Ilustrações da Verdade Bíblica (LXVIII)

H. A. Ironside

Por H. A. Ironside
 
Magnificando Cristo
 
     “… Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte” (Fil. 1:20).
 
 
 
     É tarefa de um Cristão manifestar de tal modo o espírito de Cristo na sua vida que homens e mulheres se apaixonem pelo nosso bendito Senhor. Geralmente as pessoas conhecem pouco de Cristo, mas uma vida devotada a magnificá-Lo e a glorificá-Lo, leva-as a confiar n’Ele por si mesmas. Um exemplo marcante disto veio à minha atenção há alguns anos quando estive envolvido numa campanha evangelística especial no campo missionário do norte do Arizona onde obreiros dedicados procuravam apresentar Cristo aos Índios Navajo e Hopi.
 
     Na companhia de Fred G. Mitchell, missionário veterano para esses povos negligenciados, eu fui um dia ao hospital missionário em Ganado. Ali a minha atenção foi atraída por uma mulher Navajo que ocupava uma cama numa das pequenas enfermarias. Ela não podia falar Inglês e a o meu conhecimento de Navajo limitava-se a meia dúzia de palavras, de modo que não poderia prosseguir com qualquer conversa animada. De pé, próximo dela, Mitchell contou-me a sua história.
 
     O médico missionário tinha-a encontrado moribunda, no deserto, umas dez semanas antes. As circunstâncias reais eram tão horríveis que não as passarei para o papel. Os seus gritos de angústia tinham atraído o médico ao lugar onde ela estava prostrada em estado desesperado havia quatro dias e quatro noites sem comer nem beber. Nessa altura, ela parecia um caso perdido. Ela ficou paralisada da cintura para baixo; não podia mover-se; formou-se uma gangrena e ela ficou num estado lastimável. Um exame superficial levou o médico a sentir que o seu caso era desesperado. Porém ele envolveu num cobertor limpo o seu corpo imundo, colocou-a no seu carro e apressou-se para o hospital missionário. Ele soube depois que o feiticeiro índio tinha-se debruçado sobre ela umas quarenta e oito horas, e depois anunciou que ela estava possuída por um espírito maligno que não poderia ser expulso. Seria melhor levá-la para o mais longe possível do acampamento Navajo, pois de outro modo os demónios assombrariam o lugar se ela morresse ali, tornando o ambiente inseguro para os demais Índios.
 
     No hospital, um exame médico mais aprofundado convenceu o médico que uma operação poderia salvar-lhe a vida, mas seria delicada e perigosíssima, havendo uma possibilidade em cem de se poder salvar. O pequeno grupo de missionários foi chamado a orar e o médico realizou a operação. Mitchell disse-me que durante os nove dias e nove noites seguintes ele manteve a paciente sob observação quase constante. Finalmente a febre desapareceu e tornou-se evidente que ela estava no caminho da recuperação. Quando ela recuperou a consciência e se viu confortável na cama do hospital, acompanhada por uma boa enfermeira Cristã Navajo, e cuidada assiduamente pelo médico, ela encheu-se de admiração e espanto. Quando conseguiu falar, perguntou à enfermeira:
 
     "Porque é que ele fez isto por mim? O meu próprio povo expulsou-me para que morresse; ninguém me quis;  e ele veio e  trouxe-me para aqui, trazendo-me de volta à vida. Porque é que ele fez isso? Ele não é meu parente. Eu sou Navajo, e ele é um homem branco. Eu não consigo entender a razão de ele fazer tudo isto por mim."
 
     A enfermeira respondeu: "É por causa do amor de Cristo."
 
     "O amor de Cristo", exclamou ela. "Eu nunca ouvi falar do ‘amor de Cristo’. O que é o ‘amor de Cristo?’ O que quer dizer?" A enfermeira tentou explicar mas achou que não estava a ser clara; por isso chamou um dos Missionários.
 
     Durante uns quinze dias depois disso, um missionário ou outro conversava com a paciente por algumas horas todas as manhãs. Para fazê-la entender, era necessário contar a história desde a criação e deixar claro que Cristo veio ao mundo. A jovem escutava com profundo interesse. Os seus grandes olhos, como os de uma gazela, procuravam constantemente o rosto da missionária, como que para confirmar a tão maravilhosa história.
 
     Finalmente, quando ela pareceu estar bem de novo rumo à vida e a sua mente se tornou clara e vívida, os Missionários acharam que tinha chegado a altura de incitá-la a tomar uma decisão definitiva. Então eles realizaram conjuntamente outra pequena reunião de oração e depois, uma vez mais, Mitchell contou a história do amor que redime, indagando ternamente: "Minha querida irmã mais nova, (que é a forma característica de um índio Navajo dirigir-se a alguém mais jovem) compreende agora o amor de Cristo? Não pode tomar para si este Salvador bendito? Não vai colocar a sua confiança n’Ele, afastando-se dos ídolos do seu povo, e adorar o único Deus vivo e verdadeiro? Ele veio à Terra na pessoa do Seu Filho e agora pede-lhe que confie n’Ele por si mesma."
 
     Em palavras simples, ele apresentou os clamores de Cristo por algum tempo, porém não obteve qualquer resposta. A mulher estava ali perfeitamente tranquila, e era evidente que estava a pensar sobre tudo aquilo. Algum tempo depois a porta da outra ponta da enfermaria abriu-se e o médico olhou para o interior para se certificar de que estava tudo bem com a sua paciente.
 
     Ela olhou para cima e os seus olhos brilhantes expressaram a gratidão quando com doçura respondeu na língua Navajo, "Se Jesus é como o doutor, posso confiar n’Ele para sempre." Ela tinha visto Cristo magnificado num homem e o coração dela foi conquistado.
 
- Continua
 

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