diferenciar entre o certo e o errado, “todas as coisas são permitidas”, como bem disse Fyodor Dostoievsky. Estupro, assassinato, pedofilia, genocídio e outras atrocidades podem ser explicadas por uma visão relativa da moralidade, mas, no nosso íntimo, todas elas nos incomodam.
Concluo com uma citação de C. S. Lewis: “Num tipo de simplicidade assustadora, removemos o órgão e exigimos a função. Fazemos homens sem peito e esperamos deles virtude e iniciativa. Rimos da verdade e ficamos chocados ao encontrarmos traidores no nosso meio. Castramos e esperamos que o castrado seja reprodutor” (The Aboliton of Man, p. 35).
Dawkins e Hitchens estão a lutar para que Deus seja removido da sociedade, mas ainda querem uma moralidade absoluta! Alguém conseguiria explicar isto, por favor?




