07-03-10 - Birmânia: Avivamento depois do ciclone Nargis
Tragédias como a do terrremoto no Haiti muitas vezes acabam por trazer avivamento espiritual. Em 2008, a nação asiática da Birmânia sofreu o impacto de um ciclone que provocou milhares de mortos. Dois anos depois, os missionários afirmam que muitos aceitaram Cristo, desde então, e as crianças têm dado o exemplo.Crianças órfãs da tribo Karen (na foto ao lado) erguem as mãos e as vozes unidas em louvor de Deus. Tratam-se de refugiados Cristãos, perseguidos pelos militares birmaneses que se refugiaram na vizinha Tailândia.
Klein é presidente da Visão Além Fronteiras e trabalha na Birmânia há 17 anos. Este Natal passado, ele e sua equipa entraram na selva, na fronteira com a Tailândia e a Birmânia para entregar Bíblias, suprimentos e assistência médica aos órfãos e outros refugiados.
Wes Flint, membro da equipa, ficou comovido com a forma como as crianças perdoam aos seus perseguidores. "A sua fidelidade e o seu compromisso com Jesus Cristo, ensinam-me que não devo guardar rancor ou animosidade contra os que me perseguem."
Segundo Klein é comovente ouvir as histórias delas. "A mãe doente de um menino foi violada na frente dele e depois morta por soldados birmaneses e, em seguida, mataram o seu pai – depois de baleado, como ainda estava vivo, atearam-lhe fogo."
Segundo o "Humans Rights Watch”, as violações dos direitos humanos na Birmânia pioraram após a devastação do ciclone Nargis em Maio de 2008.
Etnias minoritárias como os Karen são muito perseguidas. A leste do Estado de Karen, os abusos, incluem trabalho forçado, violência sexual contra mulheres e meninas, assassinato, tortura e confisco de terras.
Cerca de 40 por cento dos Karen são Cristãos.
"É como se os militares birmaneses estejam decididos a eliminar todos os que se opõem a eles e principalmente os Cristãos. Eu vejo mais oposição do governo ao Evangelho, mas também vejo mais receptividade ao Evangelho entre as pessoas", diz Klein.
Este interesse aumentou desde o Nargis, especialmente na região do Delta, que sofreu o impacto directo do ciclone.
Numa das igrejas não-registadas na Birmânia, os Cristãos que se reúnem, fazem-no há menos de um ano, desde pouco depois do ciclone Nargis.
Muitos são budistas, que buscam mais conhecimento do Cristianismo e de Jesus.
Um evangelista, cuja identidade nós protegemos por questões de segurança, plantou muitas igrejas na Birmânia, e várias desde o ciclone. Ele diz que não se vai deixar desviar por um governo que visa limpar o país da influência cristã. "Eles tentam transformá-lo num país budista. Por mais que nos pressionem, ganhamos mais. Quando falamos de Jesus, muitas pessoas vêm."
Os cultos nas igrejas trazem dificuldades aos novos convertidos. Quando as descobrem, o governo encerra as igrejas não-oficiais.
Os Cristãos dizem que há poucos lugares para se reunirem porque o regime não permite a construção de novas igrejas desde 1965. Assim, muitos cristãos são forçados a reunir-se secretamente em casas.
Um pastor que também pediu que ocultássemos a sua identidade, disse que sua igreja foi recentemente fechada pelo governo. "Estamos fortalecidos na nossa fé. Quando temos liberdade, não a valorizamos, mas quando reprimem a igreja, sabemos valorizar a liberdade.”
E o que disse à polícia quando proibiram as reuniões nas casas? "Sempre que os vemos dizemos," oramos sempre por vós e amamos-vos", disse ele.
Klein diz que ele e sua equipa continuam a procurar formas de levar Bíblias, roupas e outros auxílios aos birmaneses. "Eu quero fazer tudo o que pudermos para mostrar que eles não estão sozinhos, que Deus, no céu, ouve o seu clamor e quer ajudá-los."
Segundo Flint, o desafio lançado à igreja é que orem.




