Disparates Sonantes
Vãs Subtilezas, ou Disparates SonantesEste artigo destina-se especialmente aos jovens estudantes das escolas ou universidades. Diariamente estás, provavelmente, sob a instrução de homens não regenerados que não têm nenhum amor pelo teu Salvador ou a tua Bíblia. Inicialmente, estás certo de que não serás afectado pelos seus ensinos anti-Cristãos, mas depois és levado pelo que eu chamo de “a ilusão da aula”. Começas a pensar: “Este homem deve saber o que está a dizer. Afinal, ele é académico e douto.” Daqui à conclusão que os Cristãos são um monte de gente ignorante, os anciãos não sabem o que se passa, e os pais estão definitivamente ultrapassados, o passo é muito curto. E, em todo o caso, como sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus? Presta atenção! O apóstolo Paulo tem uma mensagem para ti:
“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias (ou, intelectualismo) e vãs subtilezas (ou, disparates sonantes), segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo (ou, não fazendo caso de) Cristo” (Col. 2:8) [Versão Phillips entre parênteses].
O Cristão sábio não se deixa levar pelos disparates sonantes do intelectualismo moderno. Ele não se deixa intimidar quando é chamado de obscurantista. Ele recusa curvar-se no santuário da sabedoria humana. Pelo contrário, tem a consciência de que em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, e que desde que tem Cristo não tem necessidade de se envergonhar da sua fé. Porque estes professores não têm Cristo, ele não espera que eles tenham o discernimento divino que os crentes mais humildes possuem. Ele pode escutar os seus ensinos e com serenidade considerá-los à luz da Palavra de Deus. Se ele encontra algum ensino que se oponha às Escrituras, ele rejeita-o. Ele destrói os raciocínios humanos e toda a altivez que se exaltam contra o conhecimento de Deus, e traz cativo à obediência de Cristo todo o pensamento (2 Cor. 10:5).
Ele não espera que a sua Bíblia concorde com as descobertas alteráveis da ciência. De facto, ele alegra-se por a Bíblia não concordar com muitas teorias não provadas que ele estuda. De outro modo a Bíblia teria de mudar tão frequentemente quanto os compêndios.
Infelizmente, nem todos os jovens Cristãos têm esta maturidade de discernimento e juízo. Alguns têm uma reverência arrogante e presunçosa pela sabedoria e conhecimento humanos, mas têm-na com honestidade, pois foram alimentados com ela pelos seus pais, desde que começaram a pronunciar as primeiras grandes palavras.
É assim que vão para a universidade – e quem é que está à espera deles, senão o próprio diabo? Ele usa a mesma táctica que usou com Eva; ele apela à mente. “Tens uma inteligência brilhante. Podes singrar no mundo, mas contanto que sejas suficientemente contido para tomares a Bíblia literalmente. Ora o que tu queres é sujeitar a Bíblia ao teste da razão humana. Se não é razoável, não pode ser verdadeira. Examina-a objectivamente e diz-me como podes saber que a Bíblia é a Palavra de Deus.”
A história repete-se. Eva gostou desta linha de pensamento, e muitos dos seus filhos e filhas também estão a gostar dela: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” (2 Cor. 11:3).
Poucas coisas são mais patéticas do que um jovem crente querer “dar ar de intelectual.” Ele perde a simplicidade que há em Cristo. O vigor da sua primeira fé desaparece. A Bíblia que ele outrora desfrutava já não o atrai mais; ele não consegue lê-la sem pensar em dúvidas e contestações. Ele deixou de ter um cântico no seu coração. Quanto ao testemunhar de Cristo, ele foi fulminado de mudez como Zacarias, porque duvidou da Palavra do Senhor. Ele afasta-se muitas vezes da comunhão Cristã e deambula pelas trevas de uma vida de desperdício.
Haverá algo que um jovem Cristão possa fazer para se proteger do perigo de uma fé deteriorada?
Em primeiro lugar, pode obter a direcção do Senhor no que respeita à instituição de ensino que vai frequentar. Em algumas encontrará quem o ajude, noutras encontrará muita oposição. Nem todos os jovens crentes podem sobreviver a uma atmosfera anti-Cristã, não obstante alguns serem bem sucedidos, manifestando-se com um testemunho triunfante.
Em segundo lugar, ele deve ser discreto relativamente ao rumo a seguir. Se ele pensa que pode brincar com fogo e não se queimar, ele “sabe mais do que a Bíblia”.
A Bíblia interroga: “Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem?” (Prov. 6:27). E a resposta é claramente “Não!”
Em terceiro lugar, ele deve passar tempo diariamente com a Palavra de Deus. A maior parte dos cancros universitários ocorrem quando teorias críticas sobre a Bíblia ocupam o tempo que a Bíblia devia ter.
Em quarto lugar, ele deve manter-se puro. Estou convencido de que a maior parte dos casos de apostasia resultam mais de uma falha moral do que de dificuldades intelectuais honestas.
Em quinto lugar, ele deve procurar companhias Cristãs e ajudar outros crentes a tornarem Cristo conhecido.
Finalmente, ele deve orar constantemente para que Deus o guarde da contaminação e poluição das filosofias ímpias, e o preserve para uma vida de utilidade e produtividade para Ele.