Comentário a crónica da jornalista Luísa Castel-Branco

A jornalista Luísa Castel-Branco costuma escrever uma crónica semanal no jornal Destak. A sua crónica da semana passada intitulava-se "Morrer sem ter um colo".

O teor do texto deu-me uma vontade irresistével de lhe escrever. Eis o texto e o comentário:

Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

Morrer sem ter um colo

Nunca ninguém me pegou ao colo, me embalou, tomou conta de mim e me levou até aos céus. É assim que vou morrer, sem saber o sabor da acalmia da mente, da alma, como uma praia infinita de areia branca e águas transparentes, uma floresta de múltiplos verdes em que o vento deposita uma dança maravilhosa, numa melodia impossível de descrever.

Vou morrer virgem de tantas coisas, de tantos sentimentos e sensações que nunca provei, que não sei como são. Se o destino existe, e se ele se prende com reencarnações sucessivas, a essa outra que virá um dia eu desejo a paz de espírito, sem assombros de fantasmas da infância, sem o peso de todos as responsabilidades e principalmente sem esta lucidez que, como um espelho gigante e multifacetado, mostra-me clara e nitidamente os meus erros, omissões e faltas. Tenho saudades do que não conheço, mas que revejo na vida dos outros.

Tenho pena desta minha existência, desta passagem pela vida, tão imperfeita, tão pouco tantas coisas e tantas outras. O irónico é que, desde que me lembro de ser gente, sonhei com esse colo, esse abraço protector, esse escudo contra o medo, as tempestades, os desgostos ridículos e as amarguras de lágrimas de raiva e sangue. Sonhei-o, a esse meu cavaleiro andante. Nada de especial, nada de fantástico. Apenas alguém suficientemente bom, inteligente e capaz de me amar como sou, de me conhecer para além do óbvio e de me cuidar, como se fosse um pedaço de jardim, um livro antigo ou uma peça sem outro valor senão o da saudade.

in Destak 6.11.07
publicado por Luísa Castel-Branco às 10:45


De Carlos Oliveira a 11 de Novembro de 2007 às 02:40

Olá Luísa,

Ao ler a sua crónica apeteceu-me apresentar-lhe Jesus - não religião.

Ele é o colo de que todos precisamos, quando todos os outros colos nos faltam.

Ele pode perfeitamente dar-lhe colo, tomar conta de si, embalá-la, levá-la ao céu. Sim, Ele é tão fantástico e único, que pode, na morte estar consigo e dar-lhe o sabor da acalmia da mente, da alma, na praia infinita deslumbrante que a eternidade lhe pode reservar e ofertar.

Se O conhecer deveras, não morrerá virgem dessas tantas coisas, desses tantos sentimentos e sensações que nunca provou, que não sabe como são, e que a querem deleitar.

Só Ele lhe pode dar a paz de espírito que persegue e perdoar-lhe e apagar os seus erros, omissões e faltas. Ele levá-la-á a conhecer o inimaginável e a desfrutar do abençoável que viu e que nunca viu na vida de ninguém. Só Ele lhe poderá dar sentido à existência e propósito à sua passagem por esta vida. Como entendo essa sua saudade desde criança! O ser humano tem um vazio na forma de Deus. Nada mais, a não ser Ele o pode preencher satisfatória, plenamente.

A voz de Jesus ainda se ouve hoje, dizendo: "Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei ...". Permita-Lhe que Ele lhe dê esse colo único, desejado e apetecível, e lhe faculte a protecção e o escudo que a tornará imune a medos, tempestades, desgostos e amarguras. Ele é o Cavaleiro descrito como o que cavalga sobre os céus para a sua ajuda. Ele amá-la-á como é e valorizá-la-á como nunca foi nem sonhou. A saudade dará lugar à eterna felicidade.

Que Deus a abençoe.

Carlos Oliveira

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