Quando as pedras clamam e os montes pregam

pedras_clamam.jpg     Mundo geológico ao contrário: o que normalmente está por baixo, neste caso está por cima.

     Um artigo num jornal suíço expressava o seu espanto em relação à grande carreação geológica na região de Glarus, no centro da Suíça. Entre outras coisas, dizia:

     Afinal, neste paredão vê-se algo que na realidade seria impossível: na área de Sool, camadas geológicas mais antigas estão por cima de camadas mais recentes. O normal é exactamente o contrário. O professor de Geologia Adrian Pfiffner, de Berna, ... refere-se a esse fenómeno extraordinário como um “milagre geológico”. Essa região deve ser declarada pela UNESCO como o terceiro património natural mundial da Suíça, com o nome de “Grande Carreação de Glarus”.

     O artigo continua, dizendo:

     As camadas geológicas viraram pelo avesso um acontecimento mundial decisivo: “Quando as placas continentais da Europa e de África se chocaram, empurrando a europeia para debaixo da africana, formou-se uma região de compressão”... “Da compressão e deformação das rochas resultaram os Alpes, compostos de dobras – e carreações”.[1]

     Aquilo que os geólogos interpretam como um processo natural é, para quem crê na Bíblia, resultado de outro evento mundial: o Dilúvio. As pessoas poupariam muito trabalho se simplesmente cressem nisso e pesquisassem os ensinos bíblicos. Os cientistas procuram a resposta para a criação nos elementos rochosos das montanhas. Cavam, medem, pesquisam e elaboram teorias que nos lembram o que está escrito em Jó 28.9: “Estende o homem a mão contra o rochedo e revolve os montes desde as suas raízes”.

     Mas ao se maravilhar com esses fenómenos extraordinários, a maioria das pessoas não percebe que o Criador está por detrás desses “milagres”, e que é o Senhor que vira as montanhas do avesso, de forma que as rochas mais antigas fiquem por cima das rochas mais recentes: “Ele é quem remove os montes, sem que saibam que Ele na sua ira os transtorna” (Jó 9.5).

     O grandioso maciço alpino é um símbolo da sublime grandeza do Criador omnipotente, louvado pelos Salmos: “...ó Deus, Salvador nosso, ...que por Tua força consolidas os montes, cingido de poder” (Sl 65.6). “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2).

     A imensa pressão das massas de água do Dilúvio empurrou as rochas, formando montanhas e vales.

     A Bíblia não nos deixa na ignorância a respeito do que aconteceu para que as camadas rochosas ficassem invertidas e as montanhas atingissem a altura que têm hoje. O Salmo 104 aborda esse fenómeno, e explica-o com uma clareza que não deixa qualquer dúvida: “Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não vacile em tempo nenhum. Tomaste o abismo por vestuário e a cobriste; as águas ficaram acima das montanhas; à Tua repreensão, fugiram, à voz do Teu trovão, bateram em retirada. Elevaram-se os montes, desceram os vales, até ao lugar que lhes havias preparado” (vv.5-8).

     A Terra foi criada por Deus quando o homem ainda nem existia (Jó 38.4). Por isso, a única fonte confiável de pesquisa é a Palavra d'Aquele que tudo criou. Assim, o homem deve buscar informações na Palavra de Deus e submeter-se a ela.

     O Dilúvio (Gn 6-9), juízo que o Senhor derramou sobre a Sua criação de outrora porque esta tinha caído num abismo de pecado, afastando-se d'Ele, cobriu todos os seres vivos. Também ficaram cobertas as montanhas, que naquela época provavelmente ainda não tinham a altura de hoje. Podemos partir do princípio de que antes do Dilúvio a criação tinha formatação diferente da actual, inclusive do ponto de vista geológico. Pedro dá uma indicação a respeito ao falar do mundo “antigo” e do mundo “de agora”: “...e não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios” (2 Pe 2.5). “Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela Palavra de Deus, pela qual veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água. Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma Palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios” (2 Pe 3.5-7).

     O Dilúvio transformou o mundo “antigo” (que provavelmente era mais plano) num mundo geologicamente “diferente”, como o conhecemos hoje. A imensa pressão das massas de água empurrou as rochas, formando montanhas e vales.

     As maravilhas e fenómenos naturais que admiramos hoje são mais que um “património mundial”. São, na verdade, uma referência a Deus, Criador dos céus e da terra, que nos mostram Sua actuação.

     As montanhas, porém, não são apenas uma referência à força criadora de Deus e ao Dilúvio. Ao mesmo tempo, chamam a nossa atenção para o facto de que um dia Deus interferirá novamente, de forma sobrenatural, na Sua criação, por meio de outro juízo. Depois de Pedro ter falado sobre o mundo antes do Dilúvio e sobre o juízo derramado por Deus, ele faz uma ponte profética para um evento futuro, e escreve: “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma Palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas” (2 Pe 3.7-10). Depois desse evento acontecerá uma nova criação, um novo céu e uma nova terra, em que não dominarão mais o pecado e a decadência, mas a justiça de Deus: “Nós, porém, segundo a Sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pe 3.13).

     Essas verdades imutáveis, reveladas na Palavra de Deus e demonstradas na Criação, têm como objectivo incentivar os cristãos a viverem de forma piedosa, isto é, a seguirem a Cristo afastando-se do pecado e colocando Deus acima de tudo nas suas vidas, honrando-O exclusivamente a Ele. Além disso, a expectativa da volta de Cristo deve-nos impulsionar a avançar na sua direção, isto é, a esperar ansiosamente por ela, já que ela pode acontecer a qualquer momento. Na sua segunda carta, Pedro escreve: “Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão” (2 Pe 3.11-12).

     Depois que Jesus tiver voltado e estabelecido o Seu reino, novas mudanças geológicas acontecerão, que deixarão Jerusalém mais elevada, não apenas devido à sua posição espiritual, mas também de forma literal: “O Senhor será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o Senhor, e um só será o Seu nome. Toda a terra se tornará como a planície de Geba a Rimom, ao sul de Jerusalém; esta será exaltada e habitada no seu lugar, desde a Porta de Benjamim até ao lugar da primeira porta, até à Porta da Esquina e desde a Torre de Hananel até aos lagares do rei. Habitarão nela, e já não haverá maldição, e Jerusalém habitará segura” (Zc 14.9-11). Deus fala sobre isso também por intermédio do profeta Isaías: “Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Senhor será estabelecido no cimo dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos” (Is 2.2).

     As massas rochosas clamam e as montanhas proclamam que há um Deus criador, que tem todo o poder, e que pode interferir em Sua criação a qualquer momento. Ao mesmo tempo, Ele mesmo é, em Cristo, o “monte” no qual encontramos refúgio, onde podemos nos esconder, onde encontramos protecção e segurança. “Envia a Tua luz e a Tua verdade, para que me guiem e me levem ao Teu santo monte e aos Teus tabernáculos” (Sl 43.3).

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