Um jovem consagrado

umdianavida.jpg     Em 1970 Alexander Soljenitsin, escritor famoso, recebeu o prémio Nobel da Literatura pelos seus livros escritos nas prisões da antiga União Soviética.

     No dia 3 de Agosto último (2008), com 89 anos de idade, ele faleceu em Moscovo. O livro premiado é o famoso Arquipélago Gulag, no qual conta os sofrimentos dos prisioneiros. O mais interessante de tudo é que a pena de oito anos de prisão que ele sofreu deveu-se a uma carta que escreveu ao ditador Estaline. Nessa carta Soljenitsin queixava-se dos sofrimentos infligidos aos soldados russos, por parte dos oficiais, na Segunda Guerra Mundial, contra os alemães.

     Dentre os seus livros, temos um com um título pouco comum: Um dia na vida de Ivan Denisovich. À primeira vista, parece-nos que o livro é uma homenagem. Ele fala sobre os companheiros de prisão, mas as notas sobre o prisioneiro, companheiro de cela, chamado Aliosha, são de arrepiar. Vamos conhecer esse jovem.

     Aliosha é o diminutivo de Alexander, nome muito comum entre os russos. Sempre que o autor menciona o jovem Aliosha, ele informa: “Aliosha, o baptista”. Aliosha copiava à mão trechos das Escrituras e distribuía aos colegas. Foi essei o seu crime. Apanhou muitos anos de prisão, pois sempre que era solto, ele voltava a distribuir porções da Palavra de Deus.

     Façamos uma ressalva. Costumamos classificar os nossos dias como dias difíceis para o jovem cristão. Tolice! Jamais tivemos dias mais fáceis ou mais difíceis. O mundo, que “jaz no maligno”, foi sempre inimigo do Reino de Deus. Eis o parecer de Soljenitsin sobre Aliosha: “Eram cinco e meia da manhã. Aliosha acorda, move um tijolo, onde ele escondia as páginas copiadas do Novo Testamento. Durante meia hora, lia a meia voz e orava por todos nós. Lá fora, trinta graus abaixo de zero”.

     Irmão, já imaginou que há poucos anos havia alguém que fazia isso? Vamos a outra citação.

     “Eram 6h30 da manhã. O capataz toma o chicote e obriga os prisioneiros a entrarem na fila para seguirem para o campo de trabalhos forçados. Aliosha é sempre o primeiro da fila. Nunca leva chicotadas. O clima aponta 25 graus abaixo de zero. Aliosha nunca reclama”, lembra Soljenitsin.

     A última citação é mais comovente ainda: “São 7 horas da manhã. Marchamos por uma estrada. O sol brilha, derrete a neve nos campos. Estamos a vinte graus abaixo de zero. O rosto de Aliosha brilha tanto pelo sol que nos aquece, como pela felicidade que nasce no seu coração. Ele é o único feliz entre nós, o seu Cristo lhe basta”.

     Jovem, naqueles anos, a cortina de ferro (linha fronteiriça entre os países europeus que tinham governo comunista, e que eram integrados no bloco liderado pela ex-União Soviética, e os da Europa ocidental) impedia o livre-trânsito. Amigos e admiradores do escritor russo passaram o livro por baixo da “cortina”.

     A Sorbonne, famosa Universidade de Paris, traduziu e publicou o livro. Aliosha tornou-se conhecido no mundo todo, pregou a estudantes através do livro, penetrou no mais difícil dos campos que é o filosófico, político e estudantil. Será que ele ainda está vivo? Isso não sabemos, mas uma coisa é certa: ele cumpriu as Escrituras, que nos dizem: “Depois de morto ainda fala”. Pois é, ainda há jovens consagrados. Jovem, não queres ser um deles?

MANOEL DE JESUS THÉ
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