Posição e Estado

POSIÇÃO E ESTADO
Priscila: Não compreendo! Num sítio a Bíblia declara que estamos mortos (Col.3.3) e noutro sítio que estamos vivos (Efé. 2.1). Em Efésios 2.6 estamos assentados nos lugares celestiais apesar de estarmos a viver na terra. Estamos abençoados com todas as bênçãos espirituais (Efé. 1.3) apesar de alguns crentes serem pobres ou padecerem de enfermidades. A nossa cidadania é celestial (Efé. 3.20) e somos cidadãos do país em que nascemos. Como se explica isto?
Paulo: O que estás a dizer não são contradições, mesmo apesar de parecerem. Por um lado a Bíblia fala do nosso “estado” ou do nosso viver prático diário, enquanto que por outro lado fala da nossa “posição” ou seja, da nossa posição perfeita como Deus nos vê no Senhor Jesus Cristo.
Priscila: Por que é que há diferença entre estado e posição?
Paulo: Enquanto vivemos aqui na terra, nós, crentes, temos duas naturezas. Uma natureza, a velha, não quer agradar a Deus, enquanto que a outra natureza, a nova, só pode agradar a Deus. Existe uma luta constante entre as duas, levando-nos a altos e baixos na nossa vida espiritual. Mesmo o apóstolo Paulo, que Deus escolheu para ser nosso exemplo, experimentou esta luta (Rom. 7). A isto chama-se o nosso estado.
Priscila: E o que é a nossa posição?
Paulo: Mesmo apesar de termos esta luta nós somos perfeitos aos olhos de Deus porque Cristo pagou pelos nossos pecados e Deus vê-nos em Cristo, exactamente como se estivéssemos no céu. Esta é a nossa posição diante de Deus.
Priscila: Será que Deus quer que nós deixemos que a nossa nova natureza reine constantemente, de modo a actuarmos mais de acordo com a nossa posição celestial?
Paulo: Claro! Em Filipenses 3.14, Paulo escreveu, «Prossigo para o alvo, pelo prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus». Este também deve ser o nosso alvo.
Priscila: Então, em resumo: a nossa posição, é o que nós somos em Cristo e o nosso estado é o que somos em nós mesmos – ou melhor, o que devemos ser. A primeira tem a ver com doutrina e a segunda com o dever.
Paulo: Exactamente. Há uma grande diferença entre o que o crente é em Cristo e o que ele é em si mesmo. A vontade de Deus é que o nosso estado corresponda cada vez mais à nossa posição. É claro que nunca vamos atingir o estado de perfeição nesta vida; isso nunca acontecerá antes de morrermos ou antes da vinda do Senhor. Mas o processo deve estar em marcha; o nosso estado deve já caminhar progressivamente para a nossa posição.
Priscila: Como é que podemos saber se uma determinada passagem fala da nossa posição ou do nosso estado?
Paulo: Quando encontrares expressões como «em Cristo», «no Amado», ou «n’Ele», podes ter a certeza de que o escritor está a referir-se à nossa posição (Vê Efé. 1.3-14). A melhor forma de identificarmos o nosso estado é repararmos quando encontramos um versículo que nos diga o que devemos ser ou fazer. Para além disso, nota a título de exemplo, estas passagens:
| Posição | Prática |
| «Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?» (Rom. 6.2) 1 | «Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor» (Rom. 6.11) 1 |
| «A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos» (Rom. 1.7) 2 | «Para que a recebais no Senhor, como convém aos santos» (Rom. 16.2) 2 |
1 Tu estás morto para o pecado. Esta é a posição em que a graça te colocou. Agora morrer para o pecado dia a dia – é o que deve ser o teu estado e prática.
2 Paulo reconhece os crentes de Roma como santos. Essa é a posição deles. Mas os santos devem viver santamente, e esse é o lado prático, o seu estado.